A Reconquista do Brasil: irrompe a Insurreição Pernambucana – Deus e Liberdade (II)

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O povo resistiu com firmeza admirável

Vimos, no Post anterior, que sob o domínio holandês no Nordeste, os crimes e sacrilégios cometidos contra Igreja, o Brasil, a população católica a partir de 1630. Tudo fizeram os hereges para levar aquele católico povo a aceitar a heresia de Lutero e Calvino. Perseguiram e expulsaram os Religio­sos, profanaram as igrejas, proibiram as procissões e todo culto público. Impuseram pesados impostos aos brasileiros. O povo resistiu com firmeza admirável.

Libertar a Igreja e o Brasil da tirania holandesa em 1648

Mostramos, naquele artigo, que o sentimento de brasileiro, o sentimento católico congregram as três raças em defesa da Fé e da Pátria. Um admirável exemplo de nossos maiores a nos animar, — dentro da Lei de Deus e dos homens — a estarmos sempre prontos a defender a Terra de Santa Cruz contra as investidas das vários formas de ateismo, de socialismo e comunismo.

CRUEL E PÉRFIDO MASSACRE DE CUNHAÚ

Relata o Pe. Raphael de Jesus que no domingo, 16 de julho de 1645, um grupo de holan­deses, tapuias e potiguares, chegou à pequena povoação de Cunhau, na capitania da Paraíba. Estando o povo reunido na igreja, a assistir o santo Sacrifício, ordena o impio comandante Jacob aos seus que invadam o lugar sagrado e matem a todos. Flamengos, ta­puias e potiguares trucidaram a todos, impiedosamente. O Padre André do Soveral, mal teve tempo dc exortar seus fiéis a se arrependerem de seus pecados, rezando em seguida, às pressas, o oficio da agonia.

Era um ho­mem de 60 anos, varão de vida exemplar. Temeu que à crueldade se seguisse o desacato, a desonra e ameaçou a quem tocasse nele, nas imagens e paramentos do altar “lhe ficaria tolhida a parte com que o fizesse” (1). Os tapuias, atemorizados com estas palavras, afastam-se do altar. Mas os índios potiguares, zombando deles, adiantam-se até o heróico Sacerdote, fazendo-o logo em pedaços; suas mãosse secaram e vieram a morrer de raiva logo depois.

Essas e outras atrocidades determinaram o levante dos brasileiros contra a opressão holandesa; perseguição aos católicos, opressão aos brasileiros.

Inicia-se a Articulação

Em 1644, após 14 anos de opressão holandesa, passou por Recife o Tenente-General André Vidal de Negreiros, paraibano de nascimento, que se avistou com um rico senhor de engenho daquela região, João Fernandes Vieira, elaborando com êle um plano para a expulsão dos invasores. Decidiram escrever a Antônio Teles da Silva, Governador e Capitão Geral de todo o Brasil, expondo-lhe o plano de libertação daquela região e pedindo-lhe auxilio.

A carta ao Governador Geral do Brasil foi escrita por João Fernandes Vieira — senhor de engeno de Pernambuco — e entregue ao governador pelo próprio Vidal de Negreiros. Nela se dizia claramente ao governador “que era obrigação sua acudir, amparar e defender estes afligidos vassalos de seu Rei e Senhor, e juntamente de patrocinar a santa Fé católica, e não permitir que as falsas seitas de Lutero e de Calvino, e o que pior era, o judaísmo, se apoderassem dos corações e almas de tantos cristãos, como em Pernambuco havia”. Se assim não fizesse o governador, seria responsável perante Deus de “todo o mal que lhes sucedesse, a saber: estupros de donzelas, desonras de casadas e viuvas, mortes de meninos inocentes e perdição de tôda aquela província…” (2)

Negros e índios se juntam à Articulação

João Fernandes Vieira escreveu a Antônio Felipe Camarão, que recebera do Rei o título de “governador e capitão-general de todos os índios do Estado do Brasil”, pedindo-lhe, a êle nascido em Pernambuco, “que viesse socorrer aquêle povo, senão se perderia a Fé católica, e mortos os pais, os meninos inocentes ficariam entre hereges”.

No mesmo senti­do escreveu ainda a Henrique Dias, ao qual dera El-Rei o cargo de “governador dos pretos, crioulos, minas e mulatos”.

Com a adesão de Felipe Camarão (capitão-general e governador dos índios), Henrique Dias (governador dos pretos, crioulos, minas e mulatos”) também, Teles da Silva (governador-geral do Brasil) enviou o capitão Antô­nio Dias Cardoso com setenta soldados. Estávamos em dezembro de 1644.

João Fernandes Vieira, Vidal de Negreiros, Camarão, Henrique Dias e Antônio Dias Cardoso foram os chefes que organizaram e levaram avante esta gloriosa reação.

João Fernandes Vieira eleito líder-comandante da Insurreição

Os senhores de engenho da rica Capitania de Pernambuco aderiram ao plano da Insurreição e elegeram a JoãoFernandes Vieira para governador e executor daquela emprêsa. Este reuniu os homens de sua confiança e escreveu ao Rei uma carta a ser assinada por todos êles, na qual se explicava a Sua Majestade a razão daquela Insurreição.
Estávamos em outros tempos e todos juraram se­gredo, sôbre um missal. Entretanto, al­guns traidores denunciaram o plano aos dirigentes holandeses que constituíam o Supremo Conselho de Recife. As autoridades holandesas, começaram a perseguir e castigar com rigor os insurgentes. Por precaução, Fernandes Vieira e outros senhores de engenho mais influentes na região, portanto, mais visados pelo inimigo, passaram a dormir na floresta, em pleno inverno do ano de 1645. Construiram depósitos de mantimentos a fim de sustentar a luta: provisão de peixe seco, farinha e legumes.

Sacerdoates inflamam conclamam à luta

Sacerdotes aconselha­vam os jovens a aderirem a tão nobre plano de libertação da Terra de Santa Cruz do poder dos ímpios protestantes. Assim, por exemplo, na festa de Santo Antônio celebrada na igreja matriz da Várzea, pregou o Padre Frei Manuel do Salvador, da Ordem de São Paulo Eremita, aconselhando abertamente os fiéis a apoiarem a Insurreição. Em inflamado sermão, lembrou o insigne Religioso aos ouvintes “tôdas as tiranias, crueldades, roubos e traições, que os holandeses lhes tinham feito e faziam e exortou a todos a que se preparassem para tratar da defensão da Fé católica, e de se livrarem do tirano cativeiro em que estavam, e que tomassem as armas, lembrando-se que eram portuguêses, filhos e netos daqueles grandes heróis que, nas mais remotas partes do mundo, tantas proezas e façanhas haviam obrado” (3). Este sermão tocou o co­ração dos fiéis e de tal maneira os inflamou de zêlo pela causa de Deus, que todos sairam abrasados pelo santo desejo de expulsar o herege invasor. (3)

Na Festa de Santo Antônio declara-se a Insurreição: Deus e Liberdade

Na festa do glorioso Santo Antônio, 13 de junho de 1645, João Fer­nandes Vieira anunciou públicamente a sublevação que passou para a História com o nome de Insurreição Pernambucana. Os insurgentes arvoravam uma bandeira cuja divisa era: “Deus e liberdade!

Alguns sacerdotes e homens fidedignos fizeram a prova: conservaram consigo as chaves e no dia seguinte tornaram a achar as portas abertas. Selaram as portas e, mais uma vez as encontraram abertas e os selos intactos. (4)

Santo Antonio é cognominado o “martelo do hereges” e significava com esse prodígio que as portas da igreja e as portas da liberdade estariam sempre abertas.

João Fernandes Vieira tem sua cabeça posta a prêmio

A Junta de Recife (holandeses) prometeu 4 mil florins a quem matasse o “governador da liberdade”.

João Fernandes Vieira, por sua vez, mandou publicar um edital, que foi afixado em diversos lugares, através do qual pro­metia 8 mil cruzados a qualquer pessoa que lhe trouxesse a cabeça de um dos dirigentes do Supremo Conselho de Recife.

Fernandes Vieira, percorre a Capitania de Pernambuco arregimentando os combatentes. Foi recebido festivamente, os sinos repicavam e por toda parte ele era recebido e aclamado como o “governador da liberdade”.

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Brancos, negros e índios se uniram em nome da Fé e da brasilidade. O sentimento nacional se confluiu em torno de um líder indiscutível, dotado de talento militar e organizativo.

Estavam postas as condições naturais para Nossa Senhora operasse os milagres incontestes na Batalha do Monte das Tabocas e, posteriormente, batalha dos Montes Guararapes.

A Fé e o Patriotismo triunfaram, o Brasil podia retomar seu caminho para o qual o destinou a Divina Providência. É o que veremos no próximo Post.

Nossa Senhora Aparecida há de salvar, mais uma vez, esse nosso amado Brasil. Confiança: Esse ainda será um grande País!

(1) Frei Raphael de Jesus, “Castrioto Lusitano, livro V, capilulus V e VI

(2) Diogo Lopes de Santiago, “História da Guerra de Pernambuco e feitos memoráveis do Mestre de Campo João Fernandes Viei­ra”, edição da Secretaria do Interior de Recife, 1943, livro II, cap. 111

(3) “O Valeroso Lucideno e o Triunfo da Liberdade”, de Frei Manuel Calado, vol. I, livro III, cap. III

(4) Diogo Lopes de San­tiago, op. cit., livro 11, cap. VI. Ver também a obra citada de Frei Manuel Calado, vol. I, livro III. cap. VI

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