José Carlos Sepúlveda

Foi há pouco tempo. Talvez até muitos já se tenham esquecido. Mas no dia 2 de maio passado, uma van Nissan Pathfinder começou a fumegar em pleno coração de Nova York. A polícia foi alertada por um vendedor ambulante e rapidamente evacuou a Times Square, esvaziando o centro de Manhattan (foto – reprodução).

Dentro do carro a brigada especial da polícia encontrou diversos materiais explosivos e desativou o artefato que fazia daquele veículo um carro-bomba. Michael Bloomberg, prefeito da cidade, afirmou que a polícia evitou uma tragédia.

 

Indiciado por terrorismo
As investigações logo identificaram o responsável, Faisal Shahzad, paquistanês de 30 anos, naturalizado americano há pouco mais de um ano. A polícia efetuou a prisão de Faisal, quando este embarcava num vôo para o Dubai, no Aeroporto Internacional John F. Kennedy.

Levado ante um Tribunal Federal, Shahzad se confessou culpado e foi indiciado por terrorismo e por estar “conspirando com o Taliban do Paquistão para causar morte e destruição na Times Square“.

“É uma guerra”
O julgamento de Shazad teve início nestes dias, segundo noticia a imprensa. Ao contrário do que se podia esperar,Faisal Shahzad não tentou provar sua inocência, mas reafirmou com jactância sua culpabilidade pelo atentado frustrado.

Como o noticiário é revelador, convido-os a ler alguns trechos da reportagem publicada pela Folha de S. Paulo(22.jun.2010), intitulada Réu se diz culpado no caso Times Square, reportagem que comento em seguida:

“Num tribunal federal em Manhattan, Shahzad disse à juíza Miriam Goldman Cedarbaum que gostaria de se declarar culpado “mais cem vezes”. A sentença está marcada para 5 de outubro. (…)

“É preciso entender de onde eu venho. Eu me considero um soldado muçulmano”, disse ele, acusado de tentativa de usar armas de destruição em massa e de praticar terrorismo transnacional.

Questionado se não se preocupa com o fato de que poderia ter matado crianças, ele respondeu que os EUA não se importam quando crianças morrem em países muçulmanos.

É uma guerra. Sou parte da resposta à aterrorização americana das nações muçulmanas e do povo muçulmano”, declarou o acusado, no tribunal.

“Em nome disso, estou me vingando do ataque. Os americanos só se importam com o seu povo, mas não com as pessoas que morrem no resto do mundo.”

Shahzad reafirmou ter recebido treinamento no Paquistão e atribuiu ao Taleban do país as lições para construir a bomba que pretendia detonar na Times Square, em 1º de maio.

Ele disse ter escolhido uma noite quente de sábado porque haveria mais gente que pudesse machucar ou matar. E descreveu que o veículo usado no atentado, uma perua Nissan Pathfinder, tinha três bombas, e a intenção era que explodissem como uma bola de fogo. (…) “Esperei para ouvir um barulho, mas não ouvi. Então andei até a [estação] Grand Central e fui para casa.” (…)

Ainda de acordo com a CNN, Shahzad também considerava promover ataques no Rockefeller Center, no Grand Central Terminal e no World Financial Center, alguns dos principais pontos de Nova York.

“Faisal Shahzad tramou e conduziu um ataque que poderia ter levado a sérias perdas de vida, e hoje o sistema de Justiça criminal americano assegurou que ele pagará o preço de suas ações”, disse o secretário da Justiça dos EUA, Eric Holder.

Chamo a atenção para o fato de Faisal Shahzad se dizer um “soldado muçulmano” e protestar contra a intervenção em

países muçulmanos. Ou seja, a perspectiva dele é primordialmente religiosa e não uma questão de disputa territorial entre países. Além disso, deixa claro que existe uma guerra levada a cabo pelos muçulmanos, uma guerra de caráter essencialmente religioso.

Ressalto ainda a inclemência de Shahzad, que buscou circunstâncias para que seu atentado ferisse ou matasse o maior número possível de civis.

Para muitos no Ocidente tais perspectivas são incômodas, já que abalam suas crenças pacifistas, como também suas convicções laicistas. Mas de que adianta se entricheirar nessas convicções se quem ataca o mundo ocidental o faz por meio da guerra e da guerra religiosa?

Resposta “à mão estendida”
O atentado abortado em Times Square, pela pronta e precisa intervenção da polícia, foi a segunda grande tentativa de um atentado islâmico em território norte-americano,durante a administração do Presidente Barack Obama.

É bom recordar que, em sua postura messiânica, o presidente Obama parecia trazer consigo a fórmula mágica que desmontaria todos os conflitos e congraçaria todos os adversários.

Ele insistiu em estender a mão aos inimigos dos Estados Unidos, e mais amplamente do Ocidente, tentando desarmá-los com sua compreensão e afirmando que seu país não estava engajado numa guerra contra o Islã; fez igualmente questão de abolir, em sua nova estratégia de segurança nacional, as referências à “guerra contra o terrorismo”. Mas…

– a resposta à mão estendida foi o punho fechado, não só nas tentativas de ataque aos Estados Unidos, por meio de atentados, mas em muitos outros campos políticos e diplomáticos, bastando recordar as atitudes desafiantes da Coréia do Norte e do Irã;

– ao contrário das crenças de Obama, os promotores de certo terrorismo afirmam que, sim, há uma guerra, e levada a cabo por soldados muçulmanos; ou seja, não uma guerra de nações, mas uma guerra religiosa;

– ainda que o presidente norte-americano evite falar de guerra ao terror, a tática preferencial dessa guerra religiosa continua a ser o terrorismo.

Desprevenção e entreguismo
A postura do Presidente Obama é reveladora de uma mentalidade que desmobiliza e ilude
. Sim, o mais perigoso de tal estado de alma é querer iludir-se quanto à realidade e acabar por ser vítima dela.

Diante de Hitler muitos europeus quiseram fazê-lo. Sua atitude, vergonhosa e fatal, ficou consagrada nas palavras de Churchill, o homem que incansavelmente alertava contra a mentalidade acomodatícia, o ambiente de desprevenção, a vaga de entreguismo: “Entre a desonra e a guerra, eles escolheram a desonra, e terão a guerra”.

O que se seguiu faz hoje parte de uma das páginas mais negras da História contemporânea. Hitler esfacelou a Europa com sua máquina de guerra e de perseguição… favorecido pelos que lhe estendiam a mão e tentavam desarmá-lo com boa vontade.

Esperemos que o mesmo estado de espírito não conduza o mundo ocidental a desastres e tragédias semelhantes.

Não olhar de frente a realidade pode ser cômodo, pelo menos no primeiro instante. Mas costuma ser a véspera da catástrofe!

É bom ter presentes as palavras de Faisal Shahzad: Eu me considero um soldado muçulmano e isto é uma guerra.

5 COMENTÁRIOS

  1. Somente dar a eles o que eles querem nos dar. Ou seja olho por olho dente por dente osso por osso. Esse negocio de amar nossos inimigos é conversa fiada, já perdemos o OM e grande parte do mundo.

  2. No Corão está escrito sobre os incrédulos (não mulçumanos). Matai os Incrédulos perseguios espreitaios. Não tem com espiritualizar isto e eliminação física mesmo.

  3. Esse ” soldado mulçumano vai pegar, no mínimo, pena de prisão perpétua”(…) Afinal, como ele mesmo insiste em dizer… Trata-se de uma guerra religiosa deles sobre os cristãos e o ocidente laico, idem, diferente do modo de pensar e agir deles… Lamentável. Só rezando e haja diplomacia… muitas vezes criticada por alguns setores… dependendo do ponto de vista dos mesmos quanto aos reais objetivos dessas reuniões diplomáticas para tentar milagres que só Deus é capaz de fazer. É a batalha entre o BEM eo MAL conforme diz a Bíblia por causa do livre arbítrio… O julgamento de todos, só no final dos tempos por Deus Pai… Reflexão…

  4. Excelente artigo e oportuno alerta.
    Espero que um dia a realidade fure os olhos dos dirigentes ocidentais. Porque desde os tempos do Kissinger, do Nixon e de outros imbecis uteis até hoje a politica americana, contrariamente ao que diz o terrorista em questão, so facilitou a vinda de gente dessa laia para os Estados Unidos, deixando-os se formarem, se reunirem, montarem esquemas e colocarem bombas. E não vai ser uma bombinha no centro de Nova York que vai mover o guru Obama a mudar essa politica. Êle é o verdadeiro terrorista que quer a desestabilização do mundo ocidental em relação ao oriente muçulmano-radical. Basta lembrar que foram os Estados Unidos que derrubaram o Xà do Irã e colocaram o aiatolà Komeine. E hoje se lamentam que o Irã està prestes a produzir bombas atômicas…
    Quem criou Mateus, que o nine…
    Coitado do terroristinha aprendiz de feiticeiro que se diz “soldado muçulmano”, não entendeu nada.
    Se ao invés de colocar essa bomba que não explode, deixasse o Obama trabalhar tranquilo, êle faria muito mais pela destruição do Ocidente.
    Temos que ficar de olho no Obama, êste sim um verdadeiro terrorista.

  5. Se princípio de estender a mão ao inimigo fosse válido e transpormos para a medicina resulta que devemos permitir que a doença, inimigo de nosso corpo, tome conta dele. Um câncer não deveria ser extirpado pelo cirurgião porque seria uma medida extrema e pelo princípio da mão estendida seríamos condenados por agir de modo tão radical. É preciso respeitar o direito do câncer de existir e pronto.

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