Bota russa: problema ucraniano, problema brasileiro

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    Hoje li uma notícia bem pequena, mas quão significativa, sobre o problema russo-ucraniano. O vice-presidente americano esteve em visita oficial à Ucrânia, e de lá pediu que o presidente russo, Vladimir Putin, “cumpra os compromissos firmados nos Acordos de Minsk para a paz no leste da Ucrânia” (OESP, 8/12/15). Se está pedindo para cumprir, é porque desde a assinatura do acordo, em setembro de 2014, até agora, a Rússia o tem descumprido… elementar, meu caro Watson!

    Continua a notícia, com as palavras do vice-presidente dos EUA: “Os acordos de Minsk não terão sucesso se a Rússia não cumprir  o que tantas vezes prometeu ao presidente Barack Obama e à comunidade internacional”, disse Biden ao lado do presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko (ibid.)”

    Que interesse tem isso para o Brasil? A meu ver dois, um indireto e outro direto:

    1 – Indireto: Cresce na Europa, sobretudo após os atentados de Paris, o desejo de formar uma frente única contra o Estado Islâmico. Até aí, nada de mais louvável. O que preocupa é a tendência de alguns setores a devotar à Rússia uma benevolência ingênua e por vezes incondicionala, para este e outros efeitos. O que, a meu ver, dará mais liberdade a Putin para continuar descumprindo os acordos de Minsk, e permanecer com sua bota – de solado semelhante às soviéticas –  por cima dos países do leste europeu, cuja soberania se vê cada dia mais ameaçada. E o atentado impune e ilegítimo à soberania de um país, ainda que longínquo como a Ucrânia, é de algum modo um atentado à própria noção de soberania. E um país cioso de sua soberania não pode deixar de se interessar pelo assunto.

    2 – Direto: Sem que a opinião pública fosse suficientemente informada a respeito, 2015 assistiu a uma intensa rodada de negociações Rússia-Brasil, nos setores de tecnologia, saúde, defesa (sic!), entre outros. Muitas delas envolvendo estatais russas. Humm… negociações em setores importantes com quem promete e não cumpre sequer um tratado de paz?

    Sobre essa “rodada de negociações”, bem como as circunstâncias que a envolvem, pretendo tratar em posterior artigo.