A propósito do infame atentado a faca contra o candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro, a maioria dos líderes de partidos políticos e do Judiciário que condenaram o ato, falou em “tolerância”. Isto me chamou a atenção, porque parece existir um consenso em torno de tal palavra.

O problema não está na palavra em si, mas na força talismânica com que ela vem carregada. Além dela, há outra: diálogo. A propósito desta última, escreveu o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira o livro Baldeação ideológica inadvertida e Diálogo, no qual descreve como os revolucionários distorcem o sentido original de certas palavras, carregando-as de certa energia a fim de transformar ideologicamente os indivíduos sem que eles o percebam.

Assim como dialogo, da palavra tolerar não se pode dizer que seja intrinsecamente boa, nem intrinsecamente má. “Há casos – diz o Prof. Plinio – em que tolerar é um dever, e não tolerar é um mal. E outros há, em que, pelo contrário, tolerar é um mal e não tolerar é um dever”.[1]

E alerta: “A tolerância consiste em deixar subsistir um mal, para evitar outro maior. Antes de tudo, lembremos que toda tolerância, por mais necessária e legítima que seja, tem riscos que lhe são inerentes. Com efeito, a tolerância consiste em deixar subsistir um mal, para evitar outro, maior. Ora, sucede que a subsistência impune do mal cria sempre um perigo. Pois o mal tende necessariamente a produzir efeitos maus e, além disto, tem uma sedução inegável. Assim, há risco de que a tolerância, por si mesma, acarrete males maiores ainda do que aqueles que por meio dela se desejara obviar.”

Tolerar significa, portanto, aceitar algo ou uma situação a contragosto por não ser o ideal. É o caso de um pai que permite ao filho algo que não é bom, sabendo que se não o fizer poderá provocar uma situação mais crítica no seio familiar. A dificuldade está em saber quando essa tolerância deve existir, e em que ponto.

Hoje em dia, paradoxalmente, os homossexuais, as feministas e os esquerdistas acusam todos os seus adversários de intolerantes. Entretanto, são eles próprios que toleram tudo que é imoral e não toleram que se lhes faça qualquer oposição. Essa intolerância ficou rotundamente demonstrada no recente atentado contra o presidenciável Jair Bolsonaro, que vinha tomando atitudes conservadoras em defesa dos valores da família. A intolerância desses que se dizem tolerantes chegou ao paroxismo de atentar contra a vida dele.

Mais estranho ainda é o fato de que os mesmos que desejavam a sua morte o acusam de ter sido vítima de sua própria intolerância. Dessa forma, as opiniões se dividem entre estes e os que dizem que Bolsonaro foi vítima da violência que ele condena. A “solução”, para outros que poderíamos chamar de terceira força, seria a “tolerância” e o “diálogo”.

Para evitar conflitos dessa natureza, os esquerdistas ditos “tolerantes” desejam silenciar pela ameaça e pela violência os defensores da família e dos bons costumes.

Diante dessa situação, devemos proclamar o nosso amor ao bem e nosso ódio ao mal. O mundo poderá nos reprovar, mas essa reprovação não diminui em nada a nossa fé e a nossa observância dos Mandamentos de Deus, ainda que isso custe a nossa própria vida.

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[1] http://catolicismo.com.br/Acervo/Num/0075/P01.html

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