Reações à oferta de renúncia do Cardeal Marx

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Vale a pena analisar detalhadamenteas reações à oferta de renúncia do Cardeal Marx, por evidenciarem o interesse dos progressistas:

Anette Schavan — embaixadora da Alemanha junto à Santa Sé até 2018, mostrou-se confiante de que o processo de reforma da “Via Sinodal” seria fortalecido. “A influência daqueles que não querem a renovação da Igreja vai se tornar cada vez menos relevante.” (Citação tirada do jornal Zeit, de 5 de junho de 2021).

Thomas Sternberg — presidente do Comitê Central dos Católicos Alemães (ZdK): “A Via Sinodal que o Cardeal Marx ajudou a realizar é a única forma viável de fomentar confiança em torno da tenra planta.” (Deutschlandfunk)

Johanna Rahner — professora de Dogmática e Teologia Econômica na Eberhard Karls Universität, de Tübingen: “Aqui devemos realmente ir ao âmago da questão”, diz ela. “Está em jogo o poder e o abuso do poder na Igreja, a igualdade, especialmente para as mulheres. Está em jogo a sexualidade.” Ademais, está em jogo como a Igreja Católica estrutura seus ofícios e seus sacramentos. “Não dá mais para continuar com as eternas soluções do passado”. (Deutschlandfunk)

Particularmente importante é a declaração de Dom Georg Bätzing, presidente da Conferência Episcopal Alemã: “Enganam-se todos os que pensam que a Igreja poderia sair desta imensa crise por meio de alguns retoques cosméticos de natureza externa, jurídica, administrativa. Percebeu-se esta falha de sistema na Igreja, para a qual só pode haver ‘respostas sistêmicas’, que são fundamentais”. (Citação tirada do “Katholisch.de” de 5 de junho de 2021).

Ainda Dom Bätzing, citado pelo “Katholisch.de”: Na noite de sexta-feira, na Rede Central Alemã de TV (ZDF), Dom Bätzing disse que na “Via Sinodal” os bispos alemães tentaram, juntamente com os leigos, levantar questões sistêmicas e respondê-las com honestidade. “Mas há muitas críticas a essa Via e tenho a impressão de que alguns pensam que bastariam alguns reparos cosméticos na Igreja para que tudo ficasse bem novamente”. Assim como o cardeal Marx, Dom Bätzing disse que se opõe a essa solução. “Trata-se de fazer reformas fundamentais na Igreja Católica, sem as quais não se irá para a frente”.

Dessas reações retiram-se apenas duas conclusões:

Primeiro: Não se trata principalmente do combate ao abuso sexual, que quase não foi mencionado, até mesmo nas tomadas de posição, mas possivelmente da última tentativa de impor a velha agenda de destruição progressista: abolição do celibato e da moral sexual, introdução do sacerdócio feminino, bênção de parceiros homossexuais, democratização da Igreja etc.

Portanto, trata-se de fundar na Alemanha uma Igreja Nacional igualitária.

Segundo: Chama a atenção que, após a oferta de demissão do Cardeal Marx, todos os progressistas foram de opinião unânime que deveriam defender a “Via Sinodal”. Sentem que ela corre um perigo existencial. Isso só pode significar que os próprios progressistas reconhecem que sua carroça está num profundo atoleiro. Neste sentido, os apelos de Dom Bätzing pedindo fidelidade à “Via Sinodal” são propriamente desesperadores.

O fato é que a Via Sinodal trouxe à cena elementos radicais na Alemanha, que tiveram a sensação de poder expressar de forma desinibida suas exigências anticatólicas, tais como o sacerdócio feminino ou a abolição da moral sexual.

Provavelmente os progressistas radicais tinham esperança de que suas exigências fossem atendidas no atual pontificado. O que até o momento não aconteceu.

O Cardeal Marx ou o bispo Dom Bätzing teriam de colocar esses grupos progressistas radicais em seu lugar, mas não têm a coragem de fazê-lo ou não querem.

(Este texto está também disponível em vídeo no original alemão: https://youtu.be/4RM6Fs6D_zA)

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Tradução do original alemão por Renato Murta de Vasconcelos

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