Tentação-3

Nosso Senhor Jesus Cristo veio à Terra como verdadeiro Deus-Homem, porque revestindo-se toda ofensa ao Criador de uma gravidade infinita, somente outro Ser infinito seria capaz de resgatar a humanidade pecadora.

Se Jesus foi tentado pelo demônio no deserto, tal não se deveu às suas paixões ou más inclinações, absolutamente inexistentes, mas à argúcia e experiência do Maligno, que queria saber quem era aquele homem, se era realmente o Filho de Deus.

São Mateus narra que Nosso Senhor foi conduzido pelo Espírito ao deserto, onde foi tentado pelo diabo ao final dos 40 dias e 40 noites de jejum, quando teve fome. Com inteligência angélica, o demônio arquitetou um plano nefasto para tentá-Lo através de três seduções. Serviu-se assim da fome, do prestígio e honrarias do poder e, das riquezas que costumam levar os homens a se distanciarem da Lei de Deus.

O que estava nos sinistros e monstruosos cálculos do demônio era transferir para si a fidelidade de Jesus a Deus. O Divino Mestre agiu com sabedoria e perfeição, inteligência e habilidade, deixando o demônio confuso, humilhado e destronado, pois só Deus deve ser amado e conhecido. Numa grande missão, Ele veio aniquilar o reino que satanás edificara havia tantos séculos.

No mesmo lugar em que os nossos primeiros pais foram infiéis e derrotados, Jesus Cristo venceu a batalha contra satanás e os anjos rebeldes. Concedeu-nos Ele assim o remédio eficaz e salutar para que também nós pudéssemos lutar e vencer os inimigos. A tentação é um encanto interior provocado pela nossa natureza depravada ou pela influência do demônio para que violemos a Lei de Deus.

Deus permite as tentações para nos dar ocasião de granjear méritos e manifestar o nosso valor no manejo das armas que Jesus Cristo nos conquistou. Diz o arcanjo Rafael a Tobias: “Por seres agradável a Deus, foi necessário que a tentação te provasse”. Com efeito, ensina-nos Nosso Senhor no Pai-Nosso: “Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal”.

Conseguimos essa força para combater as tentações pela oração, pelo trabalho constante, pelo pensamento frequente em Deus, pelo exercício de domínio sobre as nossas inclinações e paixões desordenadas, bem como pela devoção à Virgem Imaculada, tão recomendada pela Igreja, enaltecida pelos santos, Àquela que é o terror dos demônios.

A perseguição mais frequente e habitual do espírito das trevas constitui em desviar a alma do bom caminho servindo-se do mundo e da nossa natureza corrompida. São Pedro alerta a todos para vigiar e orar, porque o demônio, como um leão voraz, está ao nosso redor procurando nos devorar pela tentação.

Por sua vez, São Paulo Apóstolo nos convida a resistir às ciladas do demônio, porque nossa luta não é contra a carne e o sangue, mas contra os principados e as potestades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra os espíritos malignos espalhados pelos ares. Aconselha-nos ainda a tomar a armadura de Deus para resistir no dia mau.

Inspirado pelo Divino Espírito Santo, ele compara cada combatente a um soldado revestido da armadura de Deus e a couraça da justiça, que guiado pela fé e pelo espírito guerreiro sai sempre vitorioso.  O cristão diligente na observância da lei do Altíssimo está revestido do poder de Deus, que é a graça divina e os princípios cristãos.

Pretendo retomar o tema tão logo me seja possível. Até lá.

Pe. David Francisquini é sacerdote da igreja do imaculado Coração de Maria – Cardoso Moreira-RJ

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