No momento, você está visualizando OVNIs ou Sagrado Coração? Duas respostas para a crise atual

O filme Dia D (Disclosure Day), de Steven Spielberg, chega em um momento estranho da história dos Estados Unidos. À medida que a nação se aproxima do 250º aniversário de sua fundação, enfrenta polarização em vez de unidade, recriminações em vez de celebrações. O pior é que parece não haver uma saída humana para esse impasse. As pessoas procuram soluções desesperadas.

Por isso, muitos podem pensar: se ao menos a nação pudesse imaginar alguma solução extraordinária, supranatural, capaz de romper todas as regras e ultrapassar todos os problemas. Talvez então o país pudesse experimentar as mudanças drásticas de que tanto necessita.

Isso poderia acontecer de duas maneiras.

A opção do Dia D

Uma delas seria imaginar algo semelhante ao Dia D. Essa solução consiste em terceirizar os problemas da humanidade para poderosos alienígenas, capazes de resolver tudo de forma rápida e sem esforço.

Como em tudo o que Spielberg produz, há elementos extravagantes e improváveis. Contudo, ele sempre sabe transformar seus filmes em afirmações metafísicas que os fazem parecer alternativas reais.

O filme retoma uma trama bastante comum nas histórias sobre OVNIs. O mundo está à beira da guerra e não existe solução humana. Surgem então alienígenas com uma mensagem e uma proposta de solução, por vezes “benevolente”, por vezes sinistra.

A reformulação de uma velha trama

Grande parte do Dia D pega esse enredo e o transforma em um filme de ação destinado às massas. Assim, um homem e duas mulheres correm contra o tempo para divulgar a mensagem de um extraterrestre, mensagem capaz de abalar as convicções religiosas de bilhões de pessoas, especialmente dos católicos.

Empresas contratadas pelo governo não querem que a mensagem seja revelada e se opõem violentamente aos protagonistas. Daí as intermináveis perseguições automobilísticas.

No final, porém, ocorre um desfecho anticlimático: a mensagem não é revelada. Margaret Fairchild, a personagem principal, conhece o conteúdo e prepara-se para anunciá-lo ao mundo inteiro, dizendo apenas: “Escutem!”. Nesse momento, a tela escurece, deixando ao espectador a tarefa de imaginar qual seria a mensagem.

A mensagem implícita de Dia D é que existem seres extraterrestres misteriosos que, apesar de possuírem poderes quase mágicos, são oprimidos por estruturas humanas corruptas. Graças à sua empatia, poder e sabedoria, eles tornariam Deus e a Fé Católica irrelevantes. A solução estaria em ouvi-los, qualquer que seja o conteúdo de sua mensagem.

Inserindo o filme nos acontecimentos atuais

Essa trama se encaixa nas circunstâncias peculiares dos tempos atuais.

O filme entra em um debate real sobre a existência de OVNIs, alimentado pela divulgação periódica de documentos governamentais que registram aparições misteriosas e sugerem possíveis encobrimentos oficiais. Autoridades, figuras públicas, meios de comunicação e influenciadores tratam o tema com crescente seriedade. Muitos apontam também para um mundo à beira de conflitos globais como elemento que reforça essa narrativa.

O assunto envolve ainda uma discussão teológica que pode tornar-se intensa. Trata-se das implicações que a existência de vida inteligente não redimida teria para os dogmas católicos e para o ensinamento perene da Igreja sobre Deus, os anjos, os demônios, a humanidade caída e a Revelação divina.

Os católicos ligados à sinodalidade podem enxergar no filme uma vitrine para sua teologia da escuta, da empatia e da inclusão universal. Já os adeptos da teologia da libertação podem identificar-se com a solidariedade demonstrada pelos heróis em favor dos “marginalizados” e “oprimidos”, ao tentarem divulgar a verdade sobre extraterrestres perseguidos pelo governo.

Em sentido contrário, os católicos ligados à tradição recordam que os alienígenas de Disclosure Day possuem precisamente os poderes preternaturais sobre os homens e sobre a natureza que a Igreja sempre atribuiu aos demônios, por serem anjos decaídos.

Assim, o cenário está preparado para que a opção representada por Disclosure Day exerça influência sobre muitas pessoas. O filme desperta a esperança de que exista um caminho fácil e sem esforço para superar as divisões da humanidade, permitindo a todos uma vida de felicidade, saúde e prazer.

Sua mensagem anti-Fátima dispensa a necessidade de reforma moral, de conversão pessoal ou de restauração da ordem moral da sociedade. Tudo o que exige é escuta e empatia.

A opção do Sagrado Coração

A segunda opção que se apresenta ao mundo é completamente diferente e inesperada. Trata-se de uma alternativa verdadeiramente sobrenatural: recorrer ao Sagrado Coração de Jesus.

Por todo o país surgem outdoors, placas em jardins e adesivos em automóveis com uma mensagem simples:

“Junho é o mês do Sagrado Coração. Cristo é Rei!”

Neste ano (também em que os Estados Unidos celebram os 250 anos de sua fundação) a devoção ao Sagrado Coração conquistou a imaginação de muitos católicos. Pode-se dizer que ela voltou ao debate nacional de uma maneira não vista desde os primeiros tempos do país.

Em certo sentido, o Sagrado Coração de Jesus tornou-se parte da chamada guerra cultural.

O Sagrado Coração no centro dos acontecimentos

O Sagrado Coração de Jesus é hoje objeto de consagrações, entronizações, devoções e menções especiais. Empresários católicos consagram suas empresas ao Sagrado Coração. Um candidato ao governo do Estado da Flórida chegou a consagrar sua campanha à mesma devoção.

Em 12 de junho, solenidade do Sagrado Coração de Jesus, o presidente Trump reconheceu a importância histórica dessa devoção para os Estados Unidos. Na mesma data, o deputado federal americano Riley Moore apresentou uma resolução homenageando o Sagrado Coração em termos particularmente elogiosos.

A resolução afirma:

“O Sagrado Coração de Jesus permanece a fornalha da caridade divina, o refúgio dos pecadores, a fonte da misericórdia e o remédio seguro para as feridas de um mundo desfigurado pelo pecado.”

A devoção tem despertado grande entusiasmo entre os fiéis, a ponto de adquirir vida própria. Muitos a enxergam como uma solução celeste para problemas humanos aparentemente insolúveis.

Ao mesmo tempo, ela também encontra oposição. Alguns a classificam injustamente como um símbolo “nacionalista” da identidade católica, em vez de reconhecê-la como uma devoção de amor, confiança e aceitação de Cristo como Rei.

Escutar uma mensagem diferente

A opção do Sagrado Coração difere profundamente daquela proposta por Dia D. Ela exige a reforma moral dos indivíduos e da sociedade segundo a lei de Deus.

Acima de tudo, convida os homens a deixarem-se envolver pelo amor divino e pelo desejo que Deus tem de socorrer a humanidade.

Sua mensagem anti-Spielberg é simples:

“Escutem… este Coração Divino.”

“Eis este Coração que tanto amou os homens que nada poupou, chegando a consumir-Se para lhes testemunhar Seu amor. E, em troca, da maioria deles recebo apenas ingratidão, pelas irreverências e sacrilégios, pela frieza e desprezo que têm para Comigo neste Sacramento de amor…”
(Das revelações do Sagrado Coração a Santa Margarida Maria Alacoque.)

Tal apelo é difícil de resistir numa época brutal dominada pelo amor egoísta.

Para aqueles que buscam proteção e consolação, o impulso natural é entregar-se a esse Coração amoroso, que deseja tanto o progresso espiritual de cada pessoa quanto o verdadeiro bem comum.

Assim, o mundo encontra-se diante de duas opções: uma supranatural, outra sobrenatural.

Como essas opções se manifestarão no futuro, ninguém sabe. Tudo dependerá de quem decidirão escutar.

Fonte: https://www.returntoorder.org/2026/06/two-options-disclosure-day-and-the-sacred-heart-of-jesus/

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