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Já comentamos recentemente os denominados “rolezinhos”, os arruaceiros dos shoppings; falta dizer algo sobre o movimento primo-irmão deles, o black bloc.

Eles se assemelham porque, em graus diversos, ambos são vagamente anarquistas, sendo esta tendência mais acentuada no black bloc.

Aliás, a sombra desse velho fantasma do anarquismo tem-se feito ultimamente notar, de um lado porque o comunismo, desde sua origem, tem um estreito parentesco com ele, e de outro devido à emergência de movimentos que se proclamam anarquistas ou cujos membros são seguidores desse velho erro.

Mas, de uma maneira muito geral, talvez se pudesse dizer que os black blocs são anarquistas com “A” maiúscula, e os rolezinhos com minúscula. Explico-me: enquanto os rolezinhos fazem “anarquia” no sentido de “bagunça”, quebrando objetos, os black blocs o fazem no sentido de “revolução”. Ou seja, eles aderem à doutrina anárquica professada pelos comunistas, a cujo respeito se escreveram muitos livros e que já causou derramamento de muito sangue no mundo inteiro.

Assim, lemos na “Folha de S. Paulo” (16-2-14) que “desde junho [2013], movimentos sociais, militantes de partidos de esquerda, estudantes universitários, anarquistas e jovens de classe média interessados em reformas convivem entre si nos protestos quase semanais. Na linha de frente vão os adeptos da tática black bloc — que prega a destruição de patrimônio. Eles sempre vestem preto e cobrem (ou cobriam) o rosto. Na maioria, são bastante jovens, de classe média e classe média baixa, interessados em ação”.

Os black blocs “pregam a destruição de patrimônio. Não têm, contudo, o estofo político, por exemplo, dos chamados militantes clássicos”  (“Folha de São Paulo”, 16-2-14).

Fanfarronada ou não — fazendo referência à Tropa de Choque da Polícia Militar —, eles cantam: “Eu vi o Choque/ correr do black bloc”. Portanto, diversamente dos rolezinhos, eles são violentos (“Folha de S. Paulo”, 16-2-14).

Outro dia vi um neologismo curioso: pangredir. Significa caminhar para todos os lados sem meta, com naturalidade. Ambos movimentos estão pangredindo…

Cantam “eleição é farsa, não muda nada, nada não, o povo organizado vai fazer revolução”. Seus integrantes pregam que “o poder do povo vai fazer um mundo novo” e lutam contra o que chamam de “farsa eleitoral”…

“Em uma segunda linha, mas muito misturados aos black blocs, vão ativistas da FIP (Frente Independente Popular), criada durante as jornadas de junho e que reúne 15 movimentos sociais de esquerda e anarquistas” (“Folha de S. Paulo”, 16-2-14).

Os anarquistas negam a organização social vigente, com partidos políticos e hierarquias institucionais. Eles pregam a autogestão.

Outro fantasma reaparece! Que é a autogestão? Uma grande cartada do esquerdismo “clássico”, lançada em 1981 pelo recém-eleito presidente francês François Mitterrand. A ideia, que parecia dotada da força irresistível das avalanches, acabou não vingando(1), e em consequência, o marxismo murchou. Agora, está de volta com os black blocs.

Segundo o anarquismo, “uma humanidade evoluída, vivendo numa sociedade sem classes nem governo, poderia gozar da ordem perfeita e da mais inteira liberdade, sem que desta se originasse qualquer desigualdade”.(2)

Assim revelava um velho anarquista: “Hoje já se encontram homens que cruzam pela vida quase sem amor numa atmosfera cor de aço. Façamos com que o número desses homens exemplares vá em aumento […]. Veremos desaparecer deste modo o amor pela mulher esposa e pela mulher amante, e também o amor pela mãe, vínculo principal da família, e como tal, empecilho eterno à atrevida criação do homem futuro […] a humanidade triunfará facilmente do duplo amor filial e materno, esses dois amores confortantes, porém nocivos, doces cadeias que é preciso destruir”.(3)

Será que cada um dos novatos que participam desses movimentos pensa assim? Provavelmente não, mas eles vão sendo doutrinados para serem anarquistas radicais. Geralmente será apenas uma questão de tempo.

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Notas:

  1. As 15 TFPs de então fizeram publicar, nos principais jornais do mundo, com uma tiragem total de 33,5 milhões de exemplares, o célebre encarte de oito páginas, com o título: “O socialismo autogestionário: em vista do comunismo, barreira ou cabeça de ponte?” Nessa Mensagem, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira desmascarava o programa do recém-eleito presidente francês François Mitterrand. O trabalho teve uma repercussão internacional retumbante.
  2. Plinio Corrêa de Oliveira, Revolução e Contra-Revolução, I-VII.
  3. Filippo Tommaso Marinetti, 1876-1944, publicou o primeiro manifesto futurista em 1909, no jornal parisiense “Le Figaro”. Nele expunha a necessidade de criar uma arte livre e anárquica capaz de expressar a sociedade industrial. Fez propaganda do fascismo, chegando a afirmar que a ideologia fascista representava uma extensão natural das ideias futuristas (Futurismo e Fascismo, 1924).

6 COMENTÁRIOS

  1. Se não estou errada, A comissão dos direitos humanos nacional é totalmente formada por PTRALHAS, ou melhor, toda aquela tropa que recebeu anistia, pelos seus graves erros cometidos durante a revolução e formadores da oposição contra a Ditadura, estão quase na maioria nesta comissão de direitos humanos nacional. Não lembro o nome de todos, mas o Advogado de Lula, Dr. Greenhalgh, Senador Suplicy e outros estão na lista e não são interinos são vitalícios. Pelo menos até hoje nunca vi na lista mudança de nomes.

  2. Entre tantas noticias sobre a conjuntura: passeatas e protestos uma, talvez tenha passado desapercebida: no mesmo dia a TV Bandeirantes deu uma pesquisa do Data Folha com vitorias da Dila contra esse ou aquele; qualuer que fosse o quadro…Enquanto isso, na Globo uma pesquisa do IBOPE, no mesmo dia dava conta de varias perdas de pontos da Dilma!? O que esta acontecendo? As duas emissoras nao conheciam a pesquisa da outra (o que me parece impossivel)ou o que? Estao se revezando para parecerem imparciais ou faz parte de um acordo? Sebaheide.

  3. A empresa que fabrica as urnas eletrônicas qual é? Por que os processos de fraude eleitoral correm sempre em segredo de justiça? A revolta do povo tem de ser dirigida com direito à informação: quem são os verdadeiros inimigos. Esses black blocs são pouco mais que mendigos raivosos. E o filho do LULA e sua fortuna? E as dezenas de empresas da filha da Dilma? O que se discute é o verdadeiro financiador dos black blocs: o PT. Quanto pior melhor para eles. Que tal matérias sobre esses temas?

  4. como diz o prof Olavo, esses caras só entenda a linguagem da violencia, do predominio da força, do barbarismo. Os romanos ja disseminavam a logica da organização e da disciplina, que venceu todas as manifestação do barbarismo. Hoje querem retornar aos tempos do barbarismo, com auxilio da ditadura do politicamente correto. No fim irá vencer a organização social em prol do bem comum, da justiça que mantem a sociedade administrada pela logica e pelo bem comum, alicerçada pelo direito romano.

  5. ANARQUISMO/COMUNISMO EM GERAL-PT/CAOS/PSOL.
    São interativos, muitas semelhanças e alianças; o Psol cometeu o grave erro de se associar aos Black Blocs; que se prepare para ser rejeitado na política pelos setores democráticos.
    Aquela voz macia, calma de seu chefão, o Randolfe Rodrigues esconderia suas garras afiadas por detrás…
    Após as manifestações de junho de 2013, quando foi expulso dos protestos como tantos outros partidos, o Psol estreitou sua relação com os Black Blocs e aprecia continuar posando de bom moço na hora de dar entrevistas como se fosse o libertário, velha jogada dos comunistas de sempre dissimularem-se e se passarem de defensores das minorias.
    Ao contrário do que pretendia, não é o Psol que parece estar influenciando os Black Blocs, mas os Black Blocs que estão dando a linha do Psol, não apenas ao lado, mas de mãos dadas com os mascarados.
    Por mais que tente tapar o sol com a peneira, está evidente que o PSOL flertou com os Black Blocs e gostou da jogada.
    O cinegrafista da Band era, antes de tudo, uma pessoa comum, um cidadão brasileiro, um trabalhador e o criminoso que tirou a vida dele irá provavelmente reclamar da criminalização dos protestos; não atacou ícone algum da suposta imprensa burguesa para se defender, no caso a maioria comprada, a favor do PT.
    Na mente das pestes comunistas subsiste isso: “A violência é o único meio de luta; o sangue é o combustível da historia” – Lênin.

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