Custo de alimentação dos mais baixos do mundo

Nos últimos 30 anos o peso da alimentação nos orçamentos familiares diminuiu seguidamente. Na média, passou de 33,9% em 1974-75 para 20,8% em 2002-2003 e 19,8% em 2008-2009.

Como pode faltar comida para mais de um terço das famílias, num país com uma agropecuária eficiente e competitiva e um custo de alimentação dos mais baixos do mundo? Esse paradoxo aparente é um dos aspectos mais notáveis da pesquisa.

Nos últimos 30 anos o peso da alimentação nos orçamentos familiares diminuiu seguidamente. Na média, passou de 33,9% em 1974-75 para 20,8% em 2002-2003 e 19,8% em 2008-2009.

Essa mudança refletiu tanto a elevação dos ganhos das famílias quanto a queda do preço relativo dos alimentos, consequência normal da produtividade crescente da agropecuária e da indústria processadora de comida.

O aumento de eficiência resultou da incorporação de tecnologias, criadas em boa parte pelos institutos nacionais de pesquisa, e das mudanças da política agrícola, com mais estímulos à competitividade e abandono dos controles de preços, tão inúteis quanto contraproducentes.

Ao chegar ao governo, em 2003, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mal assessorado, ainda repetia os chavões sobre a necessidade de aumentar a produção de alimentos. Mas não demorou muito a abandonar essa tolice. Se havia famílias com fome, não era por escassez de comida, mas de renda.

O problema não era produzir, mas ajudar as pessoas em pior situação a comprar o necessário para sobreviver com decência. Mesmo sua política de reforma agrária, um fracasso previsto desde o começo e confirmado amplamente pelos fatos, foi insuficiente para impedir o crescimento da agropecuária de verdade, apesar da permanente insegurança imposta aos produtores. A competência e a produtividade dessa agropecuária são reconhecidas internacionalmente pelos competidores do Brasil, embora menosprezadas por uma parte do governo federal.

Mas políticas de transferência de renda têm alcance limitado. Podem reduzir a miséria e permitir a melhora dos padrões de consumo de muitas famílias, mas não bastam, isoladamente, para criar capacidade de trabalho nem para ampliar as oportunidades de ocupação.

Há, no Brasil, um desajuste cada vez mais claro entre a qualidade do emprego oferecido e a da mão de obra disponível. Esse problema não se resolverá com a multiplicação de cursos universitários de utilidade muito duvidosa. É preciso cuidar muito mais seriamente da preparação nos níveis básicos e intermediários.

A presença de um quinto de 20% de analfabetos funcionais na população com idade igual ou superior a 15 anos explica boa parte dos impasses econômicos e sociais do País e dos aparentes paradoxos da POF 2008-2009.

Leia na íntegra esta notícia.

OESP, 27/06/2010 – Editorial: Pobreza sem Mistério

2 COMENTÁRIOS

  1. É claro que aplaudimos os poucos parlamentares que, nas duas casas legislativas, denunciam o caráter eminentemente materialista da ação do Governo Federal.

    A propósito, o (des) governo do sr. Lula deixa no chinelo a administração nefasta do finado sr. João Goulart, pela amplidão dos recursos disponíveis e pela sofisticação dos métodos empregados.

    Em verdade, a gente até começa a sentir saudade dos comunistas de antigamente, a exemplo do sr. Prestes, cuja conduta, ao menos durante o curto período em que exerceu a senatoria da República (se não me engano) pelo Distrito Federal, causaria riso a um Zé Dirceu da vida…

    Apenas para relembrar certo episódio já há muito incorporado à crônica política deste país, indagado, certa vez, em caso de guerra entre a Rússia e o Brasil, por qual dos dois lutaria, o então senador Luís Carlos Prestes respondeu candidamente que “a favor da Rússia”…

    Voltando ao assunto:

    Sem embargo, por exemplo, da atuação corajosa dos deputados Valdir Colatto e Paes de Lira, do que o Congresso Nacional mais se ressente, ainda mais em momento tão delicado da vida republicana, é da oposição sistemática (mas construtiva), baseada em sólida doutrina, de um Plínio Salgado, de um Carlos Lacerda, de um Bilac Pinto, de um Britto Velho, de um Arruda Câmara. E, indo mais longe no tempo, de um Rui Barbosa, que combateu, da tribuna do Senado e pelas páginas da imprensa, a introdução do divórcio na legislação brasileira.

    Em momento em que tanto se fala de democracia parlamentar, em autêntica representação das correntes de opinião, o Brasil se vê na contingência de instituições políticas meramente decorativas, formalistas, ocas e, sobretudo, pelo monopólio dos chamados políticos profissionais na gestão dos negócios públicos, a serviço que são de fundações e ong’s estrangeiras…

  2. Falta um dado. Quanto a reforma agrária colaborou para diminuir a fome no Brasl? Reforma agraria socialista e confiscatória promovida pelo CPT, MST, INCRA, CNBB, e outras máquinas agroreformistas só tem produzido miséria, isso é um fato.

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