Atilio Faoro

A influência chinesa no Canadá é marcante, como se pode verificar no “Chinatown” de Toronto.

Vem-se anunciando nas últimas semanas “a mais recente onda migratória da história da China”.

Empresários chineses que fizeram fortuna e estudantes de universidades ocidentais preferem abandonar o país. O que está acontecendo? Onda migratória ou onda de fugas?

Segundo Didi Kirsten Tatlow, do “The New York Times”, “mesmo a China se tornando um país cada vez mais rico, o número de pessoas com muito dinheiro preferindo emigrar é grande”.

“Muitos dos meus clientes são novos milionários, sabem que a realidade atual nem sempre foi a que prevaleceu no país e se perguntam por quanto tempo ela poderá se sustentar”.

É o que diz Mikael Charette, especializado na migração de investimentos para o Quebec, Canadá, em uma menção ao período de turbulência vivido pelos chineses durante as três décadas de regime maoísta.

No ano passado, pela primeira vez, cidadãos chineses formaram o maior grupo de imigrantes da Austrália, desbancando grupos tradicionais como os da Grã-Bretanha e Nova Zelândia.

Cláudia Trevisan, em artigo para a imprensa paulistana (OESP, 15-8-2010) confirma a informação: “Milhares de chineses preferem deixar seu país e se mudar para os EUA, Canadá, Austrália, Europa e regiões vizinhas da Ásia. Engrossam a que é considerada a mais recente onda migratória da história da China”.

“Os que lideram o movimento atual não são pessoas desesperadas fugindo da miséria ou do caos político. Integram a nova elite do país, que se muda em busca de melhor educação para os filhos, segurança econômica, ar puro e mais liberdade”, afirma Trevisan.

O movimento se acelerou nos últimos anos, com aumento do número de estudantes que vão para universidades de prestígio e não retornam à China, empresários que preferem a clareza das regras de países estrangeiros do que a incerteza criada pelo regime de partido único e pessoas que pretendem iniciar pequenos negócios com a poupança acumulada em solo chinês.

No período entre 1980 e 1989 — a primeira década depois das reformas econômicas de 1978 —, os EUA deram vistos permanentes de residência a 315 mil chineses. O número subiu para 410 mil na década seguinte e atingiu 637 mil entre 2000 e 2009. Neste mesmo período, 349 mil chineses obtiveram a cidadania americana, o que implica abrir mão da chinesa, já que Pequim proíbe a dupla nacionalidade.

“Aqui eu nunca sei se as coisas são verdadeiras ou falsas”, diz Liu Leng, engenheira de software que se inscreveu no programa canadense de imigração de profissionais especializados. Liu não se refere apenas aos clássicos relógios, DVDs e bolsas piratas. Fala de coisas essenciais, como remédios e alimentos. “Quando há problemas, não temos para quem reclamar, a Justiça é inoperante.”

3 COMENTÁRIOS

  1. Tem horas que temos que olhar para o nosso nariz apenas, eua, china, etc sempre olharam para nós com olhos de cobiça. Se nem nossos governantes olham por nós quem dirá os governantes de outros países ?

  2. É a tal história da armadilha. É preciso colocar uma isca para atrair a vítima (o capital do idiota-útil branco e de olhos azuis) depois que todos entram trancam-se as portas, só os bobos não percebem, ou não querem perceber

  3. Sempre me pareceu que são as duas coisas juntas. Muitos fogem, talvez quase todos, com a conivencia do estado. Mas, conseguida a liberdade, ficam o coração preso à pátria e, também por interesse económico, tornam-se os agentes que permitem à China aumentar cada vez o seu poder fora da China. Já fora, já livres, mas ainda com os hábitos que adquiriram, são os vendedores que fazem os maiores sacrifícios para venderem os produors chinese ao menor preço possível

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