Santo do Dia – 26 de abril de 1966 – Terça-feira*

Hoje é uma festa lindíssima, a de Nossa Senhora do Bom Conselho! É uma linda invocação. Essa festa foi instituída em honra da aparição da célebre Imagem da Mãe de Deus, sob o nome de Nossa Senhora do Bom Conselho, em Genazzano, na Itália, no século XV.

Eu, infelizmente, não conheço o modo pelo qual essa imagem apareceu. Os senhores encontram aqui, em São Paulo, uma reprodução muito bonita e muito respeitável dessa imagem na capela do Colégio São Luís.

Quando eu era menino, se contava a história extraordinária desse Quadro – talvez alguns dos Srs. que também tenha sido aluno no Colégio São Luís saiba isso com mais pormenores do que eu.

Os jesuítas, no meu tempo de menino, estimulavam muito a devoção a essa imagem. E realmente a invocação da imagem é muito bonita porque indica Nossa Senhora em uma das suas tarefas mais maternas e mais próprias da Rainha do Universo, que é exatamente a de dar o bom conselho.

Como Rainha do Universo, Ela governa tudo. E o próprio de quem governa é não só dar ordens como dar conselhos também. E, aliás, certo tipo de conselhos – pelo menos os de Nossa Senhora – constitui uma ordem. Para aqueles que amam verdadeiramente a Nossa Senhora, todos os conselhos dEla valem como ordem.

O reinado de Nossa Senhora é um reinado de amor, no qual qualquer conselho para o fiel devoto, verdadeiramente escravo dEla, segundo São Luís Maria Grignion de Montfort, tem o valor de uma ordem.

Nossa Senhora concede os bons conselhos através da voz da vocação à qual Deus nos chamou

A invocação de Nossa Senhora do Bom Conselho deveria ser utilizada em todos  momentos difíceis. Sobretudo a minha caríssima “geração nova” precisa tanto de conselho… Há toda forma de capenguice, toda forma de problemas que a todo momento aparecem na vida de um “geração-nova”. Mas há geração mais adequada para recorrer mais frequentemente a Nossa Senhora do Bom Conselho do que essa?…

Agora, para tirar seus últimos sucos, o que significa Nossa Senhora do Bom Conselho? Quer dizer Nossa Senhora enquanto dá bons conselhos, quer dizer, Ela considerada na qualidade de Mãe que aconselha.

E como Nossa Senhora aconselha no íntimo de nossas almas? Pela voz da graça, obtendo as graças que nos põem dentro da alma os conselhos bons.

Então, em toda ocasião de dúvida, de perplexidade, nas ocasiões em que nem temos dúvidas, mas um conselho que nem pensávamos que fosse necessário, nos possa abrir os olhos para algo que precisaríamos ver… em todas essas ocasiões, a invocação de Nossa Senhora do Bom Conselho é sumamente importante: é Nossa Senhora enquanto doadora de bons conselhos.

Como esses bons conselhos ocorrem à alma? Para nós, sobretudo pela voz da vocação. Sempre que ouvirmos algo em nosso interior ou fora de nós, que está na linha da vocação, devemos tomar aquilo como um bom conselho. Sempre que sentirmos um movimento que nos dá, de repente, apetência de algum bem, devemos tomar aquilo como um bom conselho. Sempre que ouvirmos a graça dentro de nós nos dar apreensão de algum mal, devemos tomar isso como um bom conselho. Sempre que, junto a católicos verdadeiros, recebermos uma influência que sabemos que nos santifica, devemos tomar isso como um bom conselho.

Modo de se agradecer a Nossa Senhora os bons conselhos que recebemos

Há um exemplo maravilhoso na História, em matéria de união de almas e que estou lendo agora na vida de Santa Teresinha do Menino Jesus e que são as relações dela com uma irmã, creio que mais velha do que ela uns três anos.

(Sr. -: Celina.)

Durante muito tempo ela não foi carmelita porque cuidava do pai de Santa Teresinha, Monsieur Martin, que estava gravemente doente.

Então, Santa Teresinha já no Carmelo e Celina fora do Carmelo, elas se correspondiam. E as cartas delas tinham isso, uma espécie de união de almas. Celina teve a glória – eu não sei como qualificar… – de ser, de algum modo, a inspiradora de Santa Teresinha.

E a gente observa Santa Teresinha com uma união de alma quase que continuamente tendendo para Celina como para seu próprio pólo. O que, evidentemente dá uma vivíssima desconfiança de que Celina também venha a ser canonizada.

Vê-se aí quase que uma espécie de interpenetração de almas por onde vivem ambas da mesma graça. Santa Teresinha tem trechos de uma beleza inimaginável a respeito disso.

Bem, esses são modos pelos quais recebemos bons conselhos que Nossa Senhora nos dá. Porém os mais preciosos, fecundos e sadios bons conselhos imponderáveis dentro da alma, são certos bons conselhos que nos vêm em certas horas, certas idéias, certos movimentos, certas sugestões que sentimos que nos integram em nossa vocação, que são a ação direta de uma alma, de cada graça, levando-nos para a santidade e para o bem.

Deveríamos pedir a Nossa Senhora, todos, todos os dias, bons conselhos! Que Ela, por essa forma, nos cumulasse com Seus conselhos maternais. E, por essa forma, sendo Ela medianeira de todas as graças, estaríamos a caminho verdadeiramente da santificação.

É uma invocação que me toca realmente e que eu acho que deve estar presente muito nas reflexões e nas perplexidades de tantos que vivem com tantas dificuldades nos dias de hoje.


*A D V E R T Ê N C I A

O presente texto é adaptação de transcrição de gravação de conferência do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira a sócios e cooperadores da TFP, mantendo portanto o estilo verbal, e não foi revisto pelo autor.

Se o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita menção a sua filial disposição de retificar qualquer discrepância em relação ao Magistério tradicional da Igreja. É o que fazemos aqui constar, com suas próprias palavras, como homenagem a tão belo e constante estado de espírito:

“Católico apostólico romano, o autor deste texto  se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto,  por lapso, algo nele ocorra que não esteja conforme àquele ensinamento, desde já e categoricamente o rejeita”.

As palavras “Revolução” e “Contra-Revolução”, são aqui empregadas no sentido que lhes dá o Prof. Plínio Corrêa de Oliveira em seu livro “Revolução e Contra-Revolução”, cuja primeira edição foi publicada no Nº 100 de “Catolicismo”, em abril de 1959.

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