No ano de 1456 o sultão otomano Maomé II, “o Conquistador”, cercou a cidade fortificada de Nándorfehérvár, atual Belgrado, na confluência dos rios Danúbio e Seva. Este sultão, tendo se apoderado de Constantinopla nesse mesmo ano, havia jurado hastear o estandarte otomano no Capitólio de Roma, ameaçando assim toda a Cristandade. Era, pois, necessária uma reação imediata e eficaz.

O papa Nicolau V convocou então uma Cruzada, chefiada por João Corvino (János Hunyadi, 1407-1456), apelidado “o Cavaleiro Branco”, capitão mor e regente do Reino da Hungria. Nomeou também o franciscano Frei João de Capistrano como pregador e chefe religioso dessa cruzada. Por  exortações cheias de fogo, São João convocou os católicos a se unirem para lutar valentemente contra os turcos que ameaçavam o nome cristão.

Nesse ínterim, subindo ao trono pontifício após a morte de Nicolau V, Calixto III fez voto de empregar todas suas forças e até a última gota de seu sangue nessa guerra.

O cerco de Belgrado em 1456 se transformou em uma grande batalha, durante a qual João Corvino, também chamado Hunyadi, conduziu um contra-ataque repentino contra o acampamento otomano, obrigando o Sultão Maomé, ferido, a levantar o cerco e a recuar. Essa batalha teve consequências significativas, uma vez que estabilizou as fronteiras do sul do Reino da Hungria por mais de meio século e, assim atrasou consideravelmente a expansão do Império Otomano.

A jubilosa notícia dessa vitória chegou a Roma no dia 6 de agosto, pelo que o Papa, para comemorá-la condignamente, estendeu a festa da Transfiguração de Nosso Senhor, que era já celebrada na Cidade Eterna, a toda a Igreja universal.

Essa festa era já comemorada duas vezes no ano litúrgico para afirmar a divindade do Salvador: no sábado das Têmporas da primavera, e no segundo domingo da Quaresma.

A Transfiguração de Cristo Jesus foi relatada pelos três evangelistas, São Mateus, São Marcos e São Lucas.

O primeiro narra que Jesus tomou um dia seus três discípulos escolhidos, Pedro, Tiago e João, e subiu com eles a um monte, provavelmente o Tabor: “E transfigurou-se diante deles. Seu rosto brilhou como o sol, e suas vestes tornaram-se brancas como a luz. E apareceram-lhes Moisés e Elias, falando com Ele”. Empolgado, São Pedro então disse ao Redentor: “Senhor, como estamos bem aqui! Se quiseres, farei aqui três tendas, uma para ti, uma para Moisés, e outra para Elias”. Nesse momento uma nuvem resplandecente os cobriu, e ouviu-se uma voz que dizia: “Este é meu Filho amado, em quem tenho minha complacência. Ouviu-o”. Os Apóstolos “caíram sobre o rosto, assaltados de grande temor”. Nosso Senhor então, aproximando-se deles, disse: “Levantai-vos. Não temais”. E não viram mais ninguém a não ser o Filho de Deus (Mt 17, 1-7).

A devoção ao Santíssimo Redentor, ou ao “Senhor Bom Jesus”, foi muito popular no Brasil colônia, e ainda há muitos santuários a Ele dedicados em várias partes do Brasil, que se tornaram locais de peregrinações.

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