No momento, você está visualizando 27/10 – São Faro de Meaux: da corte de Dagoberto I ao episcopado

São Faro ocupava o cargo de chanceler do rei Dagoberto I quando, já próximo da meia-idade, deixou o serviço da corte para abraçar a vida religiosa. Sua irmã, Santa Burgundofara, teve influência decisiva nessa mudança: persuadiu-o a renunciar ao ofício, após anos de atuação junto ao soberano.

Filho de um nobre da Borgonha, Faro tornou-se monge e depois recebeu as ordens sacras. Por volta do ano 637, já era bispo de Meaux. Começava assim um longo episcopado, embora tenham chegado até nós poucas informações sobre sua administração e, de modo geral, sobre os demais acontecimentos de sua vida.

Hospitalidade no caminho de Roma à Inglaterra

Um dos episódios conservados a respeito de São Faro foi registrado por São Beda. O bispo de Meaux acolheu Santo Adriano de Cantuária quando este viajava de Roma para a Inglaterra.

O gesto, simples em sua aparência, mostra a hospitalidade concedida a um religioso em missão e situa São Faro no conjunto de relações que uniam as comunidades cristãs da Europa no século VII. Mostra também como mosteiros e sedes episcopais podiam servir de apoio aos que percorriam grandes distâncias a serviço da Igreja.

O apoio à vida monástica

Durante seu governo episcopal, São Faro destacou-se como grande incentivador do monaquismo. Esse aspecto de sua atuação estava em harmonia com a própria trajetória do santo, que havia trocado uma posição elevada na corte pela disciplina da vida religiosa antes de assumir o episcopado.

Sua passagem da chancelaria real ao mosteiro não representou uma simples retirada das responsabilidades públicas. Depois de se tornar bispo, colocou sua autoridade a serviço da vida eclesiástica, favorecendo as comunidades dedicadas à oração, à disciplina comum e ao serviço de Deus.

Uma família marcada pela vocação religiosa

O irmão e a irmã de São Faro também são venerados como santos. São Cagnoaldo, falecido por volta de 635, foi monge sob a direção de São Columbano no mosteiro de Luxeuil e posteriormente tornou-se bispo de Laon.

Santa Burgundofara, também chamada Santa Fare, recebeu o véu religioso depois de enfrentar forte oposição da família. Por volta de 627, fundou um convento que dirigiu durante muitos anos. A comunidade ficaria conhecida posteriormente pelo nome de Faremoutiers.

Uma referência de São Beda a Santa Fare deu origem, muito tempo depois, à ideia equivocada de que ela teria morrido na Inglaterra. Sua vida, contudo, permaneceu ligada ao mosteiro que fundou e governou.

Da dignidade temporal ao serviço episcopal

A biografia de São Faro é conhecida apenas em linhas gerais, mas essas linhas formam uma trajetória coerente: nascido em família nobre, serviu ao rei como chanceler, ouviu o conselho da irmã, ingressou na vida monástica, recebeu as ordens sacras e chegou à sede episcopal de Meaux.

Seu longo episcopado ficou especialmente associado ao amparo dado à vida monástica. Assim, a renúncia ao cargo na corte não encerrou sua atuação, mas abriu uma nova etapa de serviço, na qual sua experiência e sua autoridade foram empregadas em favor da Igreja.

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