Marcher-contre-la-TerreurMarcher contre la Terreur (Marchar contra o Terror), foi o título com o qual “Le Monde” [foto], “Corriere della Sera” e os grandes jornais ocidentais apresentaram o grande desfile laicista de 11 de janeiro. Nunca um slogan foi mais hipócrita do que esse, imposto pelos meios de comunicação de massa como reação ao massacre de Paris de 7 de janeiro. Com efeito, que sentido há falar de Terror sem adicionar ao substantivo o adjetivo “islâmico”?

O ataque à redação de “Charlie Hebdo” foi perpetrado ao grito de “Allah akbar!” para vingar Maomé ofendido pelas caricaturas e por detrás dos Kalashnicovs terroristas há uma visão precisa do mundo: a muçulmana. Só agora as agências de inteligência ocidentais começam a levar a sério as ameaças de Abu Muhammad al-Adnani [foto abaixo], contidos em um comunicado multilíngue difundido em 21 de setembro de 2014 pelo quotidiano online “The Long War Journal”.

“Conquistaremos Roma, espezinharemos suas cruzes, faremos escravas suas mulheres com a permissão de Alá, o Altíssimo”, declarou a seus sequazes o porta-voz do “Estado islâmico”, que não simplesmente repetiu que exterminará os “infiéis” onde quer que estiverem, mas mostrou também de que modo:“Colocai explosivos em suas estradas. Atacai suas bases, irrompei em suas casas. Cortai suas cabeças. Que eles não se sintam seguros em nenhum lugar! Se não conseguirdes encontrar os explosivos e as munições, isolai os infiéis americanos, os franceses infiéis ou  não importa quais outros de seus aliados: esmagai seus crânios a golpes de pedra, matai-os com uma faca, atropelai-os com os vossos carros, jogai-os no precipício, sufocai-os ou envenenai-os”.

Marcher-contre-la-Terreur-Paris

Há uma ilusão de que a guerra atual não é aquela declarada pelo Islã ao Ocidente, mas uma guerra travada dentro do mundo muçulmano, e que a única maneira de salvar-se seria ajudar o Islã moderado a derrotar o Islã fundamentalista, como escreveu no “Corriere della Sera” em 11 de janeiro Sergio Romano, um observador que entretanto passa por inteligente. Na França, o slogan mais repetido é o de evitar o “amálgama”, ou seja, a identificação entre o Islã moderado e o radical. Mas o fim comum a todo o Islã é a conquista do Ocidente e do mundo. Quem não compartilhar esse objetivo não é um moderado, simplesmente não é um bom muçulmano.

As divergências, quando existem, não dizem respeito ao fim, mas ao meio: os muçulmanos da Al Qaeda e do ISIS abraçaram a via leninista da ação violenta, enquanto a Irmandade Muçulmana utiliza a armagramsciana da hegemonia intelectual. As mesquitas são o centro de propulsão da guerra cultural, que Bat Ye’or define como softjihad, enquanto com o termo hardjihad ela define a guerra militar para aterrorizar e aniquilar o inimigo. Pode-se discutir, e certamente se discute dentro do Islã, sobre a escolha dos meios, mas há concórdia quanto ao objetivo final: a extensão para o mundo da sharia, a lei corânica.

F

O Islã é em qualquer caso um substantivo verbal traduzível por “submissão”. A submissão para evitar o Terror, o cenário do futuro europeu imaginado pelo romancista Michel Houellebecq em seu último livro — Soumission [foto acimaapressadamente retirado das livrarias francesas. Não ao Terror significa para os nossos políticos não à submissão violenta dos jihadistas e sim a uma submissão pacífica, que conduz suavemente o Ocidente a uma condição de inferioridade.

O Ocidente se diz disposto a aceitar um Islã “com face humana”, mas na realidade o que ele rejeita no Islã não é só a violência, mas também o seu absolutismo religioso. Para o Ocidente há uma licença para matar, não em nome de valores absolutos, mas em nome do relativismo moral. Por isso, o aborto é praticado de forma sistemática em todos os países ocidentais e nenhum dos chefes de Estado que marcharam em Paris contra o Terror jamais o condenou. Mas o que é o aborto senão a legalização do Terror, o Terror promovido, encorajado, justificado pelo Estado? Que direito têm os líderes ocidentais de marchar contra o Terror?

Em “La Repubblica” de 13 de janeiro de 2015, enquanto Adriano Sofri, ex-chefe de Lotta Continua [NdT: formação maoísta turinense, uma de cujas facções juntou-se às organizações terroristas], celebra a Europa que renasce sob a Bastilha, a filósofa pós-moderna Julia Kristeva, cara ao cardeal Ravasi, afirma que “a praça Iluminista salvou a Europa”, e que, “diante dos riscos que estavam correndo, liberdade, igualdade e fraternidade deixaram de ser conceitos abstratos, encarnando-se em milhões de pessoas”. Mas quem inventou o Terror senão a França republicana, que o utilizou para esmagar toda a oposição à Revolução Francesa? A ideologia e a prática do terrorismo apareceram pela primeira vez na História com a Revolução Francesa, especialmente a partir de 5 de setembro de 1793, quando o “Terror” foi colocado na ordem do dia pela Convenção e se tornou parte essencial do sistema revolucionário. O primeiro genocídio da História, o da Vendéia, foi perpetrado em nome dos ideais republicanos de liberdade, igualdade e fraternidade. O comunismo, que pretendeu completar o processo de secularização inaugurado pela Revolução Francesa, colocou em vigor a massificação do terror em escala planetária, provocando, em menos de 70 anos, mais de 200 milhões de mortes. E o que é o terrorismo islâmico senão uma contaminação da “filosofia do Alcorão” com a prática marxista-iluminista importada do Ocidente?

Marcher-contre-la-Terreur-Guilhotina

Desde a sua fundação, “Charlie Hebdo” é um jornal em que a sátira foi posta a serviço de uma filosofia de vida libertária, cujas raízes provêm do Iluminismo anticristão. O jornal satírico francês tornou-se famoso por suas caricaturas de Maomé, mas não devemos esquecer suas repugnantes caricaturas blasfemas publicadas em 2012 para reivindicar a união homossexual. Os editores de “Charlie Hebdo” podem ser considerados a expressão extrema mas coerente da cultura relativista difundida agora em todo o Ocidente, assim como os terroristas que os assassinaram podem ser considerados a expressão extrema mas coerente do ódio contra o Ocidente de todo o vasto mundo islâmico.

PRC_CrucifixoAqueles que afirmam a existência de uma Verdade absoluta e objetiva são equiparados pelos neo-Iluministas aos fundamentalistas islâmicos. Porém, é o relativismo que se equipara ao islamismo, porque ambos estão unidos pelo fanatismo. O fanatismo não é a afirmação da verdade, mas o desequilíbrio intelectual e emotivo que nasce do distanciamento da verdade. E só há uma verdade em que o mundo pode encontrar a paz, que é a tranquilidade da ordem: Jesus Cristo, Filho de Deus, em função do qual todas as coisas devem ser ordenadas no Céu e na Terra, a fim de que se realize a paz de Cristo no Reino de Cristo, apontada como o ideal de todo cristão pelo Papa Pio XI em sua encíclica Quas Primas de 11 de dezembro de 1925.

Não se pode combater o Islã em nome do Iluminismo, e menos ainda do relativismo. Só se lhe pode opor as leis natural e divina, negadas pela raiz tanto pelo relativismo quanto pelo Islã. Por isso levantemos ao alto aquele Crucifixo que o secularismo e o islamismo rejeitam e façamos dele uma bandeira de vida e de ação. “Nós — dizia São Paulo —pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios” (I Cor 1, 23). Poderíamos repetir: “Nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os muçulmanos e loucura para os laicistas”.

Fonte: “Corrispondenza Romana”, Nº 1373, 14 de janeiro de 2015. 

Tradução de Hélio Dias Viana

8 COMENTÁRIOS

  1. Excelente artigo do prof. De Mattei.
    Basta um mínimo de reflexão, e se perceberá que o islamismo “moderado” fornece todo o apoio logístico para se perpetrar
    a ofensiva dos radicais do islã.
    Leia-se com atenção as ameaças proferidas por esse tal Abu Muhammad.
    Os islamitas já estão instalados, há muito, na Europa….
    Agora é só agir….

  2. Excelente artigo, é assim mesmo o que é o Islã que a patrulha da ditadura do politicamente correto e o dinheiro dos ‘petrodólares’ tentam esconder do mundo, com intenção de subjugar todos os povos pela Sharia. Eles sãos os filhos do pai da mentira que é homicida desde o princípio. (São João 8, 44)

  3. Também acredito que cedo ou tarde vai haver uma conversão deste povo e da China. Li muitos relatos que alguns muçulmanos já aderiram ao cristianismo, mas vivem aparentemente seguindo o alcorão por causa da perseguição. Este grupo extremista não representa o povo de lá, mas usa a religião para justificar seus atos. São Sebastião era cristão, mas disfarçado, que dentro da corte do cruel imperador, ajudava a salvar os católicos condenados a morte. Em muitos lugares Deus perde fiéis, mas ganha em outros. Estou perplexa hoje pela brutalidade do grupo ao piloto da Jordânia.

  4. “Conquistaremos Roma, espezinharemos suas cruzes, faremos escravas suas mulheres com a permissão de Alá, o Altíssimo”. Isto posto por seus sequazes líderes. Não devemos ter medo das ameaças desse povo com a mente revoltada, por falta de conhecimento Bíblico. Nós católicos fomos e somos perseguidos durante toda nossa vida. Como foi o exemplo de Fadelle (Muçulmano) e sua família que se converteram ao catolicismo, assim também acontecerá com muitos que pertencem ao islã quando seus fiéis passarem a ler o Corão da mesma forma como Fedelle e sua esposa leram, meditando tudo o que está escrito para então abrirem os olhos sobre o que é o islamismo. Nossa Senhora disse: “Por fim o meu coração triunfará”. Creio profundamente que a conversão deverá acontecer também do islamismo para o catolicismo, após uma profunda leitura sobre a “Bíblia Católica”, Bíblia esta sem exclusão de nenhum livro e inteiramente transcrita dos livros inspirados pelo Espírito Santo que contém a palavra de Deus. A Bíblia é uma mensagem que Deus dirigiu e continua a dirigir aos homens, porém sem modificação como é a Bíblia Católica. A Bíblia completa tem 73 escritos, sendo 46 livros do Antigo Testamento e 27 do Novo Testamento. Os livros da Bíblia apresentam um conteúdo de extraordinária variedade. Acham-se ai por exemplo: fragmentos de epopéia; narrações propriamente históricas; listas genealógicas; narrações episódicas ou romanceadas; oráculos proféticos e sermões; textos legislativos; poemas e orações; ensaios filosóficos; um canto de amor; cartas. Esta é a Bíblia completa que deixa qualquer fiel inteiramente apaixonado pelo catolicismo que nos trás a verdade da fé. Disse Jesus: “EU SOU O CAMINHO A VERDADE E A VIDA”. “QUEM ME SEGUIR, NÃO ANDARÁ NAS TREVAS”.

  5. A ordem do Corão é conquistar à força o mundo todo para o islamismo. Enquanto o mundo muçulmano não tinha grandes recursos financeiros, essa possibilidade de grandes conquistas estava estacionada. Mas aí surgem os petrodólares ociosos que enriqueceram alguns países muçulmanos e deram ocasião ao terrorismo em nome de Alá. Claro que aí entram outros fatores, como a necessidade de destruir os judeus. Mas o fermento desse mal já está no Corão e na mente dos mestres religiosos islâmicos há mais de 1400 anos.

  6. Há grandes diferenças entre o mundo cristão e o muçulmano, o calendário de um é diferente do outro, um proibe ingestão de bebidas alcoólicas, carne de porco e seus derivados, o outro libera, um tem
    sexta-feira como dia de descanso, o outro, o domingo, as leis na sociedade
    muçulmana não podem contrariar o Alcorão, na sociedade cristã, a aprovação
    depende de uma decisão do povo e dos governantes, a poligamia é permitida, enquanto proibida entre os cristãos, e finalmente, na sociedade a muçulmana a mulher não pode trabalhar numa gama muito grande de atividades, não pode dirigir, viajar sem autorização marido etc…
    Este conjunto de diferenças, acaba provocando um desnível, tanto no aumento da população, quanto no crescimento econômico, provocando um êxodo do mundo muçulmano para o cristão, se não houvesse esta “interface”, não haveria conflito, cada um viveria no seu mundo, isolado, encarando sua verdade, sua noção de “certo ou errado”.
    Mas a disparidade entre os dois universos, a comparação, incomoda um dos lados, que reage, buscando por métodos espúrios, tornar tudo igual, segundo sua régua! (ou segundo suas regras)!
    Uma maioria muçulmana não aceita viver num ambiente regulado
    por leis e costumes cristãos, cedo ou tarde iniciam uma revolução separatista! Este é o risco que correm países que receberam levas de imigrantes muçulmanos, podem estar com uma bomba relógio pronta para detonar mais lá na frente!

  7. Bem, este jornal também fez charge ofensiva com símbolos cristão. Podemos deduzir que seus integrantes não acreditam em Deus Criador. Se assim for, então os ateus não tem segurança nenhuma, pois sua liberdade de expressão pouco importa para os radicais islâmicos, são considerados infiéis do mesmo jeito. Eles, só tem liberdade de falar em países de cultura cristã, pois ali há Deus e rezamos por todos. Então, para quem não acredita em Deus, não está seguro, é melhor ter pelo menos alguém que reze pelos ateus, assim eles ficam protegidos.

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