Depois de Santo Inácio de Loyola,  fundador da Companhia de Jesus, São Pignatelli é indiscutivelmente o mais importante jesuíta em sua história subsequente, ligando a sociedade fundada em 1540, com  a nova, fundada 40 anos depois de ter sido suprimida pelo papa Clemente XIV em 1773. Por isso ele pode, com razão, ser considerado o salvador e restaurador da Companhia de Jesus.

José Pignatelli nasceu em 1737 em Saragoça, do ramo espanhol de nobilíssima família do reino de Nápoles. Perdendo a mãe aos cinco anos, foi educado pela irmã Maria Francisca, condessa dell’Acerra, naquele reino. Aos quinze anos voltou para a Espanha e entrou na Companhia de Jesus. Ordenado sacerdote, dedicou-se ao ensino das letras e, com grande fruto, ao ministério apostólico.

Ao mesmo tempo, visitava as prisões, tomando especial cuidado com os condenados à morte, o que lhe valeu o apelido popular de “pai dos enforcados”. Homem de conselho, apesar de apenas trinta anos, era amplamente consultado, e seu zelo foi também usado na defesa da Companhia, objeto de uma guerra ignominiosa.

Iniciou-se então uma grande perseguição à Companhia na Espanha, sendo ele com outros jesuítas expulsos para a Córsega. Mas, alastrando-se a perseguição pela Europa, ele teve que peregrinar por vários lugares, até fixar-se em Ferrara, onde fez a profissão solene dos quatro votos dos jesuítas, isto é, os de obediência, pobreza e castidade, e o pôr-se a serviço do Soberano Pontífice.

Ocorreu então que, por múltiplas razões políticas, os monarcas europeus, no final do século XVIII, pressionaram o papa para suprimir a Companhia de Jesus. Essa supressão afetou Portugal, a França, as Duas Sicílias, Parma, e o Império Espanhol em 1767. Em 1773, mesmo ano em que foi estabelecido na França o Grande Oriente maçônico, o papa Clemente XIV dissolveu inteiramente a Ordem. Frederico II, da Prússia, obteve do Papa permissão para os jesuítas continuarem a gerir suas escolas no país, enquanto que na Rússia o Pontífice permitiu a continuação ininterrupta da Ordem. Por causa disso, a Companhia de Jesus sobreviveu naqueles países durante sua supressão.

São José de Pignatelli queria ir para a Rússia, único lugar em que ela ainda existia mas, enquanto esperava, sucedeu que, com licença de Pio VI, foi ereta uma casa para noviços jesuítas no ducado de Parma, e o santo tornou-se seu reitor.

É preciso dizer que, nesse período da supressão da Companhia, alguns dos seus antigos membros de grande virtude, como José de Pignatelli, na Itália, e Pedro José de Clorivière, na França, se tornaram elos preciosos de união entre as duas fases da Ordem, reagrupando a seu redor os irmãos remanescentes, e guiando-os, através das dificuldades dos tempos, como a Revolução Francesa e o advento de Napoleão.

No ano de 1801, o rei da Sardenha e duque da Savoia, Carlos Emanuel IV, obteve o direito dos jesuítas de residirem em seu reino. Ele próprio, tendo ficado viúvo, entrou no noviciado da Companhia em fevereiro de 1815.

Com a morte do duque de Parma em 1802, o ducado foi absorvido pela França. No entanto, os jesuítas permaneceram imperturbados por dezoito meses, período durante o qual Pignatelli foi nomeado pelo papa Pio VII, em 1800, Superior Provincial dos Jesuítas na Itália.

Em 1804 Pio VII restaurou a Companhia de Jesus no reino de Nápoles, tendo Pignatelli como Provincial. Depois de considerável discussão, José de Pignatelli obteve permissão para os jesuítas servirem no Reino de Nápoles. O breve papal isso autorizando em 30 de julho de 1804,  foi muito mais favorável do que o concedido a Parma.

Os jesuítas sobreviventes pediram então para ser recebidos de volta entre os jesuítas de Nápoles, mas muitos estavam ocupados em vários cargos eclesiásticos, onde foram obrigados a ficar. Foram abertas escolas e um colégio na Sicília. Mas quando essa parte do reino caiu em poder de Napoleão, foi ordenada a dispersão dos jesuítas, embora o decreto não fosse rigorosamente aplicado.

Durante o exílio do papa Pio VII e da ocupação francesa dos Estados Papais, a Sociedade continuou intocada, em grande parte devido à prudência de Pignatelli. Ele até conseguiu evitar qualquer juramento de lealdade a Napoleão, e também garantiu a restauração da Sociedade na Sardenha em 1807.

Em 1806 o santo se havia transferido para Roma, e lá vai preparando, sem ruído, o renascimento da Companhia, o que se deu em 1814 com o mesmo Pio VII.

Mas o santo tinha já morrido no dia 15 de novembro de 1811, com 74 anos de idade, sob a ocupação francesa, devido à hemorragia resultante de sua tuberculose, que havia começado no mês anterior. Seus restos mortais descansam hoje em um relicário sob o altar da Capela da Paixão na Igreja do Gesù em Roma.

São José de Pignatelli foi homem insigne pelo talento e cultura, tanto sagrada como profana. Mostrou especiais dons de prudência e conselho. Cultivando todas as virtudes religiosas, assinalou-se particularmente pela fortaleza, paciência na adversidade, enorme confiança em Deus, e tal liberalidade para com os pobres, que não faltava quem julgasse que o dinheiro se multiplicava em suas mãos. Foi amoroso devoto do Sagrado Coração de Jesus, e filho devotíssimo da Mãe de Deus.

O Papa Pio XI, que o beatificou, disse que São José de Pignatelli era “o principal anel da cadeia entre a Companhia que existira, e a Companhia que ia existir … o restaurador dos Jesuítas”.

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