São Clemente, terceiro sucessor de São Pedro, governou a Igreja desde 88 mais ou menos até 97. Sobressai em seu pontificado um documento de primeira grandeza, que é fundamental a favor do primado universal do bispo de Roma – a carta aos Coríntios, toda ela penetrada de grande amor pela unidade cristã.

Ocorrera então que, perturbada por agitadores presumidos e invejosos, a comunidade cristã de Corinto, que tanto interesse suscitara da parte de São Paulo, ameaçava desagregação e ruptura. São Clemente escreve-lhe então extensa carta de orientação e pacificação, repassada de energia persuasiva, recomendando humildade, paz e obediência à hierarquia eclesiástica, já então definida nos seus diversos graus: bispos, presbíteros e diáconos.

Essa sua intervenção mostra que Clemente, para além de bispo de Roma, se sentia responsável e com autoridade sobre as outras Igrejas. E isso, apesar de que, nessa época, vivia ainda o Apóstolo São João, o que nos permite concluir que o Primado do Papa não foi de modo algum uma ideia meramente nascida de circunstâncias favoráveis, mas uma convicção clara desde o início da Igreja. Se assim não fosse, nunca São Clemente teria ousado meter-se onde, por hipótese, não era chamado.

Nada se sabe ao certo sobre seu martírio. Há uma Ata grega dele, apócrifa, que afirma que Clemente  converteu a dama Teodora, esposa de um cortesão de Nerva chamado Sizinio, a quem também converteu. Depois, por muitos milagres, converteu também 423 outros pagãos de nobre estirpe. O que enfureceu o imperador Trajano, que baniu Clemente para a Crimeia. Lá ele matou a sede de duzentos cristãos, que erigiram várias igrejas. Trajano mandou então que Clemente fosse lançado ao mar amarrado a uma âncora de ferro. Diz ainda essa Ata apócrifa que, cada ano depois disso, quando a maré baixava, deixava ver um santuário divinamente construído, que continha os ossos do mártir.

Citamos um trecho de sua carta, escrita no ano 96, que termina com uma oração admirável:

“Deus de toda a carne, que dais a morte e a vida, que abateis a insolência dos orgulhosos e frustrais as maquinações dos povos, vinde em nosso auxílio, ó Mestre! Matai a fome dos indigentes, e libertai aqueles que, entre nós, sucumbiram. Deus bom e misericordioso, esquecei os nossos pecados, erros e quedas; não leveis em conta as faltas dos vossos servos e servas. Dai-nos a concórdia e a paz, não só a nós, mas também a todos os habitantes da terra. É de vós que os nossos príncipes e os que, no mundo, nos governam, recebem o poder: dai-lhes saúde, paz, concórdia e estabilidade; dirigi os seus propósitos pela senda do bem. Só vós podeis fazer tudo isso, e conceder-nos ainda maiores benefícios. Proclamamo-lo em nome do sumo sacerdote das nossas almas, Jesus Cristo, por quem vos seja dada honra e glória, agora e por todos os séculos. Amém”.

O Martirológio Romano Monástico diz dele hoje: “Em Roma, no final do século I, São Clemente, papa e mártir, terceiro sucessor de São Pedro. Segundo Santo Irineu, Clemente conheceu os Apóstolos, e com eles conviveu. Sua carta dirigida aos coríntios, é um testemunho precioso da constituição hierárquica da Igreja, e da solicitude do Bispo de Roma para com todas as Igrejas”.

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