No momento, você está visualizando 11/10 – São Gummaro, confessor: caridade, justiça e paciência cristã
Crédito: Editorial

Ao regressar da guerra, São Gummaro encontrou seus servidores oprimidos e parte dos moradores de suas terras privada injustamente de seus bens. Sua esposa, a quem ele confiara a administração da casa e das propriedades, havia despedido alguns sem motivo suficiente, imposto trabalhos excessivos a outros e expulsado famílias de suas moradias. Houve até trabalhadores obrigados a puxar arados, carros e carroças no lugar dos animais.

Gummaro não se limitou a censurar tais abusos. Repreendeu com firmeza a esposa, restituiu o que havia sido retirado e procurou reparar os danos causados. Esse episódio resume um dos aspectos centrais de sua vida: a caridade não permanecia, para ele, no domínio dos bons sentimentos, mas exigia justiça concreta para com aqueles que dependiam de sua autoridade.

Pureza conservada em meio à corte

Nascido nas proximidades de Lierre, na região de Antuérpia, Gummaro pertencia à nobreza de Brabante e viveu no século VIII. Seus pais o enviaram ainda jovem à corte do rei Pepino, embora ele não se sentisse inclinado à vida cortesã.

Em meio aos perigos daquele ambiente, conservou a fé, a inocência e a pureza. Era afável no trato, mas muito vigilante quanto às próprias palavras: não empregava expressões frívolas ou impuras, nem aceitava tranquilamente que fossem pronunciadas em sua presença. Sua conduta agradou ao rei, que lhe deu por esposa uma mulher de elevada condição social.

O casamento, contudo, tornou-se para Gummaro uma fonte contínua de provações. Sua esposa não partilhava de suas virtudes e tratava com dureza os que estavam sob sua autoridade. O santo respondeu a essa situação sem aprovar o mal e sem abandonar a paciência: corrigia os abusos, socorria os prejudicados e procurava conduzi-la a uma vida cristã por meio do exemplo, das exortações e da oração.

Compaixão pelos trabalhadores

Em certa ocasião, durante a colheita, a esposa de Gummaro impediu que os trabalhadores interrompessem o serviço para buscar água, apesar do calor e da sede. Ao chegar ao campo e tomar conhecimento do que acontecia, ele a repreendeu e acudiu os homens exaustos.

O relato hagiográfico conta que Gummaro tocou o solo com seu bastão e fez brotar uma fonte de água límpida e fresca, na qual os trabalhadores puderam se reanimar. Essa fonte permaneceu associada à memória de sua solicitude para com aqueles que trabalhavam em suas terras.

A esposa, depois de se esforçar excessivamente para apressar o trabalho, adoeceu e passou a sofrer uma sede que a água não conseguia aliviar. Reconhecendo a crueldade com que tratara os trabalhadores, pediu a intercessão do marido. Gummaro fez uma breve oração e traçou sobre ela o sinal da Cruz; segundo a narrativa de sua vida, ela foi então libertada do sofrimento.

Outros milagres também lhe foram atribuídos em benefício dos que padeciam necessidades materiais ou espirituais. Em todos esses episódios, sobressai a mesma disposição: a autoridade sobre bens e pessoas era entendida como uma obrigação de cuidado, e não como permissão para o arbítrio.

O recolhimento e a perseverança

A oração e as conversas sobre as coisas de Deus constituíam sua maior consolação. Gummaro visitava com frequência Rumoldo, homem conhecido por sua santidade, a fim de renovar o próprio fervor e progredir no serviço divino.

Em alguns períodos, afastava-se dos assuntos temporais durante vários dias e recolhia-se em uma pequena ilha para rezar e meditar. Ali edificou uma igreja, seguindo, conforme a tradição hagiográfica, a orientação de um anjo. Esses retiros não significavam desprezo por seus deveres: ao longo da vida, procurou cumprir cuidadosamente as obrigações próprias de sua condição, socorrer o próximo e ordenar seus bens segundo a justiça.

Depois de muitos anos dedicados à piedade e às obras de misericórdia, foi acometido por grave enfermidade. Recebeu-a com espírito de fé e suportou seus sofrimentos com paciência. Após receber os santos sacramentos, morreu entregando a alma a Deus, a quem havia procurado servir fielmente.

Seu corpo foi sepultado inicialmente no lugar de seu nascimento. Mais tarde, suas relíquias foram trasladadas para a igreja construída na ilha. A tradição registra que esse traslado foi acompanhado por diversos milagres.

O testemunho das palavras

Entre as virtudes atribuídas a São Gummaro, destaca-se também o cuidado com a linguagem. Ele compreendia que as palavras revelam e, ao mesmo tempo, influenciam as disposições interiores. Por isso, não considerava inofensivas as conversas obscenas, nem demonstrava aprovação por meio do riso ou de uma presença complacente.

Esse aspecto de sua vida recorda o ensinamento de Nosso Senhor de que a boca fala da abundância do coração. A pureza cristã não se restringe aos atos exteriores, mas alcança a imaginação, as conversas e o modo pelo qual uma pessoa reage ao mal praticado em sua presença.

Na vida de São Gummaro, essa vigilância não aparece como rigidez isolada. Ela se une à justiça para com os trabalhadores, à misericórdia para com os necessitados, à firmeza diante dos abusos e à paciência nas provações familiares. Sua caridade não excluía a correção; sua paciência não significava tolerância com a injustiça; e seu recolhimento não o dispensava de reparar concretamente o mal feito sob sua responsabilidade.

Deixe um comentário