Esta santa, filha de pobres camponeses, órfã em tenra idade, tendo apenas o curso primário, chegou a ser conselheira de governadores, bispos, doutores e sacerdotes. Pelos seus sofrimentos, sua entrega à Deus, e a contínua meditação das coisas celestes e vida de piedade, ela recebeu do Espírito Santo, o dom do conselho, que consiste em saber ponderar as soluções adequadas para todas as situação da vida.

Santa Ângela é contemporânea do tristemente célebre Martinho Lutero. Numa época em que se negava obediência à Sé Apostólica e se pregava a rebelião contra a Igreja de Cristo, a Divina Providência escolheu pobres donzelas que, pela sua pregação, envergonhassem a sabedoria humana, pela obediência desarmassem a licenciosidade, e pela dedicação curassem os males causados pela chamada “Reforma”, que não passou senão de uma explosão de orgulho e sensualidade, sendo um de seus frutos maléficos o Renascimento do paganismo, que tanto mal fez à Igreja.

Ângela nasceu em 1470 em Desenzano, no norte da Itália de pais camponeses pobres, mas muito religiosos. Assim recebeu uma educação baseada sobretudo nos princípios cristãos. Sua leitura predileta era a vida dos Santos.

Ainda pequena, Ângela perdeu o pai e, aos dez anos a mãe. Com sua irmã maior, foi viver com um tio em Salo. Lá as duas meninas levavam intensa vida de piedade. Conta-se que ambas, para melhor se entregarem à meditação das coisas celestes, abandonaram a casa do tio refugiando-se numa gruta, onde foram descobertas.

Uma grande provação a esperava: a morte de sua irmã querida, a quem era tão unida. Desolada, a menina não fazia senão chorar e rezar pela alma da irmã, pois ela tinha morrido sem receber os últimos Sacramentos. Em sua angústia e piedosa simplicidade, Ângela pediu a Deus um sinal do destino de sua irmã. Então, numa visão, a viu em companhia dos santos no Céu.

Quando tinha 13 anos, Ângela recebeu a Primeira Comunhão e entrou para a Ordem Terceira de São Francisco. Mais tarde, quando tinha 20 anos, com a morte do tio, resolveu voltar à sua terra natal.

Foi então que, convencida de que, para lutar contra o paganismo renascente e a heresia protestante, era preciso restaurar e fortificar religiosamente a célula familiar. Por isso, a grande necessidade de seu tempo era a instrução das jovens nos rudimentos da religião para prepará-las para serem boas e religiosas mães de família. Transformou então sua casa em escola para receber as meninas da cidade, instruindo-as na virtude.

Nessa época Ângela teve uma visão: foi-lhe apresentada uma multidão de donzelas trazendo coroas na cabeça e lírios nas mãos, acompanhadas de luminosos Anjos. Ouviu então uma voz que lhe dizia: “Ângela, não deixarás a terra enquanto não tiveres fundado uma União de donzelas, igual àquela que admirastes”.

A Providência preparava o caminho, pois sua escola logo produziu tão abundantes frutos, que a santa foi convidada a abrir uma semelhante em Brescia. Com algumas amigas, aceitou o convite, sendo este o embrião do qual nasceria o Instituto das Ursulinas assim chamado em homenagem a Santa Úrsula, mártir do século IV, da qual diz o Maritológio Romano a 21 de outubro: “Em Colônia o natalício das santas Úrsula e Companheiras que, por causa da Religião Cristã e pela constância em guardar a virgindade, foram trucidadas pelos Hunos”.

Embora a fundação desse Instituto estivesse cada vez mais clara em sua mente, Santa Ângela resolveu fazer uma peregrinação a Jerusalém para alcançar a assistência divina para sua obra. Na viagem, nova provação: ela perde a visão. Entretanto, o navio em que viajava de volta à terra natal, perdeu o rumo, e aportou em Creta, onde havia um crucifixo tido por milagroso. A santa pediu a Nosso Senhor Crucificado sua cura, tão necessária para poder prosseguir sua obra. E foi atendida.

Em agradecimento, Ângela resolveu passar por Roma por motivo do jubileu de 1525. O papa Clemente VII a recebeu em audiência, examinou-lhe os projetos, e abençoou a obra.

Voltando a Bréscia, a santa reuniu vinte jovens, e com elas lançou os fundamentos de sua obra, que deveria espalhar-se depois por todo o mundo civilizado.

Imediatamente muitas pessoas piedosas, atraídas pela santidade de sua vida, quiseram viver em comunidade com ela; mas a santa, selecionando as que realmente lhe pareciam ter vocação religiosa, recomendou às outras que continuassem no mundo, para edificar por suas virtudes, os outros, e para instruir os pobres e os ignorantes, visitar hospitais e prisões, e socorrer os desgraçados de toda a espécie.

A pobreza de São Francisco foi o principal objetivo de Santa Ângela; não quis nada no seu quarto, nem nos hábitos, nem nos móveis, que não fosse pobre e simples. Revestiu-se de um cilício que não deixava nem de dia nem de noite. O leito compunha-se de alguns ramos de árvores, sobre os quais estendia uma esteira. Por alimento, dispunha de pão, água, e alguns legumes. Não bebia vinho senão no Natal e na Páscoa. Durante a quaresma, comia apenas três vezes por semana.

Ângela governou a congregação durante vários anos com rara prudência e morreu santamente em 27 de Janeiro de 1540. São Carlos Borromeu, que apreciava singularmente as ursulinas, ocupou-se da beatificação de Ângela; mas não teve consolo de obtê-la antes da morte. Ela só foi declarada bem-aventurada em 30 de Abril de 1768 pelo Papa Clemente XIII, e Pio VII a canonizou solenemente em 24 de Maio de 1807.

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