Chávez acelera a cubanização da Venezuela

    Hugo Chávez, com o seu amigo e suporte político, o ditador cubano Raúl Castro.

    Atilio Faoro

    O jornal ABC de Madrid (7/6/2010) informa que o líder venezuelano Hugo Chávez reforçou a presença de cubanos em setores vitais do país. “Somos a mesma coisa”, afirmou o ditador cubano Raúl Castro em sua última visita a Caracas, há cerca de um mês. Seu anfitrião o corrigiu: “Somos a mesma pátria”.

    «Nos anos 60, Fidel Castro tentou três vezes invadir as costas venezuelanas”, recorda o vice-almirante Iván Carratú, ex-diretor do Instituto de Altos Estudos de Defesa Nacional.

    O que Cuba não conseguiu no passado, agora o está conseguindo sem disparar um tiro. Desta vez, o exército cubano “não nos está invadindo, no sentido literal da palavra. A submissão do chavismo não é consequência de uma derrota militar, e tão pouco existem condições no mundo que justifiquem uma aliança desta natureza”, explica o analista Manuel Felipe Sierra.

    Oficialmente, Chávez sustenta que a presença cubana não passa de 30.000 agentes. Entretanto, outras cifras oficiais falam de 60.000 cubanos distribuídos em áreas chaves como segurança, inteligência, assessoramento policial e militar, controles de registros de identidade, passaportes e cartórios de registro de imóveis.

    Também a importação de alimentos está em mãos de cubanos, incluídas as 70.000 toneladas de comida que chegam nos portos venezuelanos. O aeroporto de Caracas recebe os vôos diários de cubanos como se fossem “fantasmas” pela falta de registro oficial.

    “O plano de perpetuar-se no poder de Chávez necessita de uma estrutura de segurança e espionagem cultivada durante 50 anos pela KGB soviética e pela Stasi alemã. Isso o tem Cuba”, sustenta Sierra.

    Em troca desta “ajuda” de Cuba, Chávez envia 95.000 barris diários de petróleo ao regime castrista, o que garante o prolongamento da falida economia cubana. Ademais, à medida que cai a popularidade de Chávez – como acontece agora com a crise econômica, com a falta de alimentos nas prateleira e de energia, 66% dos venezuelanos afirma estar totalmente insatisfeito com a sua gestão – o mandatário venezuelano necessitará cada vez mais ajuda de cubanos para consolidar seu projeto totalitário.