Este santo era filho de Welflin, habitante de Pomuk (ou Nepomuk), e estudou teologia e jurisprudência na Universidade de Praga. Em 1373 ele recebeu a ordenação sacerdotal, e tornou-se notário público na chancelaria da arquidiocese, e depois tornou-se secretário do Arcebispo. Era também cônego da catedral de São Vito, entretanto sem receber nenhum benefício por isso. Mais tarde o Arcebispo o nomeou presidente da corte eclesiástica e, em 1393, seu Vigário Geral.

Este Santo tem especial importância na história do sigilo ou segredo no Sacramento da Penitência ou Confissão. Quando foi ordenado sacerdote, sobressaiu imediatamente pela santidade da vida e a energia da palavra. Por isso foi nomeado pregador da corte de Venceslau IV em Praga. A história de seu ministério sacerdotal resume-a o epitáfio que foi gravado em seu túmulo:

Aqui jaz o venerabilíssimo João Nepomuceno, doutor, cônego desta igreja, e confessor da rainha, ilustre pelos seus milagres, o qual, por ter guardado o sigilo sacramental, foi cruelmente atormentado e lançado de cima da ponte de Praga ao rio Moldava, por ordem de Venceslau IV, no ano 1383”.

Mais ou menos com as mesmas palavras, diz o Martirológio Romano neste dia: “Em Praga, na Boêmia, São João Nepomuceno, cônego da Igreja Metropolitana, que foi tentado inutilmente a violar o sigilo da Confissão Sacramental. Por isso, precipitaram-no no rio Moldávia, e fizeram-no merecer a palma do martírio”.

O que ocorreu foi o seguinte. A rainha e imperatriz, filha de Alberto da Baviera e mulher de Venceslau, tomou o santo como confessor. Ela era um modelo das virtudes cristãs, especialmente de modéstia, silêncio e fidelidade conjugal. Pelo contrário, Venceslau, que a história apresenta com os qualificativos de preguiçoso e beberrão, esquecendo os altos exemplos do pai, o imperador Carlos IV, tornou-se cético e materialista.

Assim sendo, não é difícil de se ver que duvidava de todo mundo, até da virtude de sua esposa. Veio-lhe então uma idéia diabólica: obrigar o confessor a descobrir-lhe as faltas de que ela se acusava na confissão. Por mais que ele pressionasse o Pe. João Nepomuceno, sempre encontrava uma barreira intransponível a seus propósitos.

O rei, incapaz de obter por bem o que queria, recorreu então a um plano cruel: mandou prender o santo e torturá-lo até que cedesse e confessasse. Os ossos do valoroso sacerdote foram desconjuntados, os membros dilacerados. Entretanto a rainha interveio, e conseguiu do marido a libertação de seu confessor, para curar-lhe as feridas.

São João pôde então dizer na catedral de Praga: “O meu fim aproximar-se-á. Morrerei. Sobre a Boêmia descarregar-se-á a tormenta, e ai de quem venha a cair nas mãos dos falsos profetas!”. Estaria ele prevendo a queda do país nas mãos dos comunistas, séculos depois?

Venceslau não esperou mais. Mandou que o santo fosse lançado, durante a noite, no rio Moldava, onde ele morreu afogado.

São João Nepomuceno, juntamente com São Venceslau e Santo Adalberto, é o padroeiro celeste da Arquidiocese de Praga.

Gostaria de receber as atualizações em seu email?

Basta digitar o seu endereço de email abaixo e clicar em “Assinar”.