Luis Dufaur

A Torre Eiffel sob as águas ou no deserto: vale tudo

Há uma depressão palpável e crescente na “religião” catastrofista. Nesses ambientes procura-se algum slogan ‒ ou “verdade revelada” ‒ que possa servir para os mesmos efeitos que o “aquecimento global” desprestigiado demais.

É o problema dos slogans: no início causam furor, depois saturam e viram biscoito lambido.

E a “religião” ambientalista tem muito de fanatismo: precisa logo encontrar substituto para atingir logo seu objetivo extremado.

Grande esforço intelectual desenvolve-se nestes momentos nos cenáculos da religiosidade apocalíptica e pouco veladamente socialista.

Novas fórmulas estão sendo discutidas. Outras são velhas, mas suscetíveis de manipulação. Pouco importa se a religião socialista é bem servida.

‒ “Extreme weather” (vantagem: foge da questão do “aquecimento global”; desvantagem: o que serve para tudo não serve para nada em especial)

‒ “Global climate disruption” (algo assim como “perturbação climática global”. John Holdren, czar de Obama para a Ciência, inclina-se por esta opção. É genérica como a anterior, serve para tudo, mas acrescenta o espantalho da “perturbação” e pode fazer efeito nas pessoas menos informadas.

Até agora não foi lançada uma bem “convincente”, leia-se bem enganosa.

A reunião do México parece fadada a esterilidade como Copenhague. A UE já anunciou que não fará nem

Bjorn Lomborg

proporá nada, estando muito mais preocupada pela reforma dos sistemas previdenciários estatistas falidos. E Obama anda com mais do que as barbas de molho na perspectiva de uma histórica surra eleitoral.

Enquanto o slogan salvador não aparece, os pregadores do catastrofismo empenham-se em “faire flèche de tout bois” (utilizar qualquer meio até o menos idôneo) segundo a expressão francesa, para preencher o vazio.

Uma recente entrevista de Bjorn Lomborg ajudou para isso.

Lomborg autor do best seller O Ambientalista Cético, mais recentemente publicou “How to Spend $50 Billion to Make the World a Better Place” e agora disse ao The Guardian de Londres que vai lutar contra o “aquecimento climático”.

Certa mídia comemorou noticiando que “líder dos céticos do clima muda de idéia” (Folha de S.Paulo 01-09-2010). Aliás, na entrevista, o próprio Lomborg insistiu que não tinha mudado de idéia.

Entretanto, Marcelo Leite , colunista dessa Folha julga que “Lomborg não dá ponto sem nó. Se para vender um novo livro ele precisar dar a impressão de que virou casaca, ele o fará, ainda que negando que o tenha feito”. “A coletânea que ele organizou poderia chamar-se ‘O Ambientalista Midiático’.

“Na realidade, Lomborg não mudou de posição. Seu negócio continua sendo alvejar o processo de negociação internacional que levou ao Protocolo de Kyoto. Primeiro, semeou um monte de dúvidas sobre a gravidade do aquecimento global antropogénico. Depois, defendeu que havia coisas mais urgentes e fáceis de resolver no mundo, como Aids. Agora, duvida que cortar emissões de carbono seja a melhor opção para combater o problema.

“Para dar uma idéia do conteúdo do livro, eis aqui alguns parágrafos seletos traduzidos da introdução e das conclusões disponíveis na página da Amazom.com:

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• Seria moralmente indefensável despender enormes quantidades de dinheiro para obter pequeno efeito sobre o aquecimento global de longo prazo e o bem-estar humano, se pudermos alcançar muito mais impacto sobre o clima ‒ e deixar as gerações futuras em situação melhor ‒ com um investimento menor em soluções mais espertas.

• Deveriam os políticos prosseguir com planos para fazer promessas de cortes de carbono que, baseadas em experiência anterior, são de cumprimento improvável?

• É claro que, onde for possível fazer reduções relativamente baratas nas emissões de carbono por meio de uso mais eficiente de energia, se trata de algo perfeitamente racional. No entanto, Tol mostrou de forma contundente no capítulo 2 que mesmo um imposto de carbono global altamente eficiente, voltado para o cumprimento da meta ambiciosa de manter o aumento de temperatura abaixo de 2°C, reduziria o PIB mundial anual de maneira impressionante ‒ cerca de 12,9%, ou 40 trilhões de dólares, em 2100. O custo total seria cerca de 50 vezes o do dano evitado ao clima. E, se os políticos escolherem políticas de cotas e comercialização (cap-and-trade) menos eficientes e coordenadas, o custo pode disparar para 10 a 100 vezes adicionais.

• É uma lástima que tantos formuladores de políticas e militantes tenham se fixado no corte de carbono de curto prazo como resposta principal ao aquecimento global. É penoso ler a pesquisa neste volume e perceber que existem alternativas adequadas e eficientes.

1 COMENTÁRIO

  1. Querem evitar mais emissão de carbono? A solução é mais simples do que se pensa: não comprem nada da China, lá tudo é feito em desacordo com as normas ambientais. É um fato.

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