Para Obama os resultados eleitorais não são lisonjeiros
Para Obama os resultados eleitorais não
são lisonjeiros

Quando Barack Hussein Obama encerrou seu último meeting, na longa corrida pela reeleição, enxugou uma lágrima…

O esgotamento de uma campanha insana contribuiu para trair uma grossa preocupação: o “Messias” de 2008 já não estava mais lá. O futuro se fazia pressentir doloroso e incerto.

A estreita vitória que o reelegeu deixou um país rachado, mais polarizado que nunca, com os políticos menos moderados dos dois partidos compondo as duas Câmaras em oposição.

Obter o consenso mínimo na legislação mais rotineira será difícil, observou Andy Sullivan, da agência Reuters (7-11-12). “Não haverá muita boa vontade no Capitólio”, disse o professor de história da Universidade de Princeton, Julian Zelizer.

A polarização crescente manifestada na eleição tornará mais difícil governar o gigante acometido por violentas crises internas e externas.

Malgrado a vitória final, as perdas democratas foram notórias e Obama governará um país rachado não só política e ideologicamente, mas também social, étnica, geográfica, moral e religiosamente.Polarização, enfrentamento e paralisia aguardam no horizonte

“A polarização já foi mais extrema em alguns períodos do século XIX e nos anos 1930” [da Grande Depressão], lembra o historiador Alexander Keyssar, de Harvard, mas “em nenhuma dessas vezes as instituições do governo ficaram tão paralisadas como agora”.

E especificou que as trincheiras que dividem os EUA hoje são entre radicais e centristas dentro de cada partido; mais do que entre a esquerda democrata e a direita republicana.

Como conciliar o irreconciliável?

“Vitória sem folga” obriga o presidente americano a procurar a cooperação da oposição, comentou “O Globo” (8-11-12), mas esta “manteve a maioria na Câmara e saiu rancorosa das urnas com 57 milhões de votos”.

No Senado, o presidente terá o apoio deuma maioria democrata ampliada, porém posicionada mais à esquerda, com a presença pela primeira vez de uma senadora assumidamente homossexual.

“O pragmatismo deve levar Obama para o centro no 2º mandato”, escreveu Peter Baker, de “The New York Times”.

Mas onde está esse centro, do qual os políticos mais populares dos dois partidos desertam, migrando para os extremos? Quem ou que fator poderá resolver o dilema de Obama?

Para o professor Zbigniew Lewicki diretor do Departamento de Estudos Americanos da universidade Kardynał Stanisław Wyszyński de Varsóvia (“Gazeta Wyborcza” 8-11-12), do ponto de vista europeu, Obama “não correspondeu às expectativas geradas há quatro anos”, e “voltou as costas à Europa”.

Porém — acrescentou — o único governo que “pode deleitar-se com a vitória de Obama” é o da Rússia. Justamente o inimigo visceral dos EUA.

Isto por certo não é uma vitória americana, e não traz boas notícias para um futuro mediato.

As rachaduras morais acentuaram-se em vários plebiscitos que costumam ocorrer simultaneamente às eleições presidenciais.

Até o momento das eleições, na totalidade dos estados em que fora posto em votação, o “casamento” homossexual havia sido recusado pela maioria.

Mas desta vez, três estados o aprovaram: Maryland, Maine e Washington. Também o uso e a venda de maconha obtiveram aprovação em Colorado e Washington, embora tenham sido rechaçados no Oregon.

A lei federal considera a maconha como narcótico ilegal e prevêem-se atritos legais que podem até inviabilizar as aprovações.

Cambaleios e incertezas no horizonte

Rachaduras morais acirram a polarização dos EUA
Rachaduras morais acirram a polarização dos EUA

O segundo mandato de Obama começa com aspectos próprios de uma situação cambaleante do ponto de vista interno dos EUA.

Essa crescente rachadura interna não poderá deixar de ter graves reflexos nas relações internacionais.

Quem no cenário internacional poderá equilibrar o gigante americano quando este começar a oscilar num sentido ou noutro de acordo com disputas internas?

Na verdade, o resto do mundo aguardava respostas claras por parte dos EUA, pois sem o concurso dessa imensa nação as grandes economias mundiais, especialmente as europeias, não poderão dominar as rotações que as fazem dançar à beira de abismos assustadores.

Cavalgando sobre um gigante rachado, polarizado e absorvido por conflitos culturais, morais e religiosos internos, Obama não poderá realizar proezas brilhantes no exterior.

E então as bússolas dos países civilizados parecerão viciadas. A indicação de um rumo tornar-se-á cada vez mais obra de adivinhação, impossível até, talvez, para os políticos mais experimentados.

Nesse caso, quem poderá ganhar com a paralisia e/ou o enlouquecimento das bússolas do Ocidente?

Obama deve guiar o país sem bússola e sem entusiasmo
Obama deve guiar o país sem bússola e sem entusiasmo

No Oriente, a China se prepara de um modo assaz confuso e atormentado para se projetar como a primeira potência mundial.

Nas condições em que se deu, a vitória de Obama deve ter sido recebida em Pequim como prenúncio da realização da hegemonia marxista chinesa no mundo preconizada por Mao Tsé-tung.

Mas quem arriscará garantir qualquer coisa considerando-se a obscura luta pela sucessão interna na China comunista e os crescentes focos de rebeldia popular contra o governo?

A única coisa certa é que a vitória eleitoral de Obama preanuncia horizontes ameaçadores para a estabilidade mundial.

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