A gramática feminista ou “inclusiva” é “perigo mortal” para a cultura

A Academia Francesa, um dos pilares da cultura universal, repudiou a barbárie da “linguagem igualitária” ou “linguagem inclusiva”, informou “El País” de Madri.

Os 40 membros da célebre instituição, apelidados de “imortais” deixaram claro em comunicado que “diante dessa aberração inclusiva, a língua francesa se encontra em perigo mortal”.

“Nossa nação é responsável ante as gerações futuras”, defendeu a Academia fundada em 1763.

A polêmica na França pegou fogo com o manual escolar de Sophie Le Callennec, professora de geografia e história, o primeiro que adotou a “linguagem inclusiva” com o pretexto superficial de “evitar as fórmulas sexistas”.

O livrinho escolar tem de fato um objetivo subversivo na linha da Revolução cultural que fica claro em seu título “Questionar o mundo”.

O artifício não enganou o culto público francês e suscitou uma onda de indignação.

Políticos e intelectuais de esquerda massivamente tentaram aos berros incluir a “linguagem igualitária” no uso comum da língua.

A professora Le Callennec agiu aplicando as instruções do governo socialista francês emitidas em 2015. A questão é radicalmente ideológica.

Naquele ano, o Conselho Superior para a Igualdade, uma dependência da Presidência francesa então ocupada pelo socialista François Hollande, publicou uma Guia prática “para uma comunicação pública sem estereótipos de sexo”.

Essa recomendava citar sempre os dois gêneros e em ordem alfabética — “agriculteurs et agricultrices”, ou “femmes et hommes”.

Também recomendava incorporar um sufixo feminino aos substantivos masculinos.

O jornal socialista espanhol “El País”, mostrou que o artifício de escrever em espanhol ‘ciudadanos/as’, ‘ciudadanxs’ o ‘ciudadan@s’, no francês produz palavras difíceis de ler.

O caos ficou instalado com propostas alternativas como “citoyen/ne/s” ou “citoyen.ne.s”, “citoyen-ne-s”, “citoyenNEs”, “citoyen(ne)s” ou o mais frequente “citoyen·ne·s”.

Até as línguas regionais cuja pureza o socialismo diz querer proteger e/ou restaurar como o catalão e o occitano, seriam obrigadas a adotar essa esquisitice.

Políticos, jet-set e alguns órgãos da mídia como a revista lésbica Well Well Well tentam generaliza-la.

Mas, escreve “El País”, a resistência do público continua férrea e por certo maioritária.

A revista “Le Point” reescreveu em “linguagem inclusiva” fragmentos de Molière ou Proust, sublinhando a ridiculize do invento.

O filósofo Raphaël Enthoven qualificou este fanatismo ideológico de “agressão à sintaxe” e de “novilíngua” orwelliana. E ele estava exprimindo o pensamento de muitos outros intelectuais.

A escritora Catherine Millet explicou a “Le Monde” de Paris”: “tentei pronunciar algumas palavras e é infernal”.

A autora franco-iraniana Abnousse Shalmani opinou que o uso da “linguagem igualitária” não favorece forma alguma de equidade.

O atual ministro francês da Educação, Jean-Michel Blanquer, alega que “fragmenta as palavras” e “machuca a língua”, malgrado ele pessoalmente se declara “um homem feminista”.

Por sua vez, também Françoise Nyssen que dirige a pasta da Cultura, se disse contrária à “ortografia inclusiva”. “Como essa será compreensível para as crianças com dificuldade de aprendizagem?”, declarou a Le Point.

Para os acadêmicos franceses estar-se-ia destruindo a língua e a cultura nacional.

As dificuldades para aprender e compreender a novilíngua supostamente antissexista faria que as pessoas procurassem usar outras línguas para a comunicação planetária.

Para Richard Herlin, corretor do categorizado jornal “Le Monde” a população ama sua língua como a um “tesouro imemorial”.

Herlin menospreza essa opinião geral, mas os democratas de esquerda são assim: quando o povo não quer o que eles querem, o condenam ao lixo.

Alain Rey, outro expoente da esquerda, tripudia a reação popular que acha fruto de “uma ideologia antifeminista” herdada da Idade Média.

Mas, pede tomar cuidado porque colidindo acintosamente com essa tradição, a esquerda fere a estrutura mental do francês e pode se encontrar em situação delicada.

Os internautas franceses não fazem esses sofismas complicados e riem considerando como é que ficariam por exemplo as fábulas de La Fontaine ou outros escritos clássicos falando do “Raposo e da Corva”, etc.

Na hora de falar do lava-roupas, como acrescentar inclusivamente o “masculino”? “Lava-roupos? Imagine em português: na hora de dizer “dar nome aos bois” seria preciso acrescentar “e às vacas”?

Na proibição da disparatada “linguagem inclusiva” ou “igualitária”, o primeiro ministro francês Edouard Philippe, alega no Boletim Oficial “razões de inteligibilidade e clareza”, noticiou “Religión en Libertad”. 

Os linguistas destacam que a lógica dos idiomas pede comunicar com clareza e concisão. O contrário proposto pela “linguagem inclusiva” gera uma intérmina e insuportável confusão.

Na Alemanha, um deputado estadual começou a saudar os presentes com as mais de 80 fórmulas que imporiam os “gêneros” LGBTQI etc. etc. hoje postulados. A presidente do parlamento lhe pediu parar embora ela também fosse favorável à “linguagem inclusiva”. O deputado lhe fez ver que não agia “politicamente correto” e a presidente engoliu o que disse.

Na Espanha a Real Academia (RAE) puxou a orelha dos políticos que usam “esse tipo de desdobramentos – meninos e meninos, deputados e deputadas”, etc. A Academia oficial qualificou esses recursos de “artificiosos e desnecessários do ponto de vista linguístico”.

Segundo a RAE essa tendência “se fundamenta em argumentos extralinguísticos”, gerando repetições que provocam “dificuldades sintáticas e de concordância, e complicam desnecessariamente a redação e a leitura”.

Nas Cortes espanholas os deputados da extrema-esquerda adotaram o risível “feminino genérico” infernizando os ouvintes com “genéricos desdobrados… e genéricas desdobradas!

De fato, é um recurso da Revolução Cultural para destruir a cultura, a literatura e o próprio pensamento dos povos ex-cristãos e ex-ocidentais.