A tática do salame
A tática do salame – a destruição do Brasil por ‘fatias’ sucessivas

O fortalecimento do Estado em detrimento da economia privada vem obtendo resultados desastrosos. Os resultados apresentados neste site sobre as toneladas de alimentos que se perderam na Venezuela se somam à intenção do governo venezuelano de condenar os latifúndios, mesmo os produtivos.

No Brasil o fortalecimento do Estado contempla inclusive o enfraquecimento da classe média via impostos escorchantes. Os governantes de mentalidade marxista só aparentam recuo diante de sólida resistência da opinião pública.

O aparente recuo na re-elaboração do PNDH-3 constitui estratégia velha e conhecida da conquista do poder comunista. A “tática do salame”, levada a efeito por  Matías Rákosi, Secretário Geral do Partido Comunista, no governo da Hungria, em 1953, alegando querer fazer algumas reformas superficiais para evitar uma crise geral, preconizava a destruição do adversário por “fatias” sucessivas.

Com a firme convicção de que a ingestão dessas fatias não causaria nunca problemas de digestão… Ninguém consegue engolir um salame inteiro. Esta técnica é descrita com maestria pelo Prof. Plinio Correa de Oliveira na “Folha de S. Paulo” em 14 de fevereiro de 1971 no artigo “Farsa, salame e herói”.

Entretanto, o PNDH-3 mantém sua radicalidade pois  visa “garantir os direitos trabalhistas e previdenciários de profissionais do sexo por meio da regulamentação de sua profissão”. Por Lei, a prostituição deixa de ser um vício moral e se eleva a condição  de profissão. O mesmo PNDH-3 visa “apoiar projeto de lei que disponha sobre a união civil entre pessoas do mesmo sexo”, e  estabelece “configurações familiares constituídas por lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT), com base na desconstrução da heteronormatividade”.

Ou seja, a união heterossexual entre homem e mulher, deixa de ser norma única de configuração da unidade familiar. Qualquer estratégia de recuo cosmético nestas propostas constitui a divisão do salame em fatias para ser comido lentamente.

A desconstrução  de valores cristãos na vida social proposto pelo PNDH-3 reflete a posição de um Estado fundamentalista-ateu e impõe ao católico um posicionamento coerente com o ensino dos Papas para a vida do leigo em sociedade. Neste sentido, o Papa Pio XII em célebre Alocução aos participantes do II Congresso Mundial para o Apostolado dos Leigos, em 5 de outubro de 1957 diz: “As relações entre a Igreja e o mundo exigem a intervenção dos apóstolos leigos”.

A ‘consecratio mundi’ [sacralização do mundo] é, no essencial, obra dos próprios leigos, de homens que estão intimamente entremeados à vida econômica e social, que participam do governo e das assembléias legislativas” (Alocução aos participantes do II Congresso Mundial para o Apostolado dos Leigos, Documentos pontifícios, no. 127, Vozes, Petrópolis, 1960, 2ª ed., p.18).

No mesmo sentido fala o Concílio Vaticano II: “A obra de redenção de Cristo, enquanto tende por si a salvar os homens, propõe-se também à restauração de toda a ordem temporal. Por isso, a missão da Igreja não é apenas anunciar a mensagem de Cristo e sua graça aos homens, mas também impregnar e aperfeiçoar toda a ordem temporal com o espírito evangélico.

Em consequência, os leigos, ao realizarem essa missão, exercem seu apostolado tanto no mundo como na Igreja, tanto na ordem espiritual como na temporal. … O leigo, que é ao mesmo tempo fiel e cidadão, deve sempre conduzir-se, em ambas as ordens, com a mesma consciência cristã.

É preciso que os leigos tomem a restauração da ordem temporal como sua função própria, e que, conduzidos nisso pela luz do Evangelho e pela mente da Igreja, e movidos pela caridade cristã, atuem diretamente e de forma concreta; que os cidadãos cooperem uns com os outros, com sua competência específica e com sua responsabilidade própria; e que em todas as partes e em tudo busquem a justiça do reino de Deus.

A ordem temporal deve ser restaurada de tal forma que, observadas integralmente suas próprias leis, esteja conforme aos mais altos princípios da vida cristã, adaptada às várias circunstâncias de lugares, tempos e povos” (Apostolicam Actuositatem no.s 5 e 7). *

* cfr. Plínio Correa de Oliveira, Guerreiros da Virgem, a Réplica da Autenticidade. Ed. Vera cruz, São Paulo, 1985, p 112.

Autor: Aguinaldo Ramos

2 COMENTÁRIOS

  1. Num país cristão, como o Brasil, o governo não pode se furtar a proteger os direitos cristãos dos cidadãos, muito menos atacá-los como estão fazendo com o PNDH-3.

  2. Profundamente triste com o maquiavelismo de dignatários da Igreja que procuram não a instauraçao do Reino de Deus, mas de um reino que agrade aos homens e principalmente aos homens do poder, sejam quais forem, é evidente que concordo com o artigo, mas essa doutrina só produzirá frutos se os Bispos e padres forem arredados.
    Como é triste e duro ter de dizer que os nossos pastores (não todos, é evidente, mas infelizmente, muitos) perderam a bússula que é Cristo e dessorientados nos levam para o abismo.
    Temos de reagir e desmascará-los para que a Igreja volta a ser o que é e não pode deixar de ser.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor deixe seu comentário!
Por favor insira seu nome