No momento, você está visualizando 23/10 – Santo Antônio Maria Claret e o ideal do missionário abrasado pelo amor de Deus
Crédito: Wikimedia

“Nada o arredra”: com essas palavras, Santo Antônio Maria Claret descreveu a disposição de alma daquele que se entrega inteiramente ao apostolado. Para ele, o missionário deveria ser um homem abrasado pela caridade, capaz de comunicar o amor de Deus por onde passasse e pronto para enfrentar privações, trabalhos, sacrifícios, calúnias e sofrimentos.

Bispo, fundador e missionário, Santo Antônio Maria Claret viveu entre 1807 e 1870. Sua memória litúrgica é atualmente celebrada em 24 de outubro, embora apareça tradicionalmente associada também ao dia 23. Mais do que uma formulação abstrata, o ideal missionário por ele exposto apresenta uma síntese de sua espiritualidade e da vocação que desejava transmitir à congregação por ele fundada.

Um homem inflamado pela caridade

O número 9 das Constituições da Congregação dos Missionários Claretianos conserva esta descrição, proveniente de seus escritos autobiográficos:

“Um Filho do Imaculado Coração de Maria é um homem que arde em caridade e que abrasa por onde passa; deseja eficazmente e procura, por todos os meios, acender o mundo inteiro no fogo do amor divino. Nada o arredra; alegra-se nas privações; enfrenta os trabalhos; abraça os sacrifícios; compraz-se nas calúnias e alegra-se nos tormentos. Não pensa senão em como seguirá e imitará Jesus Cristo no trabalho e no sofrimento, procurando sempre e unicamente a maior glória de Deus e a salvação das almas.”

A primeira característica desse missionário não é uma aptidão humana, uma facilidade de expressão ou uma capacidade de organização. É a caridade. O apostolado nasce de uma alma tomada pelo amor de Deus e, por isso mesmo, desejosa de comunicá-lo. O fogo mencionado pelo santo não representa simples entusiasmo passageiro. Manifesta uma disposição interior que orienta pensamentos, trabalhos e sacrifícios para um mesmo fim.

Essa caridade também não permanece recolhida em uma devoção sem consequências. Ela impele o missionário a agir e a empregar os meios ao seu alcance para conduzir as almas a Deus. O desejo torna-se esforço concreto; a convicção interior transforma-se em perseverança apostólica.

A cruz no caminho do apostolado

Santo Antônio Maria Claret não apresenta a missão como uma sucessão de êxitos ou consolações. Em sua descrição, aparecem as privações, os trabalhos, os sacrifícios, as calúnias e os tormentos. O missionário não procura esses sofrimentos como fins em si mesmos, mas tampouco abandona sua vocação quando eles surgem.

A firmeza diante das dificuldades decorre do modelo escolhido: Nosso Senhor Jesus Cristo. Seguir e imitar o Divino Mestre significa rezar, trabalhar, suportar e perseverar. Assim, a cruz deixa de ser considerada um sinal de fracasso e passa a integrar uma vida oferecida a Deus.

Também chama a atenção a referência às calúnias. O sofrimento do apóstolo não se limita ao cansaço físico ou às privações materiais; pode atingir sua honra e suas intenções. Ainda assim, ele deve conservar a direção de sua obra, sem permitir que a incompreensão desvie sua atenção do objetivo principal.

A glória de Deus e a salvação das almas

A frase de Santo Antônio Maria Claret termina indicando os dois grandes fins que dão unidade à vida missionária: a maior glória de Deus e a salvação das almas. Esses fins impedem que o apostolado se transforme em busca de reconhecimento pessoal. O missionário trabalha não para colocar a si mesmo no centro, mas para conduzir outros a Nosso Senhor.

É também por esses fins que as provações podem ser enfrentadas sem desalento. Quando a missão se apoia apenas na satisfação produzida pelos resultados visíveis, qualquer oposição ameaça interrompê-la. Quando, porém, se ordena à glória de Deus, até o esforço aparentemente estéril pode ser oferecido com fidelidade.

O retrato traçado por Santo Antônio Maria Claret reúne, portanto, ardor e disciplina, ação e sofrimento, iniciativa e renúncia. Seu missionário ideal não é movido por agitação, mas por uma caridade que encontra em Jesus Cristo seu modelo, na cruz sua prova e na salvação das almas sua finalidade.

Deixe um comentário