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Crédito: Editorial

“A missão do Museu Nacional de História Americana é capacitar as pessoas a criar um futuro justo e compassivo explorando, preservando e divulgando a complexidade do nosso passado.”

Declarações de missão como essa devem sintetizar os objetivos mais importantes de uma organização. Muitas horas são dedicadas ao processo; cada palavra e expressão é escolhida com extremo cuidado. Portanto, é justo perguntar o que o Museu Nacional de História Americana (NMAH) do Smithsonian quer dizer ao afirmar que pretende “criar um futuro justo e compassivo” por meio da “divulgação da complexidade do nosso passado”. Essas expressões podem parecer inofensivas, mas também podem refletir uma interpretação radical da história do país.

Salvando a história dos Estados Unidos

Essa é a principal crítica apresentada em Salvando a história dos Estados Unidos: como a captura ideológica no Museu de História Americana do Smithsonian apaga nossa herança, uma análise de 160 páginas sobre a Smithsonian Institution, elaborada pelo Conselho de Política Interna (Domestic Policy Council, DPC). O relatório argumenta que o museu “já não trata a história americana como uma herança nacional compartilhada, a ser ensinada ou celebrada, mas como um instrumento político para dividir, desanimar e desencorajar nossos cidadãos”.

O relatório apresenta dois argumentos principais. Primeiro, o NMAH “se recusa a contar a história fundamental dos Estados Unidos”, uma narrativa única que vai da exploração do sudoeste dos Estados Unidos por Francisco Vázquez de Coronado, entre 1540 e 1542, até os tempos modernos. Contar essa história é crucial. Ninguém consegue compreender os detalhes da história sem um conhecimento básico da trajetória de uma nação, do começo ao fim.

Segundo, “o NMAH apresenta incessantemente o ativismo político como substituto de seu propósito principal”. Em outras palavras, ele amplia artificialmente os aspectos da história dos Estados Unidos que levam os visitantes a adotar a ênfase esquerdista na opressão, na luta de classes, no poder e na raça como as principais forças motrizes da história.

Uma história de radicalismo

O NMAH integra a rede de museus do Smithsonian e ocupa um lugar especial entre os museus de história americana. Sua localização no National Mall, em Washington, D.C., confere-lhe destaque ao lado do Capitólio, da Casa Branca e dos muitos monumentos da cidade. Essa proeminência transmite a impressão de que ali se encontra uma apresentação oficial, feita pelo governo, do passado da nação.

Infelizmente, o NMAH reúne uma concepção extremamente radical e distópica da história, utilizando acontecimentos selecionados para retratar deliberadamente a nação em seus aspectos mais deploráveis.

A postura atual cresceu ao longo das décadas como uma planta doente. Ela veio à tona pela primeira vez em 1995, quando o NMAH preparou uma exposição em homenagem ao 50º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial. O foco era o lançamento de uma bomba atômica sobre Hiroshima. A mostra resultante horrorizou milhões de americanos, entre eles veteranos da Segunda Guerra Mundial. Em vez de enfatizar o enorme número de vidas americanas poupadas e a derrota do fascismo, grande parte dos painéis apresentava o acontecimento como o ato hediondo de um governo americano enlouquecido pelo poder. Diante da avalanche de críticas, o museu recuou e tornou a exposição muito mais neutra.

Lições não aprendidas

Uma das muitas pessoas que não aprenderam as lições daquele fiasco foi Anthea Hartig, que dirige o NMAH e seus 257 funcionários desde 2019. Sob sua liderança, o museu redobrou os esforços para apresentar visões radicais do passado da nação.

Uma excelente ilustração das inclinações da dra. Hartig é um filme de 2020 que ela produziu em parceria com o History Channel. “Minhas coisas favoritas” foi exibido durante uma palestra que ela proferiu como parte da “Série de Palestras Ilustres do Chanceler”, da Universidade da Califórnia em Riverside. Trata-se de seu passeio pessoal pela coleção do NMAH. Ela destacou quinze itens. Na ordem em que apareceram, eram:

  • Um violoncelo Stradivarius de 1701.
  • Uma bengala que pertenceu ao ditador revolucionário haitiano Toussaint L’Ouverture.
  • Um relógio fabricado para permitir a leitura das horas no escuro, que pertenceu a Helen Keller, a qual se tornou socialista no fim da vida.
  • Uma prancha de surfe da década de 1920, projetada pelo havaiano nativo Duke Kahanamoku.
  • Uma bola e uma luva de beisebol usadas no campo de internamento de japoneses de Gila River durante a Segunda Guerra Mundial.
  • Uma bandeira dos Estados Unidos com 48 estrelas, carregada pelo tenente Howard van der Beek durante o desembarque do Dia D.
  • Um álbum de recortes montado pelo jogador das ligas menores de beisebol Leopoldo Martinez durante a década de 1940.
  • Os sapatos usados por Althea Thomas para tocar órgão na Igreja Batista da Avenida Dexter, de Martin Luther King, durante o boicote aos ônibus de Montgomery, em 1955 e 1956.
  • O vestido usado pela tenista feminista e homossexual Billie Jean King quando derrotou Bobbie Riggs, em 1973.
  • Um pergaminho de declaração redigido pela romancista Maya Angelou para a Conferência Nacional das Mulheres.
  • Uma capa caseira do Super-Homem usada por Matthew Shepard quando criança. O sr. Shepard foi espancado até a morte em 1998, supostamente por ser homossexual.
  • Uma representação da Estátua da Liberdade feita de papel machê, carregada por uma multidão composta principalmente de trabalhadores rurais mexicanos, haitianos e guatemaltecos durante uma marcha de protesto de 377 quilômetros (234 milhas).
  • Um ferrótipo moderno de um “ancião tribal”.
  • O figurino usado pela atriz Elizabeth Moss em The Handmaid’s Tale.
  • Asas de borboleta caseiras usadas por uma ativista favorável à imigração durante uma marcha de protesto em 2018.

Relíquias interseccionalistas

Um fio condutor une a maioria desses itens. Todos, com exceção do violoncelo e da bandeira, relacionam-se a algum aspecto da narrativa interseccional e da luta de classes, tão cara aos esquerdistas.

A verdadeira importância da lista da dra. Hartig está nos itens que ela omite. Não há nenhuma representação da religião, salvo a referência ao dr. King. Nada remete a qualquer ação positiva relevante de um presidente ou do Congresso. Nenhum item indica uma melhoria tecnológica, material ou médica na vida das pessoas. Além da bandeira, não há objetos que relembrem uma guerra, a vida daqueles que defenderam o país ou qualquer coisa capaz de inspirar gratidão por fazer parte dessa grande nação. Treze dos quinze itens estão relacionados a alguma forma de tribalismo interseccional e à desonra a ele associada.

A lista de “coisas favoritas” da dra. Hartig ilustra as críticas encontradas em Salvando a história dos Estados Unidos. É justo reconhecer que um vídeo de vinte minutos não pode apresentar adequadamente o conteúdo de todo o museu. No entanto, parece perfeitamente razoável utilizá-lo como um microcosmo de sua lista de prioridades.

A reação do NMAH foi defender suas escolhas. Julissa Marenco, diretora de marketing do Smithsonian, disse a um complacente The New York Times: “Há mais de 180 anos, o Smithsonian serve ao público americano com uma produção acadêmica apartidária e independente, e continuamos comprometidos com esse trabalho”.

Impreciso, não objetivo e desequilibrado

No entanto, a National Review resume corretamente o tom e o argumento central do relatório. “Com “Salvando a história dos Estados Unidos,” aprendemos como o ativismo ideologicamente partidário produz metástases sob um verniz de bipartidarismo. Vemos como elites sofisticadas e condescendentes revelam seletivamente e disfarçam suas verdadeiras intenções. E descobrimos quão radicalmente insanas são, de fato, essas elites instruídas. Essa é uma luta cuja importância vai muito além do caso em questão. A batalha em torno do Smithsonian é um protótipo do confronto cultural mais amplo que a sociedade americana enfrenta — e continuará enfrentando por tempo indefinido.”

Todo professor de história comprometido com o ensino da verdade reconhecerá que nunca há tempo suficiente para contar toda a história. Qualquer museu, mesmo o maior deles, enfrenta limitações semelhantes. As escolhas são inevitáveis. No entanto, o espírito por trás dessas escolhas é crucial. Os principais critérios norteadores devem ser a exatidão, a objetividade e o equilíbrio. O NMAH da dra. Hartig viola todos eles.

Notas de rodapé

  1. Interseccionalidade é uma estrutura analítica que explica como as identidades sociais sobrepostas de uma pessoa — como raça, gênero, classe, sexualidade e capacidade — combinam-se para criar formas específicas de discriminação ou privilégio. A luta de classes sustenta que a história é um conflito constante entre oprimidos e opressores.
  2. Metástases é a disseminação de células cancerígenas de um tumor primário para outras partes e órgãos do corpo através da corrente sanguínea ou do sistema linfático


Fonte: The American TFP — https://www.tfp.org/the-smithsonians-american-history-museum-substitutes-radical-theories-for-historical-facts

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