No momento, você está visualizando 27/09 – Santo Elzear de Sabran: a santificação do governo, da família e dos deveres cotidianos

Ao estabelecer sua casa em Pui-Michel, Santo Elzear de Sabran não se limitou a distribuir tarefas ou administrar bens. Determinou que seus servidores assistissem diariamente à Missa, proibiu blasfêmias e jogos de azar, ordenou a reparação das injustiças e exigiu que os pobres fossem protegidos contra qualquer abuso cometido em seu nome. Para ele, governar uma casa significava responder diante de Deus tanto pela ordem material quanto pelo bem espiritual daqueles que estavam sob sua autoridade.

Elzear nasceu em 1295, no castelo de Ansois, pertencente a seu pai e situado na diocese de Apt. Descendia da antiga família de Sabran, na Provença. Seu pai, Hermengaud de Sabran, recebeu o título de conde de Ariano, no Reino de Nápoles; sua mãe, Lauduna de Albes, também provinha de família nobre.

Conhecida por sua piedade e pela caridade para com os pobres, Lauduna era chamada de Boa Condessa. Logo depois do nascimento do filho, tomou-o nos braços e ofereceu-o a Deus, pedindo com fervor que ele jamais ofendesse a divina majestade. Esse primeiro gesto materno anuncia o princípio que marcaria a vida de Elzear: colocar a fidelidade a Deus no centro dos deveres próprios de sua condição.

Piedade aplicada às responsabilidades temporais

A devoção de Elzear não o afastou das obrigações práticas. Ela o tornou, ao contrário, fiel e prudente na administração dos assuntos domésticos e públicos. Foi descrito como valoroso na guerra, ativo e criterioso na paz, diligente no cuidado de sua casa e digno de confiança nos encargos que lhe eram entregues.

As normas estabelecidas para sua residência em Pui-Michel mostram como ele procurava traduzir princípios religiosos em hábitos concretos. A primeira determinação era que todos assistissem diariamente à Missa, quaisquer que fossem suas ocupações. Elzear estava convencido de que uma casa na qual Deus fosse bem servido não ficaria desamparada.

Também proibiu juramentos, maldições e blasfêmias. Não as considerava simples faltas de educação, mas ofensas a Deus e ocasiões de corrupção para os demais. Do mesmo modo, exigia castidade nas palavras e nas ações, sem admitir que a impureza fosse tratada como algo insignificante.

A vida sacramental ocupava lugar definido nessa ordem doméstica. Os membros da casa deveriam confessar-se semanalmente e comungar ao menos nas principais festas: Natal, Páscoa, Pentecostes e celebrações de Nossa Senhora.

Oração sem abandono do trabalho

Elzear recusava tanto a negligência religiosa quanto uma aparência de devoção usada para fugir das obrigações. Pela manhã, todos deveriam elevar o coração a Deus, oferecer-Lhe as ações do dia e reservar algum tempo à oração e à meditação. Depois, cada pessoa deveria cumprir diligentemente seu trabalho.

Ele censurava aqueles que permaneciam continuamente na igreja apenas para que outros executassem suas tarefas. Em sua casa, a piedade devia ser acompanhada de modéstia, obediência, cuidado com o lar e dedicação ao próprio ofício. As senhoras poderiam dedicar as manhãs à oração e à leitura, mas deveriam empregar as tardes em trabalhos úteis.

Essa disciplina não transformava o castelo em mosteiro. Elzear admitia divertimentos honestos e desejava que seus servidores vivessem com alegria. Proibia, porém, os dados e outros jogos de azar. As recreações seriam legítimas enquanto não ferissem a consciência nem expusessem alguém ao pecado.

A paz como dever de toda a casa

Outro ponto essencial era a concórdia. Elzear sabia que invejas, suspeitas, intrigas e difamações dividem uma casa em facções rivais. Por isso, não tolerava servidores desordeiros nem pessoas que destruíssem a reputação alheia.

Se surgisse uma desavença, ela deveria ser resolvida antes do pôr do sol. Elzear reconhecia que a convivência humana inevitavelmente traz contrariedades e sofrimentos. Exatamente por isso, considerava indispensáveis o perdão e a disposição de suportar os defeitos do próximo. Amar os inimigos e retribuir o mal com o bem eram, para ele, sinais autênticos de filiação divina.

Todas as noites, a casa deveria reunir-se para uma conferência piedosa. Nela se falaria de Deus, da salvação das almas e da vida eterna. Ninguém poderia ausentar-se alegando cuidar dos negócios do conde, pois Elzear considerava a salvação daqueles que o serviam mais importante do que qualquer interesse temporal. Ele via a si mesmo, seus servidores e seus bens como pertencentes a Deus.

Justiça, reparação e proteção dos pobres

A norma mais extensa dizia respeito ao exercício da autoridade. Elzear proibia rigorosamente que qualquer oficial ou servidor prejudicasse alguém em seus bens, honra ou reputação. Ninguém poderia oprimir um pobre ou arruinar uma família sob o pretexto de defender os interesses do senhor.

Ele rejeitava a ideia de enriquecer por meio da exploração exercida por subordinados. Também advertia que pequenas esmolas não apagariam injustiças cometidas para aumentar o patrimônio de uma casa. A caridade, portanto, não poderia servir de disfarce para a opressão.

Caso fosse descoberto entre seus bens algo pertencente a outra pessoa, Elzear determinava uma restituição quadruplicada. Queria ainda que seus negócios fossem públicos o bastante para que qualquer prejudicado por seus agentes pudesse apresentar a queixa e receber reparação.

Essa disposição revela a unidade de sua conduta. A oração ordenava o começo do dia; o trabalho impedia uma devoção ociosa; a concórdia preservava a vida comum; e a justiça submetia a administração dos bens à lei de Deus. Sua condição nobre não era entendida como licença para dominar arbitrariamente, mas como responsabilidade mais grave perante o próximo e, sobretudo, perante Deus.

Santo Elzear de Sabran deixou, assim, um exemplo de santificação dos deveres cotidianos. Sua casa deveria ser simultaneamente um lugar de culto, trabalho, alegria honesta, perdão e proteção dos mais fracos. Na vida doméstica ou pública, ele não separava a piedade do cumprimento fiel das obrigações confiadas à sua autoridade.

Acontecimentos neste dia:

  • 1936: Franco foi nomeado generalíssimo.
  • 1991: foi inaugurada, em Beauce, na França, a sede do Château de Jaglu, também identificada no material como Sede Beato Pio IX e sede da TFP francesa.
  • 1997: durante o Congresso Eucarístico Nacional de Bolonha, na Itália, João Paulo II levantou-se para saudar o cantor Bob Dylan. O registro fornecido também caracteriza as palavras do Pontífice sobre a atitude de católicos diante do rock como um pedido de desculpas, formulação interpretativa que não pôde ser verificada em fonte adicional.

Fontes consultadas

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