Diálogo Vaticano-China atualiza livro do Prof. Plinio sobre estratégia comunista

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As palavras do Papa Francisco a respeito de seu Diálogo com a China, reproduzidas por diversas midias sociais, insistentemente reafirmam a palavra-talismã “diálogo”, com os comunistas chineses, como única via, lenta, paciente, que requer um longo tempo de aplicação: “leva um século”.

Ora, o livro publicado pelo Prof. Plinio (1965), Baldeação Ideológica Inadvertida e Diálogo, esclarece o sentido hegeliano e dialético dessa palavra-talismã. Vejamos as declarações do Papa Francisco.

“Leva um século”, insistimos no Diálogo

Afirmou o Papa Francisco: “Leva um século para entender a China, e não vivemos um século. A mentalidade chinesa é uma mentalidade rica e quando fica um pouco doente, perde riqueza, é capaz de errar. Para compreender, escolhemos o caminho do diálogo, aberto ao diálogo. Há uma comissão bilateral Vaticano-China que está indo bem, devagar, porque o ritmo chinês é lento, eles têm uma eternidade para continuar: são um povo de paciência infinita.” (1)

Não condena o comunismo chinês

Continua: “Não me apetece qualificar a China de antidemocrática, porque é um país tão complexo… é verdade que há coisas que nos parecem não democráticas, é verdade. O Cardeal Zen irá a julgamento nestes dias, eu acho. E ele diz o que sente, e isso mostra que há limitações aí. Mais do que qualificar, porque é difícil, e não me apetece qualificar, são impressões, procuro apoiar o caminho do diálogo.

Não há verdade objetiva, não há conceitos universais

Vejamos, pelo contrário, as declarações de Xi Jinping:

“A democracia não é para decoração, mas para resolver problemas que as pessoas precisam resolver”, disse Xi. Democracia na China significa que “o povo é o senhor do país”. Este é o significado etimológico de “democracia”, mas como o povo fala e é representado? Na China, respondeu Xi, isso acontece por meio da “direção do Partido”. A prova de que o Partido representa o povo é oferecida pelos “milagres econômicos” e pela construção de uma nação poderosa e estável. (2)

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Diálogo é palavra-talismã na estratégia comunista

As palavras do Papa Francisco dão nova atualidade ao livro do Prof. Plinio Baldeação Ideológica Inadvertida e Diálogo, que denuncia a instrumentalização do Diálogo como arma estratégica do comunismo para a conquista do Ocidente.

“Em 1963 publicamos um estudo intitulado “A liberdade da Igreja no Estado comunista”. Traduzido para vários idiomas, transpôs esse trabalho a cortina de ferro, e o Sr. Zbigniew Czajkowski, um dos dirigentes do movimento “comuno-católico” Pax, da Polônia, julgou necessário imunizar contra ele o público de seu país, dando a lume nos periódicos “Kierunki” e “Zycie i Mysl” de Varsóvia, dos quais é colaborador, uma carta aberta a nós dirigida, na qual procurava opor-lhe ampla refutação (*).”

O líder católico-comunista, Czajkowski, insiste na palavra Diálogo:

Posteriormente, ” … o Sr. Z. Czajkowski enumerou as vantagens que via no simples fato de discutirmos, vantagens estas que decorreriam da discussão enquanto tal, embora não estivéssemos chegando a um acordo. Nas entrelinhas do que o jornalista de “Pax” escreveu a este propósito, transparecia uma imponderável mas real influência hegeliana.”

Estava decifrado o enigma: pressuposto hegeliano e dialético do Diálogo

Vamos aplicando as considerações do Prof. Plinio (em 1965) ao diálogo Vaticano-China, que é lento, pode durar um século …

Continua o Prof. Plinio:

“E – pequena circunstância rica em perspectivas – aplicando o pressuposto hegeliano e dialético a todas as palavras cujo desvirtuamento nos impressionava, eis que o sentido desse mesmo desvirtuamento se esclarecia de modo surpreendente. Estava ipso facto explicitado para nós o ponto de referência que explica e ordena todo o conjunto de nossas anteriores observações e impressões, e ficava posto a nu o ardiloso processo de guerra psicológica que até então apenas nos fora dado entrever. Como o Sr. Z. Czajkowski se referia propriamente à discussão, veio-nos à mente, por uma explicável associação de imagens, que tudo quanto ele dizia sobre o assunto era estreitamente semelhante ao que ouvíramos ou lêramos sobre o diálogo, palavra esta de um significado multiforme e enigmático que assim se nos tornava claro. Em conseqüência se desvendava para nós a importância de certos vocábulos, e especialmente de “diálogo”, como ardil de guerra psicológica.” (3) (Baixe o pdf gratuitamente https://www.pliniocorreadeoliveira.info/livros/1965.pdf)

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E o Cardeal Zen? Vítima da perseguição comunista, está no banco dos reus.

Disse o Papa Francisco: “O Cardeal Zen irá a julgamento nestes dias, eu acho. E ele diz o que sente, e isso mostra que há limitações aí. Mais do que qualificar, porque é difícil, e não me apetece qualificar, são impressões, procuro apoiar o caminho do diálogo. ” (1)

Quantas vezes quis o Cardeal alertar o Vaticano contra as maquinações do PCCh. Que fará o Papa Francisco para exigir a liberdade do Cardeal? A liberdade da Santa Igreja na China?

Nossa Senhora, Imperatriz da China, abrevie esses dias de Calvário da Santa Igreja. Os santos chineses roguem pela conversão daquela Nação para que ela venha glorificar ao Deus que criou o Céu e a Terra. Que a China repudie o comunismo!

(1) http://thyselfolord.blogspot.com/2022/09/papa-francisco-china-nao-e-ditadura-e.html?m=1

(2) https://ipco.org.br/xi-jinping-i-e-ii-democracia-e-a-esquerda-brasileira/

(3) https://www.pliniocorreadeoliveira.info/livros/1965.pdf

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