Quando uma epidemia atingiu uma aldeia próxima de Nápoles, o Beato Boaventura de Potenza apressou-se a socorrer os enfermos. Prestou-lhes os serviços mais humildes e perseverou nessa assistência até que o cansaço e a doença o deixaram às portas da morte. A longa e dolorosa enfermidade que então sofreu não o levou a lamentar-se: ele a recebeu com espírito de fé e, apenas recuperou parte das forças, retomou seu ministério.
Esse episódio manifesta um traço constante de sua vida. A caridade apostólica de Boaventura não procedia de um entusiasmo passageiro, mas de uma disciplina interior sustentada pela oração, pela pobreza, pela humildade e pela obediência. Antes de se dedicar incansavelmente aos outros, ele precisou combater com perseverança as próprias inclinações.
Da piedade familiar à vocação franciscana
Boaventura nasceu em Potenza, no sul da Itália, em 1651, e recebeu no Batismo o nome de Carlos Antônio. Seus pais eram pobres, mas virtuosos, e procuraram formá-lo desde a infância na prática da piedade.
O menino demonstrava gosto pela oração e pelas boas obras. Distinguiu-se também pela modéstia, pela inocência e pelo espírito de renúncia. Mortificava os sentidos, jejuava aos sábados e nas vigílias das festas de Nossa Senhora, a quem dedicava uma afeição filial.
Depois de aprender os rudimentos do latim com um sacerdote, aos quinze anos apresentou-se no convento dos Frades Menores Conventuais, em Nocera, e pediu para ser recebido na Ordem. Com o hábito religioso, recebeu o nome de Boaventura. Seu fervor no cumprimento dos deveres e sua aplicação às virtudes logo chamaram a atenção dos demais religiosos.
Após a profissão, foi enviado ao convento de Malatoni para estudar filosofia e teologia. Mais tarde, seus superiores o encaminharam a Amalfi, onde ficou sob a direção do padre Domingos de Muro, religioso reconhecido por sua ciência e virtude. Guiado por ele, Boaventura procurou conformar a própria vida à de Cristo por meio da humildade, da renúncia e da obediência.
Uma obediência exercida sem ambição
Boaventura cumpria prontamente as determinações de seus superiores, mesmo quando lhe pareciam difíceis ou desagradáveis. Essa disposição não significava passividade de temperamento, mas entrega consciente da vontade dentro de sua vocação religiosa.
A humildade acompanhava essa obediência. Quando se cogitou nomeá-lo guardião dos conventos de Capri e, posteriormente, de Ravello, ele pediu insistentemente que não fosse elevado a dignidades na Ordem. Desejava permanecer em uma vida escondida, inteiramente dedicada ao serviço de Deus.
Apesar dessa resistência às posições de governo, precisou aceitar por algum tempo o encargo de mestre de noviços em Nocera. Nessa função, procurou incutir nos jovens religiosos sobretudo a humildade e a obediência. Não lhes ordenava, porém, nada que ele próprio não tivesse praticado. Sua formação apoiava-se mais no exemplo do que em palavras.
Como filho de São Francisco, observava rigorosamente a pobreza. Ela se manifestava no hábito, na cela e nos poucos objetos destinados a seu uso. Embora pudesse recorrer legitimamente a certas mitigações da Regra concedidas à comunidade, fazia-o tão raramente quanto possível.
A vitória sobre o próprio temperamento
A mansidão pela qual Boaventura se tornou conhecido não lhe era natural. Ele possuía temperamento ardente, impetuoso e facilmente irritável. Por meio de vigilância constante, renúncia e auxílio da graça, combateu essa inclinação até adquirir grande domínio de si.
Ele reconheceu diante de seu confessor que repreensões imerecidas, injustiças e ofensas faziam seu sangue ferver e seu coração bater violentamente. Apesar da agitação interior, permanecia calado, impondo-se a decisão de não responder. Assim procedeu também diante de insultos, calúnias e maus-tratos.
Seu exemplo mostra que a virtude não consiste na ausência de combate. A paciência de Boaventura foi conquistada no enfrentamento perseverante de uma disposição contrária. O silêncio exterior não encobria indiferença, mas expressava uma vitória custosa sobre a ira.
Em busca dos pecadores e dos aflitos
Ordenado sacerdote, Boaventura exerceu seu ministério em Capri, Ischia, Nápoles e Ravello. Suas pregações eram simples, mas acompanhadas por uma vida intensa de oração e penitência. Muitos pecadores, inclusive os mais endurecidos, foram conduzidos ao arrependimento e à mudança de vida.
Ele não esperava apenas que as pessoas fossem procurá-lo. Visitava-as em suas casas e chegava a ir aos campos onde trabalhavam. O confessionário era continuamente procurado, e por vezes o frade passava ali o dia inteiro, até desfalecer de cansaço.
A mesma dedicação alcançava pobres, doentes e aflitos. A assistência prestada durante a epidemia foi a manifestação extrema dessa caridade: aproximou-se dos atingidos, cuidou pessoalmente deles e continuou a servi-los enquanto teve forças.
A tradição hagiográfica atribui-lhe ainda milagres, profecias e o conhecimento de segredos dos corações. Durante longos períodos de contemplação e, algumas vezes, na celebração da Missa, teria entrado em êxtase e sido visto elevado do chão. Esses dons, porém, não substituíram o trabalho cotidiano e oculto pelo qual sua vida religiosa foi marcada.
A última enfermidade
Depois de quarenta e cinco anos de vida religiosa, Boaventura adoeceu pela última vez. A enfermidade durou dez dias. Ao perceber que a morte se aproximava, recebeu os sacramentos com profunda devoção.
Em seguida, fez diante dos presentes uma confissão pública de suas faltas e pediu perdão a Deus e a todos. Suas palavras, nascidas de uma consciência profundamente humilde, comoveram os que o acompanhavam. Morreu em 26 de outubro de 1711, entre orações de louvor, agradecimento e desejo de estar com Deus.
Seu corpo foi sepultado na igreja do convento de Ravello. Atribuíram-se numerosos milagres à sua intercessão junto ao túmulo. Em 1775, o Papa Pio VI declarou-o beato.
A vida do Beato Boaventura de Potenza reúne aspectos que poderiam parecer contraditórios: energia de temperamento e mansidão adquirida; preferência pelo recolhimento e incansável atividade apostólica; recusa das honras e aceitação de responsabilidades. A unidade entre esses elementos encontrava-se na entrega da própria vontade a Deus. Dessa raiz nasceram tanto o governo de si mesmo quanto a disponibilidade para procurar pecadores, formar noviços e servir enfermos até o esgotamento.
