No dia 16 último um avião pousou no Aeroporto de Viracopos, na região de Campinas (SP), trazendo a bordo um personagem com sua comitiva. Acompanhavam-nos 19 malas, dez das quais contendo muito dinheiro, joias e relógios cravejados de diamantes.

Estaria chegando um personagem de contos de fadas, do País das Maravilhas? Não. Era Teodoro Obiang Mang, conhecido como Teodorin, filho do ditador da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, velho amigo do ex-presidente Lula.

A existência da Guiné Equatorial passava despercebida da maioria dos brasileiros até que se apurou o valor real do conteúdo dessas malas e o fato foi largamente noticiado pela imprensa. “Uma delas ficou retida pela Receita Federal. Ela continha uma maleta com US$ 1,4 milhão em notas de US$ 100, além de R$ 55 mil. Havia ainda uma caixa com 19 relógios, avaliados em US$ 15 milhões. O mais caro deles, todo cravejado de diamantes, foi estimado em US$ 3,5 milhões. Total da fortuna: R$ 72 milhões.”[1]

As autoridades da Guiné Equatorial não esclareceram até o momento a origem e o destino daqueles valores. Entretanto, causa estranheza o fato de sua chegada coincidir com o período eleitoral, levando muitos a suspeitar que fossem empregados na campanha de algum partido político.[2]

A Guiné Equatorial (capital Mabalo) é um país pequeno e pobre. Com uma área de 28.051 km2 e pouco menos de 1,3 milhão de habitantes, ocupa o 141º lugar no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (o Brasil está o 79º).  Apesar disso, Teodoro Obiang Mang, que ocupa o cargo de vice-presidente, mora em luxuosos palácios e desfila em carros caríssimos. Seu pai é considerado o oitavo presidente mais rico do mundo, segundo a revista Forbes, com uma fortuna estimada em US$ 600 milhões (R$ 2,7 bilhões).

Teodoro Obiang assiste ao desfile da Beija-Flor de um camarote (Foto: Getty Images)

 Em 2015, Teodorin gastou milhões para patrocinar o carnaval da Escola de Samba Beija-Flor, no Rio, onde aparece num camarote divertindo-se com amigos. Contudo, suas extravagâncias não ocorreram somente no Brasil. O site português O Observador denunciou, em 2012, a vida luxuosa que ele levava em Paris: “Apesar de ser dono de uma luxuosa casa nas margens do Sena, gastou quase 600 mil euros entre 2005 e 2009 no hotel Crillon, junto aos Campos Elísios. Em 2009, as autoridades aduaneiras registaram a chegada de 26 carros luxuosos, das marcas Bentley, Porsche, Rolls Royce, Bugatti, Maserati e Mercedes, e seis motas importadas dos Estados Unidos, que foram enviadas para a Guiné. Nove desses carros foram confiscados em 2013.”[3]

Em 2010, Lula visitou vários países africanos, incluindo a Guiné Equatorial. Na ocasião, ele foi condecorado pelo ditador (foto ao lado). Durante o seu governo, Lula autorizou empréstimos do BNDS para aquele país.

As relações de Lula com o ditador da Guiné Equatorial continuaram mesmo após o seu mandato como Presidente da República. Assim, narra o site da Isto É: “Mas o relacionamento de Lula com Obiang não se resumiu ao período em que ele esteve no governo. Depois, ainda na condição de dirigente do Instituto Lula, o ex-presidente visitou países africanos para participar do lobby de empreiteiras brasileiras no continente africano. No dia 13 de março de 2013, Lula embarcou num jatinho Falcon, fretado pela Odebrecht, rumo a Malabo, capital de Guiné Equatorial, para conversar com o ditador Teodoro, que pedia a intervenção do ex-presidente na liberação de financiamentos do BNDES para a construção de obras importantes em Guiné. As empreiteiras brasileiras, como a Odebrecht, participavam dos projetos. Nessa viagem, a embaixadora do Brasil em Malabo, Eliana da Costa e Silva Puglia, acompanhou o lobby que Lula fez em favor da Odebrecht para a construção de um aeroporto em Mongomeyer, perto da capital de Guiné. A embaixadora relatou o lobby em correspondências ao Itamaraty, detalhando os pedidos que Obiang fez a Lula para favorecer a Odebrecht. Esses documentos foram anexados à investigação que o Ministério Público Federal abriu na Justiça do Distrito Federal contra o petista por tráfico de influência internacional. Em troca, Lula recebia altas somas da Odebrecht como se tivesse realizado ‘palestras’ na África.”[4]

A vida luxuosa e farta é denominador comum de todos os ditadores de esquerda. Chamou a atenção almoço de Nicolas Maduro em Istambul, na Turquia, num dos restaurantes mais caros do mundo, enquanto na Venezuela a população está morrendo de fome, segundo artigo publicado neste site.[5]

O comunismo e o socialismo pregam a igualdade social e a distribuição de riquezas através das reformas agrária e urbana. Na prática, entretanto, o que vemos é o nivelamento de um povo, às vezes, abaixo do nível da pobreza, e uma elite que governa e desfruta de riquezas e luxos exorbitantes. Isto é visível desde a Rússia de Putin até a Venezuela de Maduro.

O Brasil, graças ao impeachment que destituiu a presidente Dilma, se livrou dessa triste realidade. Entretanto, hoje os partidos de esquerda querem retomar aquela escalada rumo a uma revolução bolivariana. E para isso conta com o apoio das esquerdas católicas e com farto dinheiro que certamente custou o sacrifício e a fome do povo onde estas ditaduras foram implantadas.

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Referências:

[1] https://istoe.com.br/a-mala-suspeita-dos-amigos-de-lula/

[2] https://blogs.ne10.uol.com.br/jamildo/2018/09/20/comprova-%E2%9C%94-nao-ha-indicios-de-que-o-dinheiro-apreendido-em-viracopos-era-destinado-a-haddad-ou-a-adelio-bispo/

[3] https://observador.pt/2016/07/04/a-vida-milionaria-do-filho-do-ditador-obiang-em-paris/

[4] https://istoe.com.br/a-mala-suspeita-dos-amigos-de-lula/

[5] https://ipco.org.br/fome-bolivariana-e-o-banquete-do-ditador/#.W6ar-GhKjIU

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