No momento, você está visualizando Os calouros da Universidade de Michigan são emocionalmente frágeis demais para receber suas notas? A universidade acha que sim
Crédito: Editorial

Quem acredita que o sistema de ensino superior está em colapso ganhou uma nova evidência, cortesia do site do The Wall Street Journal: “Universidade de Michigan elimina notas do primeiro semestre para ‘conter crise de saúde mental’”. A universidade implementará o programa no outono de 2027.

Aprovado ou sem crédito

A ideia é que os calouros do primeiro semestre não recebam as notas tradicionais em suas disciplinas. Os professores continuarão a atribuir notas que determinarão a elegibilidade para bolsas de estudo e prêmios, mas os boletins e históricos escolares exibirão apenas “aprovado” ou “sem crédito”. Não está claro se os alunos algum dia terão acesso às notas efetivamente atribuídas. Alunos transferidos de outras instituições não terão direito ao tratamento especial.

A página inicial do site oficial da universidade praticamente não mencionava a mudança. O banner principal descrevia um projeto estudantil para construir um sistema de bombeamento de água movido a energia solar na Tanzânia. A única menção era um link para o artigo do WSJ na seção “na imprensa” da página — do lado direito, perto do rodapé.

O estresse dos calouros

No entanto, um pouco de diligência levou a uma página da Faculdade de Literatura, Ciências e Artes (LSA) da universidade, intitulada “Programa-piloto de ocultação das notas do primeiro semestre da LSA”. Ela apresentava uma explicação superficial sobre o objetivo da nova política. “Ajudar todos os alunos a ganhar impulso desde cedo foi reconhecido como o elemento mais importante da Iniciativa para o Sucesso Estudantil, que abrange todo o campus da U-M. Acreditamos que ocultar as notas ajudará os alunos a começar com firmeza e a conter a crise de saúde mental que se desenrola entre pessoas em idade universitária.” Segundo a universidade, a LSA é, “de longe”, a maior faculdade de seu campus principal em Ann Arbor.

Não há dúvida de que o primeiro dia na universidade é estressante. Para muitos alunos, é a primeira vez que vivem longe dos pais. O ambiente geral está a anos-luz daquele do ensino médio.

Até recentemente, essa diferença era considerada algo positivo. O primeiro ano da universidade deveria ser um rito de passagem, um sinal de que a infância ficara para trás e de que a vida adulta plena se desenhava em um horizonte cada vez mais próximo. “Ganhar impulso desde cedo” era importante, mas a maioria dos programas universitários de recepção aos calouros estabelecia que atingir esse objetivo era, antes de tudo, responsabilidade do aluno.

Defensores

As opiniões dos profissionais sobre a nova política estão divididas. A Michigan Public, uma emissora afiliada à NPR e pertencente à Universidade de Michigan, consultou Rosemary Perez, professora associada da Faculdade de Educação, que ressaltou os aspectos positivos da mudança. “Você ouve alguém dizer algo como: ‘Se eu não tirar A nesta disciplina, nunca conseguirei’ — e completa as lacunas com uma centena de coisas diferentes — ‘entrar nesta próxima disciplina, conseguir o estágio, ingressar na pós-graduação, obter o emprego que quero’. Eles já sentem que, se derem um único passo em falso, isso botará tudo a perder.”

O WSJ recorreu ao professor de História de Michigan Derek Peterson, que também viu mérito na ideia. “A ideia de que nossos jovens são, de alguma forma, mais superprotegidos simplesmente não é verdadeira. Se pudermos encontrar maneiras de abrir espaço para os alunos experimentarem e, ao mesmo tempo, proteger suas perspectivas futuras de emprego — o que significa proteger suas médias acadêmicas —, creio que seja uma boa ideia.”

Opiniões contrárias

Kenneth Lowande, ex-professor de Ciência Política em Michigan que recentemente passou a integrar o corpo docente da Universidade Rice, no Texas, discorda. Sua avaliação é simples: isso não faz muita diferença. A inflação das notas, um processo insidioso e de longo prazo no qual as notas universitárias aumentaram continuamente ao longo das últimas duas décadas, tornou a mudança “em grande medida irrelevante”.

Corroborando a avaliação do professor Lowande, o WSJ informou: “Na Universidade de Michigan, […] 74,1% de todas as notas da graduação em 2022 foram A+, A ou A-. Uma década antes, esse percentual era de 57,6%.”

Os jornalistas do The New York Times reuniram opiniões de pessoas que não integravam o corpo docente, e elas foram muito menos otimistas. Rick Hess é diretor de estudos de políticas educacionais do American Enterprise Institute, uma organização de centro-direita. Ele é direto em sua crítica. “Acontece que tratar universitários como bebês de colo, na verdade, não melhora sua saúde mental. Isso cria um sentimento de que tudo lhes é devido. Cria uma falta de tensão produtiva.” Ele argumenta que os alunos deveriam enfrentar maior rigor e expectativas mais elevadas para alcançar o sucesso em longo prazo.

Uma cultura terapêutica

O psicoterapeuta nova-iorquino Jonathan Alpert, autor de Nação da terapia: como os Estados Unidos ficaram viciados em terapia e por que isso nos deixou mais ansiosos e divididos, também adota uma perspectiva mais crítica. “[S]entir-se mal não é o mesmo que estar doente. Preocupa-me que terapeutas e instituições tenham apagado essa distinção. A universidade deveria ser um dos lugares onde os jovens aprendem que ser avaliado nem sempre é agradável. Essas experiências podem doer, mas aprender que você é capaz de suportá-las e seguir em frente o prepara para a vida adulta.”

Quando a civilização cristã deu origem à ideia da universidade durante o período medieval, sua principal tarefa era a mesma que permanece até hoje: preparar jovens inteligentes para usar seus dons intelectuais a fim de melhorar o mundo ao redor e, assim, dar glória a Deus. Esse trabalho exige pessoas maduras, capazes de discernir a verdade da falsidade. Formá-las deveria ser o objetivo maior da Universidade de Michigan e de todas as universidades do mundo. Programas como esse subvertem tal propósito. Frequentar a universidade deveria ser o último passo antes de entrar no mundo real, e não apenas mais uma extensão da infância.


Fonte: The American TFP — https://www.tfp.org/are-university-of-michigan-freshmen-too-emotionally-fragile-to-receive-their-grades-the-university-thinks-so

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