A Reconquista do Brasil: Nossa Vitória no Monte das Tabocas (III)

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Mostramos, no Post anterior, que sob o domínio holandês no Nordeste (1630-1648), os crimes e sacrilégios cometidos contra Igreja, contra o Brasil, contra a população católica. Tudo fizeram os hereges para levar aquele bravo e patriótico povo a aceitar a heresia de Lutero e Calvino. Perseguiram e expulsaram os Religio­sos, profanaram as igrejas, proibiram as procissões e todo culto público. Impuseram pesados impostos aos brasileiros. O povo resistiu com firmeza admirável, afirmam historiadores.

Brancos, negros, índios se irmanaram na defesa da Terra de Santa Cruz. E venceram o inimigo invasor.

Hoje, veremos nossa grande primeira vitória, a batalha no Monte das Tabocas.

Preparando o local da batalha

Em julho de 1645 O Comandante da Libedade João Fernandes Vieira reuniu-se com os homens de que já dispunha em São Lourenço. Os holandeses envia­ram para perseguir os insurrectos dois contingentes, sob o comando dos capitães João Blaar e Hendrick Van Haus. Os nossos homens deixaram então São Lourenço, ali não era o lugar estratégico para a batalha.

Em 31 de julho parti­ram todos os nossos para o Monte das Tabocas, situado às margens do rio Tapicurá, cerca de 50 km de Recife, hoje município de Vitória de Santo Antão. Esse seria o local do grande embate armado: entre as margens do Tapicurá, uma extensa campina, coberta de tabocas, parecidas com as canas bravas.

João Fernandes Vieira invoca a proteção de Deus

Em 2 de agôsto, os chefes batavos Hendrick Van Haus, e João Blaar, enviados pelos dirigentes do Supremo Con­selho holandês, chegam nas proximidades daquêle monte, à fren­te de 1.500 soldados e numerosos índios.

O nosso Comandante, João Fernandes Vieira, dirige a seus sol­dados um inflamado discurso, afirmando-lhes que “quantos menos entrarmos na batalha, tanto mais honra ganharemos no conflito: repartida pelos que assistem a porção dos que faltam, é fôrça que tenha cada qual de nós maior parte na vitória; dela não pode duvidar quem tem a Deus em seu favor; e nós sabemos que pelejamos com gente que faz gala de ofender a Deus. Os pedaços das imagens sagradas, as pedras dos templos destruídos, os corpos dos católicos des­pedaçados, os agravos dos Sacerdotes escarnecidos, que são senão armas que o Céu nos dá para destruir êstes hereges?” (“Castrioto Lusitano”, de Frei Raphael de Jesus, livro VII, n.’ XIII).

A batalha do Monte das Tabocas

Para a batalha nossos brasileiros dispunham apenas de 230 armas de fogo e escassa munição. Como vimos, os holandeses contavam 1.500 homens e muitos índios que haviam se bandeado para o inimigo. Os holandeses consideravam-se, já antes mesmo da batalha, ven­cedores. Os soldados de ambos os lados são dispostos em ordem de combate. João Fernandes anda por tôda parte in­fundindo ânimo em seus homens.

Numa primeira carga de artilharia os holandeses recuam e deixam vários mortos. Abra­sados de santo zêlo, os Padres Simão de Figueiredo, João de Araújo e Frei João da Ressurreição, beneditino, percorrem as nossas fileiras confessando e abençoando a todos.

Contam os citados historiadores que os nossos homens sentiram-se com isto possuídos de uma coragem verdadeiramente sobrenatural. Estavam dispostos a lutar até à morte em defesa da Fé católica. O combate pro­longou-se até às 5 horas da tarde, quando afrouxaram bas­tante os disparos de nossas armas. Supuseram os holan­deses que os nossos homens estavam para se renderem. Avançaram então com grande furor. Os nossos soldados, bem menos numerosos e já bastante cansados, iam-se revesando continuamente. Mas o inimigo, que dispunha de muito mais recurso, ganhava terreno. Porém de repente, um dos Sacerdotes ali presentes, o Padre Manoel de Morais, empu­nhando um estandarte no qual estava representado Jesus Cristo Crucificado, fêz um inflamado sermão, exortando os soldados a pelejarem varonilmente e a fazerem seus votos a Nosso Senhor e à Virgem Santíssima. Todos prometeram penitência e boas obras. João Fernandes Vieira prometeu construir uma igreja a Nossa Senhora do Destêrro e outra em honra de Nossa Senhora de Nazaré.

Invistamos com nossas espadas

Feita esta promessa, o “governador da liberdade” conclama: “Vamos a êles e invis­tamos à espada”. Coube a Henrique Dias, governador dos pretos, crioulos, minas e mulatos investir onde se travava mais seriamente a batalha. Todos teriam liberdade se lutassem com ardor. Grandes foram as perdas sofridas pelos holandeses. Os nossos clamavam vitó­ria! Mas os hereges não estavam dispostos a se renderem. Preferiram aguardar a noite, para fugirem acobertados pela escuridão. Como, porém, os nossos homens continuassem o ataque, viram-se os batavos na obrigação de reagir. Os holandeses, pois, num inesperado contra-ataque, investiram violentamente contra as nossas fileiras.

O Milagre se opera pelas mãos de Maria

As guerras têm surpresas, têm vais e vens em que é preciso lutar, confiar, rezar. Nossos soldados sentem o impacto dos holandeses que reagem como feras acuadas. Essa é a hora dos líderes, dos comandantes: João Fer­nandes Viera lança-se ardorosamente contra o inimigo, excla­mando em alfa voz: “Valorosos portugueses, viva a fé de Cristo! A êles; a êles!” Ao mesmo tempo, o Padre Manoel de Morais levantou bem alto o estandarte com a imagem de Cristo e disse: “Senhor Deus, misericórdia!” Todos repeti­ram esta invocação. Prosseguiu o Sacerdote: “Irmãos, diga­mos todos uma Salve Rainha, à Virgem, Mãe de Deus”.

Milagre! Enquanto todo o exército rezava fervorosamente esta beta oração, os hereges, tomados de inexplicável pânico, começaram a se retirar em meio a grande confusão. Os nossos gritavam: “Vitória, vitória!” Era o dia 3 de agôsto de 1645, festa do glorioso mártir Santo Estevão. A memo­rável batalha durara das 13 às 19 horas.

Muitos holandeses que escaparam com vida, diziam em São Lourenço (cidade de PE) que, no ardor da batalha, viram andar entre os portugueses uma Mulher muito formosa, com um Menino nos braços, e junto à Ela, um venerando ancião, vestido de branco. Eles davam armas, pólvoras e munições aos nossos soldados. Tal era o resplendor que a Mulher e o Menino lançavam, que lhes cegava os olhos. Diziam, por fim, que esta visão lhes cau­sou tal terror, que se retiraram logo em confusão (cf. Frei Manuel Calado, op. cit., vol. //, livro IV, cap. I). João Fer­nandes Vieira convidou a todos a agradecerem, de joelhos, à Rainha do Céu e da terra, pois reconhecia que sem o auxilio d´Aquela que é “terrível como um exército em ordem de batalha”, não feriam alcançado tão grande vitória. Depois levantaram-se todos, e em alfa voz exclamaram: “Viva a fé de Cristo e a liberdade! Vitória, vitória, vitória!” O “governador da liberdade” cumpriu a sua promessa, mandando edificar à entrada de Olinda, uma igreja em honra.

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Estava, com o auxílio da Mãe de Deus, ganha a primeira grande batalha contra o herege invasor. Veremos, no Post seguinte, a memorável batalha dos Montes Guararapes.

O Brasil passa por uma grande prova em 2022. Rezemos, batalhemos dentro da Lei e da Ordem, Maria Santissima, em Aparecida, salvará a Terra de Santa Cruz das garras da esquerda petista.

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