Este Arcebispo de Toledo defendeu a Imaculada Conceição da Virgem Maria doze séculos antes da proclamação desse dogma.

O Pe. Ribadeneira, discípulo e biógrafo de Santo Inácio, chama Santo Ildefonso, cuja festa comemoramos hoje, “luz da Espanha, espelho de santos prelados, glória da Igreja, ornamento de sua pátria e devotíssimo capelão da Virgem Nossa Senhora”. Ao que acrescenta o célebre abade de Solesmes, Dom Próspero Guéranger: “Em meio a esse coro de ilustres Pontífices que honraram o episcopado espanhol nos séculos VII e VIII, aparece em primeiro lugar Ildefonso, o Doutor da Virgindade de Maria, como Atanásio o foi da Divindade do Verbo, Basílio da Divindade do Espírito Santo, e Agostinho da Graça”.

Para a biografia do Santo, além dos dados contidos em suas obras, dispomos principalmente do Beati Ildephonsi Elogiu, de São Julião de Toledo, seu contemporâneo e segundo sucessor na sé toledana, e em suas biografias um pouco posteriores.

Santo Ildefonso nasceu em Toledo no ano 606, durante o reinado do visigodo Witterico (que reinou de 603 a 610) na Espanha. Era de familia nobre, sobrinho de Santo Eugênio III, bispo de Toledo, com quem começou sua brilhante educação literaria. Foi depois discípulo de Santo Isidoro, arcebispo de Sevilha.

Ildefonso progrediu tanto no estudo da filosofia e humanidades nessa escola que, chegando a muito o amor que seu mestre (Santo Isidoro) lhe professava, quando Ildefonso quis voltar a Toledo, aquele o impediu por algum tempo, chegando mesmo a encerrá-lo para obrigá-lo a desistir. É curioso esse fato entre dois Santos.

Entretanto Ildefonso entrou para o mosteiro de Agali, asilo de paz entre as alamedas do Tejo, templo de virtude, que já havia dado três pastores para a capital do reino.

Foi então ordenado diácono por Santo Eládio, bispo de Toledo. Quando faleceu o abade de seu convento, foi eleito para seu lugar. Nessa qualidade participou dos Concílios da então capital, dos anos 653 e 655, responsáveis pela unificação da liturgia espanhola.

Em 657 Ildefonso foi escolhido pelo rei Recesvinto (reinou de 653 a 672), mais o clero e o povo, como era costume na época, para suceder a Santo Eugênio na sé de Toledo. Foi preciso que o rei empregasse toda sua autoridade para que o Santo aceitasse o ônus episcopal.

Bispo segundo o Coração de Maria, a Ela dedicou sua inteligência e sua alma. Diz-se que, nos momentos vagos de sua sábia administração da arquidiocese a ele confiada, o Santo passava horas e horas diante da imagem da Virgem, desfiando as Ave-Marias, pelo que muitos o chamam um precursor da devoção ao Rosário.

Sobre a obra magistral do Santo “De virginitate perpetua sanctae Mariae adversus tres infideles” (Sobre a perpétua virgindade de Santa Maria contra três infiéis), em defesa da virgindade de Maria Santíssima, escreve Frei Justo Perez de Urbel, comentando palavras do Santo: “O amor não mede as palavras; por isso o livro de Ildefonso está cheio de fogo, de ira, de indignação, de golpes furiosos e cintilar de espadas. (…) Seu livro da Virgindade de Maria, [é] um hino triunfal à Virgem, no qual, indignado na veemência de sua lealdade amorosa, clama contra um caluniador de sua Dama e sua Rainha”.

Conforme narram todos os biógrafos do Santo, a Mãe de Deus quis diretamente agradecer-lhe seu livro sobre sua virgindade santa, e lhe apareceu, sentada no trono do bispo, rodeada por uma companhia de virgens entoando cânticos celestiais, e o investiu com riquíssima casula, dando-lhe instruções para usá-la somente nos dias festivos designados em sua honra. Esta aparição e a casula foram provas tão claras, que o concílio de Toledo ordenou um dia de festa especial para perpetuar sua memória.

Santo Ildefonso morreu a 23 de janeiro de 667.

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