Carlos Vitor Valiense

No dia 23 junho foi lançado na capital italiana o livro redigido por José Antonio Ureta[1] com o título “A ‘mudança de paradigma’ do Papa Francisco: Continuidade ou ruptura na missão da Igreja? – Balanço quinquenal de seu pontificado”.

Para muitos uma bombástica investida para esclarecer pontos essências da nossa fé que continuamente vem sendo vilipendiada de uma forma bruta, ou pior ainda causando uma confusão que chega até à perda da fé.

Cada vez mais estamos infectados com o relativismo, essa doença do século é feita das mais frágeis aparências de verdade, não se tem certeza de nada tornando a verdade algo subjetivo. Entretanto, no caso teológico, a verdade revelada e infalível e indiscutível, pois a fé é uma certeza e não comporta dúvidas ou meras opiniões.

Sem em nenhum momento perder o devido respeito à dignidade Petrina, J.A. Ureta buscou da melhor e mais respeitosa maneira expor a presente tormenta pela qual atravessa a Igreja e que se manifesta em atos desconformes com a tradição e com os ensinamentos dos pontífices anteriores. Com o direito que os leigos recebem da Igreja pelo Batismo, o autor apresenta tais problemas e mostra, em cada caso, quais são as desconformidades com a doutrina e o ensinamento de sempre.

Sobre o protagonismo leigo, em Canal do Youtube de Sua Excelência Reverendíssima Dom Henrique Soares da Costa bispo da Diocese de Palmares, PE, em programa do dia 04/05/2018 diz: “Que os leigos são povo de Deus e tem direito de falar. Tanto falar privadamente como falar na internet, falar nas redes sociais, isso é um direito dos leigos. Quanto aos leigos fazerem criticas a coisas da Igreja também é um direito deles. Temos que reconhecer que é um direito que brota do Batismo, da Crisma e da Eucaristia, é um direito Divino. Como é um direito do bispo e dever do bispo pastorear o rebanho. Então a única coisa que eu chamo atenção é que essas coisas sejam feitas primeiro com Amor. Temos de sempre olhar o nosso coração, sempre vigiar para que nossas palavras sejam motivadas pelo amor a Cristo, pelo sentido do Evangelho, nunca pelo ódio, pela revanche por querer se sobrepor. Então, discernir os espíritos para ver se são de Deus. Essa é a primeira coisa.

A segunda coisa falar com responsabilidade, porque quando algo cai na rede e não é depurado, é uma injustiça. Temos que perguntar: ‘Isso aqui vai edificar ou isso vai desconstruir?’. Isso vai ajudar a Igreja a se purificar e crescer, a Igreja sempre vai precisar de purificação. Ela é santa! Ela não é santa e pecadora! A Igreja é só santa, na sua essência. Mais ela é formada por pessoas imperfeitas que têm suas falhas, suas feridas, suas ideologias, suas coisas, suas manias, suas imperfeições. Então, os pastores também são passíveis de criticas, também não estamos à cima do bem e do mal. Agora a gente tem que se perguntar: ‘isso que estou colocando vai edificar ou não?’. Ai é rezar mesmo e procurar discernir e procurar orientação de alguém que possa com sabedoria orientar.

Terceira coisa: Ainda que eu tenha que fazer alguma critica eu devo fazê-la com respeito, com a ponderação que se espera de um Cristão. E, sobretudo quando essa critica é aos Pastores da Igreja, então que se faça com respeito e com aquela moderação que se espera. E quanto aos pastores às vezes doe escutar algumas coisas e sobretudo quando a gente não se vê muito naquela critica, acha que é injusta, mais faz parte do nosso pastoreio também ouvir isso e procurar fazer um exame de consciência. Então eu acho que sem paixão e com a serenidade se pode sempre tirar proveito dessas coisas.

E quanto aos leigos eu acho bonito quando eles agem como leigos […] Espero ter ficado claro quanto a isso. Os leigos têm esse direito, não é dado pelo bispo, como o meu sacramento não é dado pelos leigos, esse direito dos leigos não é dado pelo bispo é concedido pelo Sacramento do Batismo, da Crisma e da Eucaristia, é direito divino: ‘recebeste a unção dos santos’, diz a primeira carta de São João.

Rezemos pela Igreja, é um período bem turbulento, mas faz parte, pode ser sinal de crescimento e de que não estamos mortos. É o que eu posso dizer.[2]

Amor, respeito e ponderação cristã, assim o estimado sucessor dos Apóstolos resumiu a forma como um leigo deve se referir quando faz alguma critica a tão nobre instituição que é a Santa Igreja. Não nos convém aqui usar do corriqueiro e destruidor politicamente correto e sim do respeito e amor ao santo magistério.
As presentes observações deste período turbulento são pontuados no livro nos seguintes tópicos:

  • O retraimento pastoral dos valores não negociáveis‖
  • Promoção da agenda neomarxista e altermundialista dos movimentos sociais.
  • Promoção da agenda verde, da governança mundial e de uma mística ambígua em relação à Mãe Terra.
  • Favorecimento da imigração e do Islã. Parcimônia em relação aos cristãos perseguidos do Oriente Médio.
  • Indiferentismo religioso, relativismo filosófico e evolucionismo teológico.
  • Uma nova moral subjetiva, sem imperativos absolutos.
  • Mudança de paradigma em um caso concreto: o acesso à comunhão aos divorciados recasados.
  • O denominador comum da mudança de paradigma: adaptar-se à Modernidade revolucionária e anticristã.
  • O reverso da medalha: a simpatia dos poderes mundanos e de correntes anticristãs.
Epístola aos Gálatas, II, 11 Mas, tendo vindo Cefas a Antioquia, eu lhe resisti na cara, porque merecia repreensão. 12 Porque, antes que chegassem alguns de Tiago, ele comia com os Gentios; mas, depois que eles chegaram, retirava-se e separava-se (dos Gentios), com receio dos que eram circuncidados. 13 E os outros Judeus imitaram-no na sua dissimulação, de sorte que até Barnabé foi induzido por eles àquela simulação. 14 Porém eu, tendo visto que eles não andavam direitamente, segundo a verdade do Evangelho, disse a Cefas, diante de todos: Se tu, sendo Judeu, vives como Gentio e não como Judeu, porque obrigas os Gentios a judaizar?

A abertura irresponsável às imigrações, adesão total às esquerdas, omissão em reprovar o aborto, feminismo dogmático, invasão de terras, multiculturalismo, ecologismo psicótico, globalismo, favorecimento do islã, apoio tácito à revolução homossexual, desculpabilização do adultério, são os mais pontuados temas da agenda pontifícia durante os cinco anos de pontificado.

O Sr Ureta não só pontua os erros como busca uma solução para estes presentes problemas da mais estrita influência da revolução dentro da igreja, a melhor forma de combate é o ataque contra a revolução nos meios eclesiais, é a resistência e a não adesão aos erros.

Assim, segundo o referido livro, o que devemos fazer? —“Cumpre recusar essa falsa alternativa, reconhecendo o Papa Francisco como o Vigário de Cristo da Terra e os nossos bispos diocesanos como sucessores dos Apóstolos, mas sem deixar por isso de ‘resistir-lhes em face’, como São Paulo resistiu a São Pedro.

Na confusão atual, que corre o risco de se agravar num futuro não longínquo, uma coisa é certa: os católicos fiéis ao seu batismo jamais tomarão a iniciativa de romper o laço sagrado de amor, de veneração e de obediência que os une ao sucessor de Pedro e aos sucessores dos Apóstolos, ainda que esses possam eventualmente oprimir suas consciências e autodemolir a Igreja. Se, abusando de seu poder e buscando forçá-los a aceitar seus desvios, tais prelados vierem a condená-los por causa de sua posição de fidelidade ao Evangelho e de resistência à autoridade, serão esses pastores, e não os católicos fiéis, os responsáveis por essa ruptura, tal como aconteceu com Santo Atanásio — vítima de um abuso de poder, mas estrela no firmamento da Igreja”.[3]


Notas:
[1] José Antonio Ureta nasceu em Santiago do Chile em 1951. Pesquisador, conferencista e escritor, reside há algumas décadas na Europa e tem como área de interesse questões relacionadas com a Igreja e a Civilização Cristã, na esteira do pensamento de Plinio Corrêa de Oliveira, sintetizado em sua obra-mestra Revolução e Contra-Revolução.

[2] https://www.youtube.com/watch?v=h0svTM9eDLs Transcrição das palavras de Dom Henrique sobre o protagonismo leigo.

[3] file:///C:/Users/Carlos%20Vitor/Downloads/A-mudan%C3%A7a-de-paradigma-do-Papa-Francisco.pdf

 

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