A liturgia dos três últimos dias da Semana Santa assume um caráter emocionante. Por meio dos ofícios litúrgicos que são os mais belos do ano, a Igreja recorda os feitos que assinalaram os últimos dias do Salvador, e convida-nos a celebrar com ela o augusto mistério de nossa Redenção.

Este dia é consagrado à instituição da Eucaristia e do sacerdócio. Neste dia também o bispo procede à benção dos santos óleos, pelo que mais evidente se torna que os Sacramentos têm a sua própria origem em Cristo, representado pelo bispo, e que sua fecundidade é toda haurida no mistério pascal. Tem lugar também a comovente cerimônia do lava-pés, rememorando o gesto de caridade com que Jesus assinalou o “mandamento novo” do amor fraterno.

 

Santa Cassilda de Toledo, Virgem

 As relíquias dessa virgem são muito veneradas em Burgos desde 1750, no seu santuário que domina o vale, numa urna obra de Diego de Siloé, na qual aparece recostada. Esse santuário da “virgem moura que veio de Toledo”, tem sido assim centro de peregrinação durante séculos, e não deixa de ser frequentado ainda hoje.

Entretanto, tudo em torno de Santa Cassilda é incerto, quando não confuso e contraditório. Entretanto, sua figura tem o encanto da simplicidade, e o sabor do heroico no amor que cativou o povo cristão medieval, e o animou à fidelidade. Seu próprio nome, “Cassilda”, em árabe significa “cantar”, é como um verso em tom de canção.

Segundo a legenda, esta santa era filha do rei mouro de Toledo, Almancrin, o príncipe mais poderoso de todos os que repartiram entre si os restos do califato de Córdoba. Ele dominou Toledo e todo o planalto, até Guadarrama pelo norte, e pelo sul até a Serra Morena.

Embora vivendo no meio de toda a riqueza da corte moura, a princesa era dotada de abundante clemência e ternura, e não suportava a aflição dos desafortunados cristãos que estavam nas masmorras, principalmente os mais pobres. Ela procurava consolá-los, levando-lhes alimentos escondidos em sua saia. Um dia o pai a surpreendeu, e ocorreu o mesmo que com as Santas Isabel da Hungria e a de Portugal: os alimentos se transformam em rosas.

É provável que os próprios prisioneiros lhe falassem da religião cristã, e a instruíssem nela. Convencida da veracidade do cristianismo, Cassilda quis receber o batismo. Mas como, entre os islamitas que a rodeavam?

Ocorreu então que a princesa foi atacada de grave doença, com fluxos de sangue que os médicos da Corte não conseguiam estancar. Ela teve então a revelação de que encontraria o remédio para sua cura nas águas milagrosas de São Vicente, cerca de Burgos, na cristã Castela. O pai concordou com a viagem, deu-lhe acompanhamento régio e cartas de recomendação a Dom Fernando I, rei de Castela.

Depois de banhar-se nas águas do poço, Cassilda recebeu o batismo em Burgos. Decidiu então a passar o resto de seus dias na solidão, dedicada à oração e à penitência.

Cassilda morreu em idade avançada, sendo sepultada na mesma ermida que mandou construir, que logo se converteu em lugar de peregrinação, e onde começou-se a sentir o efeito de sua proteção

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