Paulo Roberto Campos

Hoje, inesperadamente, deparei-me com outro artigo de Dom Aloísio Roque Oppermann, SCJ — Arcebispo Metropolitano de Uberaba [foto]. Seu ponto de vista surpreendeu-me agradavelmente e o submeto à avaliação dos leitores deste Site.

Segue, sem maiores comentários, a transcrição do breve artigo, pois, para bom entendedor…

— E a fonte de tal artigo?

— Fico até com receio de citá-la… Tenho medo de que a “fonte” o retire de seu site — como já o fez com outros artigos, postos off-line (leia-se “excomungados”) porque não estavam em sintonia “ideológica” com a generalidade dos membros da CNBB… Ihhh! acabei citando a “fonte”… Sim, é difícil acreditar, mas lá ainda se encontra.(*)

Dom Aloísio Roque Oppermann

O fascismo chauvinista alemão se estabeleceu, entrando pela porta da frente. Hitler manipulou a alma alemã, com recursos de encantamento irresistível. Seu nome estourou nas urnas.

Estava tão certo da vitória que não ocultou nenhum de seus tenebrosos pensamentos. Todos conheciam suas pregações imperialistas, seu gosto pelo uso da força, sua arrogância diante dos judeus, sua presunção de superioridade da raça ariana.

Um observador, colocado a certa distância, poderia prever a colisão inexorável que aconteceria entre o bem do povo alemão, e o programa foguetório do regime político, que deveria arrostar todas as conquistas civilizatórias. É a história do passarinho encantado, que fica à disposição da cobra que o engole sem escrúpulos.

Não sou daqueles que consideram a Revolução de 31 de março, como um mal absoluto. As intenções foram boas, tendo recebido o firme apoio da opinião pública. Os nobres ideais foram obumbrados, progressivamente, pelo uso abusivo do cerceamento das liberdades.

Com o correr do tempo, as lideranças socialistas, em vez de se converterem, entraram na clandestinidade. Mas posteriormente retornaram, entre aplausos, e ocuparam tranquilamente quase todos os escalões da República cripto-socialista.

Certíssimos do sucesso, já se tem como garantida a execução de alguns programas antiqüíssimos: a interrupção violenta da gravidez; o enfraquecimento da vida familiar, pelo apoio a outros tipos de “família”; a redução à obediência de veículos de comunicação através de prêmios e castigos; a insegurança dos direitos constitucionais; a subserviência do poder judiciário; a impossibilidade de manifestação religiosa em público; a descaracterização do país de qualquer sinal cristão, depois de termos passado ao povo, durante séculos, os ensinamentos de Cristo…Será que se avizinha o tempo em que precisamos ocultar que somos católicos?

A vitória desse programa “moderno” parece ser tão evidente como o pôr do sol antes da noite escura. O nosso veículo tem freio e tem direção. Enxergamos o perigo que se avizinha? “Eis agora o dia da salvação” (2 Cor 6, 2 ). Ainda podemos evitar o grande mal.

(*) http://www.cnbb.org.br/site/articulistas/dom-aloisio-roque-oppermann/4370-cegueira-plumbea