O calvinismo protestante no século XVI e o jansenismo no XVII pregaram um cristianismo desfigurado. Em vez do amor universal de Deus, que entrega seu Filho unigênito para salvação dos homens, semearam o temor e a angústia, resultantes do pensamento de uma exclusão inexorável, a ser aplicada a uma grande parte da humanidade. A essas afirmações a Igreja sempre contrapôs o amor infinito do Salvador que morre na cruz pelos homens. Assim, a instituição da festa do Sagrado Coração de Jesus contribuiu para criar rapidamente entre os fiéis uma poderosa corrente de devoção que se tem desenvolvido enormemente desde então.

O culto ao Sagrado Coração remonta substancialmente aos Santos Padres, de modo especial a São Bernardo, delineando-se por obra de Santa Matilde, Santa Gertrudes e São Boaventura. Em seguida, por obra dos Jesuítas, do Beato Suso, de São Bernardino de Siena e, sobretudo, de São João Eudes (1601-1680), que obteve do bispo de Rennes a celebração da festa. Esse santo foi o primeiro a compor um ofício e missa em honra do Sagrado Coração de Jesus. Mas foi só depois da aparição de Nosso Senhor a Santa Margarida Maria Alacoque, em 1675, que a festa foi instituída. Aprovada para algumas dioceses por Clemente XIII em 1765, o beato Pio IX a estendeu em 1856 a toda a Igreja. No começo do século XX, o Papa Leão XIII consagrou todo o gênero humano ao Sacratíssimo Coração de Jesus. Pio XI elevou-a em 1928 à categoria de festa de 1ª. classe, com oitava e missa própria.

Aparecendo a Santa Margarida no dia 27 de dezembro de 1673, disse-lhe Nosso Senhor: “O meu divino Coração está tão abrasado de amor para com os homens, e em particular para contigo, que, não podendo já conter em si as chamas de sua ardente caridade, precisa derramá-las por teu meio, e manifestar-se a eles para enriquecê-los de seus preciosos tesouros, que eu te mostro, os quais contêm a graça santificante e as graças salutares indispensáveis para apartá-los do abismo da perdição; e escolhi a ti, como abismo de indignidade e ignorância, para a realização deste grande desígnio, para que tudo seja feito por Mim”.

E, na aparição de junho de 1675, comunicou-lhe a chamada Grande Promessa: “Eis o Coração que tanto amou os homens, que a nada se poupou até se esgotar e consumir para lhes testemunhar o seu amor. E, em reconhecimento, não recebo da maior parte deles senão ingratidões pelos desprezos, irreverências, sacrilégios e friezas que têm para comigo neste Sacramento de amor. Mas o que é ainda mais doloroso, é que os que assim me tratam são corações que Me são consagrados. Por isso te peço que a primeira Sexta-feira depois da oitava do Santíssimo Sacramento seja dedicada a uma festa particular para honrar o meu Coração, reparando a sua honra por meio de um ato público de desagravo, e comungando nesse dia para reparar as injúrias que recebeu durante o tempo que esteve exposto nos altares. E Eu te prometo que o meu Coração se dilatará para derramar com abundância o influxo do seu divino amor sobre aqueles que Lhe renderem esta homenagem”.

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