Palácio dos Doges de Veneza: sublimidade, simplicidade, arte e aristocracia

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A renda de pedra do Palácio dos Doges de Veneza é o lado surpreendente do mais sublime caixotão que possa haver.

Porque este é o mais sublime caixotão da História, porque é um caixote, mas que caixote!

Há uma inversão: a parte pesada fica em cima. Mas, para desfazer a parte pesada, há um desenho de pedra que é uma beleza.

As ogivas, no estilo gótico veneziano, foram duas fileiras de uma delicadeza e de uma beleza linda. Mas o “caixotão” não pesa em cima delas.

E para o caixotão não ficar lambido, as formas pontudas se repetem na parte superior do “caixotão”.

O princípio monárquico resplandece no balcão no qual o Doge assomava para contemplar o mar e o povo, as grandes riquezas de Veneza.

Por baixo há uma galeria coberta para o povo poder circular e por toda parte os famosos pombos de Veneza.

Na praça erguem-se duas colunas, uma com o dragão e outra com São Jorge.

Entre essas duas colunas se davam as execuções capitais. Creio que foi aí que foi decapitado o Doge Martim Falheiro porque conspirou para diminuir o poder da nobreza, estabelecendo uma monarquia em Veneza. Então, foi decapitado.

A Ponte dos Suspiros sai do Palácio e entra num prédio que era a prisão. É uma ponte linda, dita dos suspiros, pois o réu condenado que por ali atravessava não iria ver mais a cidade de Veneza.

A beleza de Veneza manifesta-se em tudo. Nos cantos dos telhados são as garguri, calhas para o escoamento da chuva.

Mais na frente um dragão magnificíssimo.

É a prestigiosa Veneza onde tudo está carregado de cores, sons e hipérboles.

O Leão de São Marcos, símbolo da cidade e de seu padroeiro o Evangelista São Marcos, balança com elegância sua cauda pelo ar! É um leão alado.

Um embaixador do Sacro Império perguntou a um Doge: “Alteza sereníssima, em que país há leões alados?” Ele disse: “No mesmo país onde há águias com duas cabeças!”

Face ao Palácio dos Doges há um prédio incomparavelmente menos bonito. É que os reis da Itália realizaram uma unificação muito contestada e contestável pois visou aniquilar os antigos reinos, cidades livres que faziam da Itália um maravilhoso mosaico político social e cultural.

Esses mesmo reis da Itália unificava quando iam a Veneza, não ousavam hospedar-se no Palácio dos Doges, então hospedavam-se nesse prédio em frente. Muitas vezes unificar, é diminuir.

O espetáculo de Veneza comunica um antegozo do que pode ser um mundo inteira-mente católico, o Reino de Maria anunciado por Nossa Senhora.

Se o Reino de Maria exprimir essa soma e essa síntese que encanta em Veneza, sairá alguma coisa que nós não imaginamos.

Como os francos do tempo de Clóvis não imaginavam nem a Sainte-Chapelle, nem Versailles, como os obscuros botocudos que moravam nas ilhas de Veneza no tempo que isso era um pântano, tampouco imaginaram toda a magnificência que veio depois.

Desceram aí o batismo, a graça e o sangue de Cristo, os rogos de Maria, e o pânta-no se transformou em Veneza.

Sejamos inteiramente católicos e ninguém sabe de nossa alma o que poderá sair. Esse é o antegozo do Reino de Maria.

(Fonte: Plinio Corrêa de Oliveira, 15/2/1972. Sem revisão do autor)

3 COMENTÁRIOS

  1. Beleza incontestável, eco maravilhoso da Sereníssima República!

    A primeira vez que tomei vista desse “caixotão” foi com os registros de Canaletto, realizados em princípios do século XVIII. Recomendo complementar este artigo com uma busca a essas pinturas, as quais mostram o cenário repleto da vida que o cercava.

    Sejamos inteiramente católicos, sim! Amém!

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