Santa Burgundofara, também conhecida como Santa Fare, precisou enfrentar forte oposição de sua própria família antes de receber o véu religioso. A resistência encontrada dentro de casa não a fez abandonar a vocação. Sua perseverança abriu caminho para uma vida dedicada ao serviço de Deus e para a fundação de uma comunidade monástica que conservaria seu nome.
A perseverança diante da oposição familiar
As informações preservadas sobre Santa Burgundofara são breves, mas apresentam uma sequência clara: primeiro, a luta para seguir a vida religiosa; depois, a fundação de um convento; por fim, muitos anos à frente da comunidade. Assim, a oposição familiar não aparece como um episódio isolado, mas como a provação inicial de uma vocação que produziria frutos duradouros.
Por volta do ano 627, ela fundou um convento e assumiu seu governo. A casa religiosa tornou-se posteriormente conhecida pelo nome de Faremoutiers, denominação ligada ao próprio nome de Fare. Santa Burgundofara presidiu a comunidade durante muitos anos, exercendo uma missão que exigia não apenas piedade pessoal, mas também constância, prudência e responsabilidade pela formação das religiosas confiadas aos seus cuidados.
Uma influência exercida também na própria família
A firmeza de Santa Burgundofara não permaneceu sem efeito entre seus parentes. Seu irmão, São Faro, havia exercido por alguns anos o cargo de chanceler do rei Dagoberto I. Quando se aproximava da meia-idade, foi persuadido por ela a deixar o cargo. Tornou-se monge, recebeu as ordens sacras e, por volta de 637, já era bispo de Meaux. Outro irmão, São Cagnoaldo, foi monge sob a direção de São Columbano em Luxeuil e depois se tornou bispo de Laon.
A vida de Santa Burgundofara mostra, portanto, uma vocação que precisou ser defendida antes de poder florescer. Aquela que inicialmente encontrou resistência no ambiente familiar veio a exercer influência religiosa sobre a própria família e a governar por longo tempo uma comunidade monástica. Faremoutiers permaneceu associada à sua memória como testemunho concreto da perseverança com que ela correspondeu ao chamado recebido.
