Primeiro bispo de Salzburg, contemporâneo de Childeberto III, rei dos Francos (695-711), a data de seu nascimento é desconhecida. De acordo com antiga tradição, ele descendia da família real Merovíngia franca, e dos rupertinos, uma importante família que dominava com o título de conde a região do médio e do alto Reno. Desta família nasceu também outro santo, São Roberto (ou Ruperto) de Bingen, cuja vida foi escrita por Santa Hildegarda. Os rupertinos eram parentes dos carolíngios, e o centro de suas atividades era Worms. Foi aí que São Ruperto recebeu sua formação de cunho monástico irlandês.

De acordo com a sua mais antiga biografia, ele era notado por sua simplicidade, prudência e temor de Deus, amava a verdade em seus discursos, tinha reta opinião, era cauto em seu conselho, enérgico em sua ação, liberal em sua caridade e, em toda sua conduta um glorioso modelo de retidão.

Quando Ruperto era bispo de Worms, a fama de seu saber e piedade atraiam-lhe pessoas de todos os quadrantes. A notícia de sua habilidade chegou assim ao Duque Theodo II, da Baviera, que era ainda meio pagã. O duque era chefe do movimento corrente eclesiástico em seus domínios. Por isso ele enviou ao santo mensageiros pedindo-lhe que viesse ao seu país para lá fazer reviver, confirmar e propagar, o espírito do Cristianismo. Porque, apesar do labor dos primeiros missionários, a Baviera era só superficialmente católica, e mesmo uma parte dos cristãos era herética ariana. Também os costumes e modos de ser dos pagãos, que eram boa parte da população, haviam contaminado os cristãos, e seus hábitos e modo de ser estavam estreitamente interligados com os atos externos do cristianismo.

São Ruperto atendeu ao pedido de Theodo após ter-se familiarizado com a terra e o povo da Baviera. Ele foi recebido na antiga cidade de Ratisbona com grande honra e cerimônia pelo Duque, no ano de 696.

O bispo pôs imediatamente mãos à massa, missionando com seus auxiliares desde o território do Danúbio, até os limites da Panônia. Atingiu Lorch, para de lá se encaminhar para as isoladas margens do Wallersee, onde construiu uma igreja em louvor de São Pedro.

O Santo pediu a Theodo um território da antiga cidade romana de Juvavum, para a erigir um mosteiro e uma sede episcopal. Esse é o mais antigo mosteiro da Áustria, e veio a ser justamente o núcleo de formação da nova cidade de Salzburgo.

Para essa obra, São Ruperto teve o apoio de doze concidadãos, dois dos quais também se tornaram santos: Cunialdo e Gislero. Ao lado desse mosteiro, ele fundou um mosteiro feminino, que entregou a direção à direção de sua sobrinha, a abadessa Erentrudes. Desse modo o santo foi o responsável pela conversão da Baviera e da Áustria.
Depois de uma vida de extraordinária e bem sucedida atividade, o Santo morreu em Salzburgo – cidade imortalizada pelo seu ilustre filho. Wolfgang Amadeus Mozart – auxiliado pelas preces de seus irmãos na Ordem, no Domingo de Páscoa, 27 de março de 718. Seu corpo repousou em St. Peterskirche até 24 de setembro de 774, quando seu discípulo e sucessor, o abade-bispo São Virgílio, cedeu parte de seus restos mortais à catedral de Salzburgo.

São Ruperto desse modo é reconhecido como o fundador da bela cidade de Salzburgo, cujo significado é “cidade do sal”, sendo que ele aparece retratado com um saleiro na mão, por sua ligação com a própria origem e desenvolvimento da cidade. Foi seu primeiro bispo, e sua influência alastrou-se tanto, que é festejado não só nas regiões de língua alemã, como também na Irlanda, onde estudou, porque ali foi tomado como modelo pelos monges irlandeses.

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