O Parlamento britânico recusou em última instância a tentativa de legalizar a eutanásia, ou morte assistida na Inglaterra e em Gales, após um emotivo debate pleno de casuísticas individuais e argumentações genéricas, noticiou o jornal El Mundo, de Madri.

Em votação final, o mal chamado “direito a morrer” foi derrotado por 330 x 118.

O projeto de lei de morte assistida foi introduzido pelo deputado trabalhista (socialista) Rob Marris. O parlamentar tergiversava dizendo que “todas as pessoas que se encontram na perspectiva dentro de seis meses, deveriam ter a opção de decidir o que querem fazer”, leia-se se suicidarem com recursos fornecidos pelos médicos. Porém, esse e outros sofismas não convenceram os deputados.

Do lado de fora do Parlamento de Westminster aconteciam duas manifestações: uma a favor da morte e outra a favor da vida.

Essa oposição pôs em relevo a polarização provocada pelo tema na sociedade britânica.

A proposta recusada previa que dois médicos e um desembargador tinham que aprovar previamente o exercício desse inexistente “direito à morte” no caso de pessoas com doenças terminais com uma previsão de menos de seis meses de vida.

Após esse visto, seria passada ao paciente uma dose de barbitúricos para que ele próprio, ou pessoas próximas, executassem o suicídio apresentado irenisticamente no texto legal.

O deputado trabalhista e médico de profissão Keir Starmer arguiu que cerca de trinta britânicos viajam todos os anos para a Suíça, recrutados por uma organização chamada eufemisticamente Dignitas, para nunca mais regressarem. No país helvético eles põem fim às suas vidas.

“O que acontece com nosso sistema médico e judicial é injusto e discriminatório, porque permite a alguns se beneficiarem do Dignitas e viajar ao exterior para decidir sobre suas vidas, enquanto aos que não dispõem de dinheiro nem de informação, não lhes é permitida a mesma opção”.

Manifestantes contra a eutanásia diante do Parlamento de Westminster.
Manifestantes contra a eutanásia diante do Parlamento de Westminster.

A demagogia intrínseca e a incongruência intelectual desse sofisma não convenceram. O ex-ministro conservador Liam Fox advertiu que “a aprovação dessa lei abriria uma caixa de Pandora que não se sabe onde pode acabar”.

O deputado advogou pela vida contra o projeto com base em valores religiosos, nas incertezas médicas a respeito dos casos apresentados, por razões de direito e de manipulações testamentárias que podem dar-se nesses casos.

Os dois principais partidos ingleses não tiveram coragem de se definir diante do projeto e deram liberdade de voto a seus representantes. Livres do compromisso partidário, os deputados votaram em função de sua reeleição e da necessidade de atender às expectativas de seus eleitores.

Nos dois blocos – Conservador e Trabalhista – houve divisão de opiniões, mas prevaleceu o bom senso, o sentimento religioso e a ciência médica.

A ‘cultura da morte’ tem sua estratégia de penetração pensada. Primeiro aduz alguma casuística de forte conteúdo sentimental e, uma vez aprovada a lei, começa a multiplicar os casos até chegar ao vale- tudo.

Em matéria de eutanásia, nos mesmos dias ela foi ampliada mais uma vez na Bélgica, noticiou Infovaticana.

Agora bastará alguém declarar-se em depressão para lhe ser inoculado o cocktail da morte, análogo ao usado em condenados à morte em certos estados americanos.

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