À medida que nos aproximamos do início do Sínodo Pan-Amazônico se acentuam as contradições da política do Vaticano.

Vejamos: segundo noticiou o Estadão, “o Vaticano vetou a participação de políticos com mandato entre os participantes do Sínodo, negando o pedido do governo brasileiro, principal interessado nas discussões, uma vez que a maior parte do território amazônico pertence ao Brasil”.

Política totalmente oposta adotou o Vaticano com relação ao governo comunista de Pequim: firmou ele um “Acordo Provisório” (setembro de 2018) cujas cláusulas são secretas mas dá a Pequim (vale dizer ao PC chinês) escolher os bispos que o Vaticano irá referendar. Aceitou, inclusive, o Vaticano bispos comunistas da Igreja Patriótica e os confirmou na sucessão apostólica.

Dois pesos e duas medidas?

          O Brasil é um pais majoritariamente católico. Lutamos, nós brasileiros, contra a Holanda e a França em suas tentativas de estabelecer aqui suas “Guianas” e seu credo protestante.

Nunca renegamos a nossa Fé e jamais hostilizamos o Vaticano em sua expansão missionária no Brasil e nunca apoiamos as iníquas medidas do Marquês de Pombal contra o Clero.

Por quê razão o Vaticano trata o Brasil – nesse particular do Sínodo da Amazônia – negando a participação do governo no evento de outubro?

Por quê não usa da mesma benevolência que recebeu Xi Jinping, ele, sabidamente um perseguidor feroz do Catolicismo na China? Após o “Acordo Provisório” continuam as destruições de igrejas, de cruzes, prisão de sacerdotes e bispos. Mais ainda, o PC chinês força os católicos e o Clero a assinarem uma adesão à Igreja Patriótica.

O que diz o Vaticano aos católicos e ao Clero chinês? Vamos confiar, tenham paciência!

O que diz o Vaticano ao governo brasileiro? Vetou a participação deste no Sínodo e nem sequer pede a colaboração.

A atitude de D. Cláudio Hummes, relator do Sínodo

    Com a manchete: “Cai a máscara do isentismo: Dom Cláudio Hummes em evento contra o governo Bolsonaro”, comenta o site FratresInUnum.com, 4 de setembro: “Ao lado de dezenas de políticos esquerdistas, pousa ninguém menos que o arcebispo emérito de São Paulo, o cardeal Dom Cláudio Hummes, relator do Sínodo Pan-amazônico, a ser realizado dentro de um mês, em Roma”.

“Numa entrevista anterior ao próprio Estadão, Dom Cláudio, falando sobre as polêmicas entre o Sínodo da Amazônia e o governo, disse que: “Foi na campanha eleitoral que começou tudo isso. O governo, que se diz de direita, considera a Igreja de esquerda. Mas a Igreja não é partido político. Não é de esquerda. Não aceita essa qualificação, essa etiqueta. A Igreja é para todos””. (https://fratresinunum.com/2019/09/04/cai-a-mascara-do-isentismo-dom-claudio-hummes-em-evento-contra-o-governo-bolsonaro/)

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        Esqueceu-se D. Hummes de relatar as “démarches” (houve?) do Vaticano e dele mesmo, enquanto Relator do Sínodo, junto ao Governo brasileiro para melhorar as relações e empreender em conjunto uma obra saneadora em favor dos Valores Morais em nossa Pátria? Em particular quanto ao Sínodo?

Aguardamos, para o Brasil, o mesmo trato e privilégios que o Vaticano deu ao ditador vermelho Xi Jinping.

A colaboração Igreja-Estado é um bem em si mesmo

       Há aqui uma manifesta recusa – da parte do Vaticano, do Sínodo da Amazônia, de D. Hummes — ao ensinamento da Igreja sobre as relações entre Igreja-Estado.

Recorda o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira: “Por certo é à Igreja que pertencem os meios próprios para promover a salvação das almas. Mas a sociedade e o Estado têm meios instrumentais para o mesmo fim, isto é, meios que, movidos por um agente mais alto, produzem efeito superior a si mesmos”. https://pliniocorreadeoliveira.info/RCR.pdf

O Estado deve, por meio de sua ação legislativa, executiva e judiciária, organizar-se a si próprio, e organizar a família, o ensino, o trabalho, e a propriedade, conforme a doutrina social católica.”

O Estado deve colaborar com a Igreja em toda a linha, dando-lhe todos os recursos ao seu alcance para que Ela desempenhe plenamente sua atividade apostólica, e, nos assuntos em que tal colaboração de nenhuma utilidade seria, assegurar-lhe a maior e mais ampla liberdade de ação.”   https://www.pliniocorreadeoliveira.info/LEG%20400811_ASRELACOESENTREAIGREJAEOESTADO.htm

Estamos diante desse paradoxo: é o Vaticano que recusa a ajuda do Governo da maior nação católica da Terra!

As dificuldades concretas na Amazônia pedem uma ação em comum

        Todos que estivemos na Amazônia brasileira bem o sabemos. Não é tão grande o número de brasileiros que conhece “in loco” as múltiplas dificuldades que aquela densa floresta oferece.

Que sentido faz o Vaticano recusar uma ação conjunta com o Governo e servir-se dos meios materiais deste para a expansão missionária, civilização e cultura daqueles povos?

Então, para o Vaticano é útil e proveitoso (para os católicos) um Acordo com o regime comunista chinês e – em sentido contrário – fechar as portas para uma colaboração com o governo da maior nação católica da Terra?

Quem não vê que a atual política do Vaticano tem “razões” que a sã razão não conhece!

Intuição, sagacidade e bom senso não faltam a nossos compatriotas. Estamos perplexos!

 

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