No século XVI uma revolução havia dividido o Japão em sessenta e seis principados ou reinos independentes. Essa descentralização era um momento propício para a implantação do cristianismo. A Providência suscitou então São Francisco Xavier que, em menos de onze anos de apostolado no Oriente, batizou perto de dois milhões de pagãos, ganhando para a Igreja o que ela perdera no norte da Europa com o protestantismo.

Entre os neo-convertidos para a verdadeira fé no Japão, havia reis, bonzos (sacerdotes pagãos), generais e primeiros senhores da corte, e gente de todas as camadas sociais.

Sucederam a São Francisco Xavier outros sacerdotes da Companhia de Jesus que, com o mesmo zelo, seguiram os passos do Santo Apóstolo. Durante quarenta anos o cristianismo floresceu na terra do sol nascente.

Em 1582, um homem de origem obscura conseguiu impor-se como Imperador sob o nome de Taicosama, reduzindo os outros reis a meros governadores, que mudava a seu bel prazer.

Num início Taicosama favoreceu o cristianismo. Mas aos poucos foi sendo trabalhado pelos inimigos da religião, que alegavam que os católicos acabariam por governar em seu lugar, sendo o Japão entregue aos espanhóis. Os jesuítas receberam então ordem de expulsão do país num prazo de seis meses.

Entretanto, enquanto não começava a perseguição, os missionários puderam ainda continuar, com cautela e privadamente, seu apostolado.

Assim foi até que, em 1587, quando mais de duzentos mil japoneses haviam abraçado a fé, foi promulgado novo edito imperial de proscrição da religião

Esse apostolado clandestino surtiu efeito pois, de 1587 a 1597, quando a perseguição se tornou sangrenta, houve mais de cem mil conversões apesar da proibição.

Essa era a situação quando, em 1593, sete franciscanos, vindos das Filipinas por ordem do rei da Espanha, Felipe II, estabeleceram-se no Japão, fundando dois mosteiros.

Isso enfureceu o Imperador, que foi então implacável. Condenou à morte os franciscanos e os de sua casa, num total de vinte e uma pessoas, três das quais ainda eram quase crianças. Condenou também à pena capital os jesuítas que estivessem no Japão.

O mais conhecido deles é São Paulo Miki, oriundo de família nobre, e educado pelos jesuítas desde os onze anos de idade. Aos vinte e dois entrou para o seminário da Companhia “por causa da devoção desta à Santíssima Virgem e do zelo apostólico que nela admirava”. Por sua ciência, modéstia e eloqüência, foi destinado à pregação mesmo antes de ordenar-se, obtendo grandes frutos.

Durante a longa viagem a caminho do martírio, Paulo Miki não cessava de exortar seus companheiros à constância, e seus guardas pagãos a abraçarem o cristianismo.

Os seis franciscanos martirizados foram: os Pes. Pedro Batista, Martinho de Aguirre e Francisco Blanco, e os irmãos leigos Francisco de São Miguel, Gonçalo Garcia e Felipe de Jesus. Os 17 leigos incluídos na condenação, ou ajudavam na catequese, ou nos ofícios divinos. Quase todos eram Terceiros Franciscanos. Desses, três eram, como dissemos, ainda quase crianças. Todos foram amarrados e cruzes, e depois trespassados com uma lança.

Esses lídimos heróis da fé foram canonizados no dia 8 de junho de 1862, dia de Pentecostes, pelo imortal papa Pio IX.

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