Diz São Paulo: “Se a trombeta der um som confuso, quem se preparará para a batalha?” (1Cor.  14, 8). Reunida em Brasília, na sua 48ª Assembléia Geral, a CNBB frustrou as expectativas do povo católico, com um documento final vago e complacente com o PNDH-3.

Segundo comenta Evandro Éboli, de “O Globo” (12 de maio), “integrantes da CNBB relataram desconforto com o que chamaram de ‘aparelhamento’ da entidade, com uma assessoria identificada com os movimentos de esquerda e próxima do governo Lula”. O que, em ano eleitoral como aquele em que estamos, não configura a atitude que seria de esperar.

Inspiração chavista

No plenário da reunião, criticou o arcebispo da Paraíba, d. Aldo Pagotto: “Há uma inspiração inegável nos modelos bolivarianos da Venezuela, Bolívia e Equador, cujos governos pregam a democracia participativa de grupos de pressão, inibem o Legislativo e o Judiciário e negam valores transcendentes”

Se é assim – e tudo, absolutamente tudo, indica que os temores do arcebispo sejam fundados –  o que se deveria desejar? Resolutamente rejeitar o conjunto do PNDH-3, e não apenas a esta ou aquela parte, fazendo concessões desavisadas ou complacentes.

“A questão da retirada de símbolos religiosos de locais públicos é periferia, pois na verdade não há lugar no PNDH para valores perenes”, insistiu d. Aldo.  Ou seja, criticar apenas alguns tópicos do documento seria ficar na “periferia”. O núcleo do documento é inaceitável. É preciso rejeitá-lo em seu conjunto, com celeridade e resolução…

“O texto é cheio de proposições ambíguas que misturam direitos humanos com leis feitas por minorias e grupos de pressão, de acordo com uma ética de situação ou das circunstâncias”, prossegue o lúcido arcebispo. Ou seja, em rota de colisão com a moral católica.

Em sentido contrário ao de D. Aldo, o bispo de Jales, D. Demétrio Valentini, resumiu a posição de diversos Bispos presentes:

“— É preciso admitir a pluralidade. Temos que ser mais condescendentes e aceitar a coisa contrária” — disse.

O mesmo comentarista de “O Globo” ressalta que “as posições contrárias ao programa foram calorosamente aplaudidas”. Conseguiram elas mitigar muito o apoio ao PNDH-3 no documento final da CNBB, que, entretanto, ainda deixou muito a desejar, faltando a necessária rejeição global do decreto governamental. A declaração recebeu 236 ‘sim’, num total de 248 votos, o que equivale a 95% dos votantes.

Não admira, pois, que as “minorias” e “grupos de pressão” denunciadas por D. Aldo, mostrem satisfação em que a “trombeta”, a que aludimos no início, dê “um som confuso”. Temos entretanto como guia seguro o ensinamento tradicional da Igreja. Este ensinamento não dá um som confuso. Ele é límpido, claro, perene. E como estão em jogo os valores supremos da cristandade em nosso País, nada deve deter ou atenuar nossa luta sem rebuços contra esse conjunto insidioso e esquerdizante, que é o PNDH-3.