Condenação ideológica ao agronegocio?

    Por quê?

    Mais uma vez o Agronegócio salvará o Brasil. Por que condená-lo?!

    Em ano ruim, o agronegócio poderá salvar as contas externas do País. A exportação de cana trará us$ 12 bi, a de laranja, us$ 2 bi, a de carne bovina, us$ 5 bi, a de café, us$ 5 bi.

    É provável que o agronegócio traga mais de us$ 70 bi ao país neste ano. Quero compartilhar com o leitor da Folha um incômodo.

    Por interesses distintos e por falta de conhecimento, insiste-se em contrapor no Brasil três coisas que não são contrapostas e que atrapalham nosso planejamento e nosso desenvolvimento.

    A primeira é “agricultura contra ambiente” ou “ruralistas contra ambientalistas”. O agricultor tem de ser ambientalista.

    A segunda é “agricultura familiar contra agricultura empresarial”. Passa a impressão de que, se é familiar, não pode ser empresarial.

    Se é assentado, o agricultor não pode ser competitivo.No Brasil, existe uma só agricultura, a líder mundial.

    Somos também um caso raro de país que tem dois ministérios para o mesmo assunto.

    A terceira é a ignorância em relação ao conceito de agronegócio. Somos obrigados a ver propaganda eleitoral dizendo que “somos contra o agronegócio, contra a opressão, contra a violência…” e contra tudo o que gera renda – provavelmente a favor apenas da perpetuação da miséria.

    (…)O agronegócio brasileiro vem conquistando respeito internacional. Todos querem saber mais para entender o que fizemos e nossa capacidade de suprir o mundo de alimento e energia renovável de maneira sustentável.

    Exemplo é a reportagem feita pela revista “The Economist” em 26 de agosto, que diz que “o mundo está enfrentando uma crise na produção de alimentos e deveria aprender com o Brasil”.

    O agronegócio gera renda para ser distribuída no Brasil. É um setor que merece respeito e admiração.

    Leia artigo completo de Marcos Fava Neves na Folha de S. Paulo, 25 de setembro de 2010.