Havana – No centro da capital cubana reina a pobreza comunista, os prédios estão caindo aos pedaços, os automóveis mais modernos são da década de 50.

Francisco, o primeiro pontífice latino-americano, em seu recente discurso ao corpo diplomático destacou a pobreza física e a pobreza espiritual como dois grandes males do século XXI, e se compadeceu do “sofrimento” que suas vítimas enfrentam.

Ao ler esse discurso papal sobre o flagelo da pobreza, não pude deixar de lembrar dos meus irmãos cubanos, pobres entre os mais pobres latino-americanos e caribenhos, vítimas de mais de 50 anos de comunismo. Evoquei tantos lances lamentáveis da diplomacia vaticana para Cuba comunista nas últimas décadas, que de uma maneira ou de outra favoreceram a continuidade da ditadura cubana. E me perguntei com legítima expectativa, enquanto católico cubano, qual será, durante este novo pontificado, a orientação da diplomacia vaticana para a pobre Cuba, a outrora “pérola das Antilhas”? Até o momento, não são muitos os elementos de que se dispõem para levantar uma hipótese sobre o que poderá ocorrer. Trata-se, sem dúvida, do teste cubano.

A expectativa e até a ansiedade dos cubanos sobre os rumos da diplomacia vaticana para Cuba comunista se justifica, porque o drama da ilha-cárcere já se prolonga durante demasiado tempo. Depois da viagem de João Paulo II a Cuba, em 1997, o então arcebispo de Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio, publicou o livro “Diálogos entre João Paulo II e Fidel Castro” (Ed. Ciudad Argentina, Buenos Aires, 1998), [foto] uma edição que parece estar esgotada, porém que na eventual re-edição poderá dar luz sobre o pensamento de Francisco sobre o problema cubano.

Diversos comentaristas lembraram o papel do arcebispo de Buenos Aires, cardeal Bergoglio, como presidente da comissão de redação do documento da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe (CELAM), cujos membros se reuniram no Santuário de Nossa Senhora Aparecida, Brasil, em 13 de maio de 2007. Francisco teria presenteado tal documento a mandatários recentemente recebidos em audiência pelo novo pontífice, como foi o caso da presidente argentina.

Em maio de 2007, antes dessa reunião da CELAM, tive oportunidade de enviar“minha angustiada interrogação, enquanto católico cubano e ex-preso político nos cárceres comunistas durante 22 anos, a respeito de se esta reunião da CELAM abordará o drama dos católicos cubanos ou se, mais uma vez, optará pelo silêncio”. Também constatava que “o sofrimento espiritual do rebanho católico cubano em relação à atitude complacente dos pastores ante os lobos vermelhos é dilacerante”. E lembrava que durante a reunião do Encontro Nacional Eclesial Cubano (ENEC), o então arcebispo de Santiago de Cuba, monsenhor Pedro Meurice, reconheceu que no começo os fiéis católicos cubanos consideravam os eclesiásticos desse país como membros de “uma Igreja de mártires”, mas que depois, por essa atitude colaboracionista com a ditadura castrista, “dizem que somos uma Igreja de traidores”. Um resumo dessa mensagem aos participantes da CELAM foi divulgado pela Agência Católica de Informações (ACI): (“Ex-preso político pede que drama cubano não passe desapercebido na 5ª Conferência”, ACI, 06 de maio de 2007).

uma mensagem pública aos membros desse organismo, difundido pela imprensa e nas redes sociais, e entregue em mãos à boa parte dos altos eclesiásticos participantes e a seus assessores, no próprio local do evento, em Aparecida. Nessa mensagem, eu expressava

Lamentavelmente, nessa oportunidade, o silêncio da CELAM sobre o tema cubano foi total.

Dois meses depois, os diretores da CELAM partiram para Havana, para participar da 31ª assembleia ordinária da entidade eclesiástica. Apresentava-se outra oportunidade imperdível para que a CELAM rompesse com o muro do silêncio, da indiferença e da vergonha que asfixia meus irmãos cubanos, pobres entre os mais pobres, órfãos espirituais entre os mais órfãos, que sofrem na ilha-cárcere do Caribe.

Antes de começar o encontro eclesiástico em Havana, autoridades da CELAM haviam recebido comoventes cartas, assim como pedidos de ajuda por parte de fiéis católicos, de mães e esposas de presos-políticos, sobre as generalizadas violações de direitos humanos e religiosos aos habitantes da ilha-cárcere. Depois do encontro eclesiástico houve, inclusive, uma reunião de duas horas e meia entre representantes da CELAM e representantes da ditadura cubana. Não obstante, monsenhor Emilio Aranguren, bispo da diocese cubana de Holguín, se apressou a esclarecer que nessa reunião simplesmente “nenhum desses temas foi posto na mesa”, porque se havia conversado unicamente “sobre os temas que eram verdadeiramente importantes para os bispos presentes”.

No inferno cubano, a asfixia e o extermínio espiritual e físico do pobre rebanho, ao que parece não era um tema suficientemente importante. O bom pastor está disposto a dar a vida por suas ovelhas (Cf. São João, 10,10). O que dizer daqueles pastores que deixam suas ovelhas a mercê do lobo, parecendo ignorar o drama dos fiéis católicos cubanos, pobres entre os mais pobres, física e espiritualmente?

Na “ostpolitik” eclesiástica para Cuba, até o momento foram vários os autores. Entre eles, a secretaria de Estado da Santa Sé, bispos católicos cubanos, cardeais e bispos católicos norte-americanos, e cardeais e bispos católicos latino-americanos. Dediquei ao tema dezenas de respeitosos e sinceros artigos, durante os últimos anos.

Nesta ocasião, evoco esses dolorosos fatos eclesiásticos na angustiada, expectante e filial perspectiva de saber como será a orientação da diplomacia da Santa Sé, durante o prontificado de Francisco, com relação a Cuba. Trata-se do teste cubano. A atual conjuntura da Igreja, interna e externa, talvez seja uma das mais dramáticas de sua História. Que em relação ao futuro da ilha, a Virgem da Caridade do Cobre, Padroeira de Cuba, ilumine a mente, as decisões e os passos dos atuais e mais importantes protagonistas, especialmente, do novo pontífice.
_______________
(*) Armando Valladares, escritor, pintor e poeta. Passou 22 anos nos cárceres políticos de Cuba. É autor do best-seller “Contra toda esperança”, onde narra o horror das prisões castristas. Foi embaixador dos Estados Unidos ante a Comissão de Direitos Humanos da ONU sob as administrações Reagan e Bush. Recebeu a Medalla Presidencial del Ciudadano e o Superior Award do Departamento de Estado. Escreveu inúmeros artigos sobre a colaboração eclesiástica com o comunismo cubano e sobre a “ostpolitik” vaticana para Cuba.
Dois artigos relacionados, escritos por Armando Valladares: Bento XVI, CELAM e “favela” cubana (30 de abril de 2007) CELAM em Cuba: “diálogo cordial” entre lobos e pastores (27 de julho de 2007)
Tradução: Graça Salgueiro

6 COMENTÁRIOS

  1. Artículo para aplaudir de pié! ya que deja muy en claro, y de manera conmovedora, lo dañino de la política vaticana de “la mano tendida al comunismo” y las secuelas que la misma va dejando en las almas y en los cuerpos de los fieles de esa “isla cárcel”. Que grande sería ver a “Dios Padre irado” (lleno de ira!, como lo vio la Beata E. Canori Mora)) ante esa situación, aberrante por donde se la mire.

  2. Não é de admirar que haja silencio por parte dos membros do clero. Basta lembrar o que escreveu o Pe. Teilharde de Chardim na primeira metade do século XX. Como planegou a entrada da doutrina Maxista dentro dos ceminários. E foram os Jesusitas os divulgadores de suas heresias, influenciando várias gerações de seminaristas. E hoje sofremos as conseguências destra intromissão comunista dentro da Igreja. Se quiserem conhecer mais sobre estes fatos, procurem por um livro publicado em 1967, com o título “O QUE O CONCÍLIO NÃO DISSE” e a entrevista do Cardeal Marcelino Arcebispo de Valência na Itália, na época. Que compreenderam o que me refiro. Veremos no que vai dar tudo isso.
    Salve Maria!

  3. O regime comunista deteriorou-se na União Soviética e os próprios governantes desistiram dele. Em Cuba, os irmãos Castro, mantém o regime, porque vivem comendo, bebendo e fumando (charutos cubanos) do bom e melhor, enquanto o povo vive de uma cesta básica que é doada pelo regime, desde que a criança nasce. Vivem sem perspectiva de crescimento social e econômico, sem liberdade de pensar e se expressar, diferentemente dos irmãos Castro e seus adeptos do governo…torturadores e matadores de quem se opor ao regime…Como , também na Coréia do Norte…onde pessoas morre de fome e o ditador vivendo nababescamente com seus seguidores…isto é o regime comunista…MISÉRIA PARA OS DOMINADOS E FARTURA PARA OS DOMINADORES…

  4. Eu não preciso de mais provas da maldade intrinseca do comunismo, como se não faltasse mais, vem este perseguido pelo regime comunista manifestar a verdade que ele sentiu. Mas onde estão a grande mídia que se afirma defensora da verdade? E Francisco I vai se manifestar pelos pobres, melhor dizendo, miseráveis de Cuba? Eu tenho certeza que se ele falar contra o regime aquilo cai de podre.

  5. P E N S A R :

    TUDO QUE SE FALA A RESPEITO DE CUBA É VERDADE. POBREZA, IMÓVEIS DETERIORADOS
    AUTOMÓVEIS ANTIGOS RODANDO COM MANUTENÇÃO PRECÁRIA, VÍTIMAS PERSEGUIDAS POR
    UM SISTEMA DECADENTE, FALIDO, COMPROVADAMENTE TANTO QUANTO OU MAIS CORRÚPTO
    QUE O CAPITALISMO NAS MAIS MODERNAS DEMOCRACIAS DO PLANÊTA.
    SÓ NÃO DÁ PARA ENTENDER POR QUE O PÔVO CUBANO AINDA ELEGE E REELEGE ESSA GENTE?
    O QUE HÁ DE TÃO ESPECIAL COM OS CASTRO QUE ESTÃO SEMPRE NO PODER ???
    A VERSÃO PASTORAL DA BÍBLIA EM MATEUS 7:6, DIZ:
    S A B E R D I S C E R N I R : “Não dêem aos cães o que é SANTO, nem atirem pérolas aos
    PORCOS; eles poderiam pisá-las com os pés e, virando-se, despedaçar vocês.
    Dando “asas ao transcendente”, imaginei o seguinte: ” os cães podem representar o próprio povo cubano, pois renegam (em sua maioria) o CRISTIANISMO, portanto, O MESTRE
    é rejeitado e os rejeita da mesma forma; as pérolas ´, representam o mesmo povo só que
    para seus governantes que, se viram contra eles pisando-os, ou seja relegando-os á sua
    própria miséria. TRATA-SE DE EQUILÍBRIO DE FORÇAS SEMELHANTES PORÉM CONTRÁRIAS:
    RENEGAM CRISTO E SÃO RENEGADOS PELO REGIME QUE OS ESCRAVIZA. OU NÃO ???
    PAZ E BEM À TODOS. REZEMOS POR FRANCISCO NESSE SEU MOMENTO CUBANO.

  6. E ainda tenho que aturar católico que veste a camisa do homícida Che Guevara.

    “(…) Tem farta documentação. Só não quer (acreditar), porque realmente, levou-se uma lavagem celebral ou é muito burro mesmo!” Lobão. Vídeo 1 min. e 34 seg.

    “Não basta ser um cientísta político, basta ser alfabetizado e não ser surdo. já que ele “tá” falando e “tá’ escrito” Danilo Gentilhe

    “Comunismo: 100 milhões de assassinatos e ainda acha que pode ser coisa boa?”
    Não Vire A Esquerda.
    http://www.youtube.com/watch?v=MctaYy8ej_Y

    Aqui a documentação: http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/2650840/o-verdadeiro-che-guevara-e-os-idiotas-uteis-que-o-idolatram-acompanha-dvd/

    O verdadeiro Che Guevara: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=260

    http://www.youtube.com/watch?v=oUJKNBH0RhI

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor deixe seu comentário!
Por favor insira seu nome