Apesar da crise, os católicos permanecem “firmes na fé”

Enquanto isso, nos arraiais católicos, em que pese a grande confusão doutrinária e moral que afeta largos setores da Igreja em nossos dias, o suposto clima de revolta e de desejo de mudanças propalado pela mídia e por católicos liberais (e próceres socialistas…) existe mais em sua imaginação do que na realidade.

Ao contrário, o que se tem visto são manifestações contínuas de adesão ao papado em meio ao atual estrondo publicitário.

Basta mencionar dois exemplos recentes: na viagem de Bento XVI a Portugal, nos dias 11 a 14 de maio, mais de meio milhão de pessoas acorreram para saudá-lo em Lisboa, Fátima e Porto; e 150 mil católicos reuniram-se na Praça de São Pedro, em Roma, no domingo seguinte, dia16, para manifestar sua solidariedade ao Sucessor de Pedro em face dos ataques da mídia liberal.

Indiferentes à gritaria de irrequietas minorias reformistas, os fiéis literalmente correm atrás de devoções tradicionais, como a veneração de relíquias insignes: em fevereiro último, mais de 200 mil peregrinos foram a Pádua (Itália), render culto aos despojos de Santo Antônio (morto em 1231).

Mais significativa ainda foi a multidão que acorreu de todo o mundo para venerar o Santo Sudário, exposto na Catedral de Turim, de 10 de abril a 23 de maio. Seu número exato foi contabilizado pelos organizadores em 2.113.128 fiéis.1

A Igreja não tem medo da verdade

Voltando ao caso dos escândalos sexuais por parte de membros do clero, não é por noticiar os fatos que a mídia deve ser considerada em campanha contra a Igreja. Já em seu tempo o Papa Leão XIII (1878-1903), ao abrir os arquivos secretos do Vaticano aos historiadores, dizia que a Igreja não tem medo da verdade.

O mesmo vale para nossos dias: não é o noticiário em si mesmo que vem ao caso, mas o modo como os fatos são noticiados. A mídia liberal manifesta um acurado “senso seletivo” ao só dar destaque a abusos sexuais quando ocorridos na Igreja, silenciando ou minimizando os mesmos quando ocorridos em outras instituições.

Inversamente, faz alarde de qualquer insignificante manifestação de dissidência ou vagido pró-reformas na Igreja e praticamente “não vê” demonstrações de submissão filial e caloroso apoio à Cátedra de Pedro, bem como de entusiasmo por práticas de piedade tradicionais, como as acima referidas.

Paradoxalmente, essa mesma mídia liberal rasga as vestes quando noticia casos de abuso envolvendo membros do clero católico, mas, ao mesmo tempo, favorece de todos os modos a agenda homossexual, as modas indecentes, os comportamentos licenciosos, enfim, o amoralismo generalizado em matéria sexual, que constituem o caldo de cultura em que tais fatos deploráveis proliferam.

Inimigos internos e externos

Não há dúvida, como assinalou o Papa Bento XVI, de que a ação dos inimigos internos é mais prejudicial à Igreja do que a desenvolvida pelos inimigos externos.2

Entretanto, a História da Igreja atesta que, desde seus primórdios, os dissidentes internos da Igreja procuraram o apoio dos poderosos do mundo para tentar impor à ela suas pretensões doutrinárias ou disciplinares.

Naqueles tempos aliavam-se aos Imperadores de Roma e, mais tarde, Bizâncio. Hoje buscam a aliança, ao menos de fato, com o poder internacional da mídia liberal. Ou com políticos socialistas…

1 Cf. “Ostensione da record ― Papa Ratzinger: «Sant’Antonio esempio per i giovani»

Sabato grande afflusso, circa 200 mila le presenze,” Corriere del Veneto, 22 febbraio 2010, at http://corrieredelveneto.corriere.it/notizie/cronaca/2010/22-febbraio-2010/ostensione-record-papa-ratzinger-sant-antonio-esempio-giovani-1602515821096.shtml; Sarah Delaney, “Shroud exposition closes with more than 2 million visits,” Catholic News Service, May 24-2010, at www.catholicnews.com/data/vatican/vatican.htm.

2 Cf. “Interview of the Holy Father Benedict XVI with the journalists during the flight to Portugal, Papal Flight, Tuesday, 11 May 2010,” at http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/speeches/2010/may/documents/hf_ben-xvi_spe_20100511_portogallo-interview_en.html.