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Faleceu hoje, em São Paulo, aos 95 anos, Dr. Eduardo de Barros Brotero, diretor do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira e co-fundador da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade – TFP.
Os detalhes do velório e sepultamento serão informados tão logo definidos.

Sepultamento: quarta-feira, dia 26/8, às 11h00, no Cemitério da Consolação, precedido de orações na Capela do Cemitério.


Réquiem æternam dona ei, Domine, et lux perpetua luceat ei.
24 de Agosto de 2026 – Instituto Plinio Corrêa de Oliveira

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IN MEMORIAM

Faleceu em São Paulo, em seu 96º ano de vida, em consequência de grave crise pulmonar, o Dr. Eduardo de Barros Brotero ( 28-12-1930 – †24-08-2026), munido da Extrema-Unção e da indulgência plenária in articulo mortis. Após o velório e várias Missas de corpo presente na sede social do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, foi sepultado no Cemitério da Consolação, no túmulo de um de seus bisavôs, onde, por concessão sua, estão sepultados o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança e mais dois diretores do referido Instituto.

Único membro do chamado “Grupo da Martim” que não conheceu Plinio Corrêa de Oliveira através da Congregação Mariana do Colégio São Luís, mas a convite de um primo que dela fazia parte, o Dr. Eduardo tornou-se um dos mais próximos discípulos do ilustre pensador católico no fim da década de 1940. Foi calorosamente recebido naquilo que a sociedade paulistana e os círculos católicos ainda chamavam de “Grupo do

Plinio”. Essa aproximação foi tanto mais fácil quanto as famílias de Dr. Plinio e de seu novo discípulo se conheciam, pela amizade de algumas senhoras de gerações anteriores. Descendente, pelos quatro costados, de estirpes paulistas cuja mais remota ascendência recua até a fundação da cidade no século XVI, suas origens eram tipicamente brasileiras, de sangue português e indígena. Segundo dos cinco filhos do casal Geraldo de Barros Brotero e Antonietta Paes de Barros Brotero, era neto paterno de Frederico de Barros Brotero e Sylvia Monteiro de Barros Brotero, e materno de Gustavo Paes de Barros e Georgina Tibiriçá.

Dr. Eduardo esteve sempre profundamente arraigado à cidade de São Paulo. Passou a infância numa chácara situada no hoje bairro de Tremembé; fez os estudos primários no Liceu Jorge Tibiriçá, fundado e dirigido por seu pai e por um tio materno no bairro da Aclimação, e recebeu a Primeira Comunhão na capela provisória da Matriz de Nossa Senhora do Carmo, no mesmo bairro; cursou o secundário no Colégio Rio Branco e formou-se na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, cujo primeiro professor (“lente”) nomeado para os cursos jurídicos no Brasil foi um de seus antepassados, o Conselheiro José Maria de Avelar Brotero, após a fundação da Academia por decreto imperial, em 11 de agosto de 1827.

Integrado ao que depois viria a ser o Grupo de Catolicismo, Dr. Eduardo ingressou na Ordem Terceira do Carmo da Basílica de Nossa Senhora do Carmo, na rua Martiniano de Carvalho, cujo prior era, naqueles anos, o Dr. Plinio Corrêa de Oliveira.

Este o incumbiu sobretudo da codireção — junto com seu melhor amigo, o Dr. Caio Xavier da Silveira — da chamada “Comissão do Movimento”, que cuidava, no seio do ainda pequeno Grupo, da fundação e animação de novos núcleos de propagandistas do mensário Catolicismo nas capitais dos Estados e nas cidades do interior do Brasil. Dita comissão foi responsável pela organização das memoráveis Semanas de Estudo dos anos 1950, que expandiram e consolidaram o movimento, assim como por seu Primeiro Congresso Internacional, em 1961, num prestigioso hotel da cidade de Serra Negra (SP).

No ano anterior, ele fora um dos sócios fundadores da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP), sendo escolhido para o cargo de Primeiro Secretário do Conselho Nacional, que exerceu até a associação ser controlada por dissidentes na virada do novo milênio.

Dotado de delicada sensibilidade artística e de apurado paladar de gourmet — um apreciado talento familiar —, Dr. Eduardo foi um dos colaboradores de Plinio Corrêa de Oliveira na decoração, no aprimoramento e na manutenção da sede social central da TFP, primeiro numa elegante casa da Rua Pará e depois na mansão da Rua Maranhão, no bairro de Higienópolis, que atualmente abriga o Instituto Plinio Corrêa de Oliveira.

Muito mais do que por sua ação — dificultada pelas penosas enxaquecas que o acometeram periodicamente durante boa parte da vida —, Dr. Eduardo exerceu imenso apostolado contra-revolucionário, no seio do movimento e junto à sociedade paulista que abandonava paulatinamente seu estilo tradicional, por sua presença cheia de distinção, cerimônia e afabilidade, marcas dos “paulistas de quatrocentos anos”. Simultaneamente pouco loquaz e extremamente emotivo — dir-se-ia que sua sensibilidade estava à flor da pele, tão expressivas eram suas reações de alegria, tristeza ou repúdio —, Dr. Eduardo era, aos olhos dos que o rodeavam, um verdadeiro monumento, tanto no andar quanto nas posições de repouso, e criava em torno de si uma atmosfera de seriedade serena e amena, que dignificava aqueles com os quais conversava. Até nas horas mais tristes, após o falecimento do saudoso Dr. Plinio Corrêa de Oliveira, jamais se o viu abatido ou irritado, mas sim calmo, digno e confiante no auxílio da Divina Providência.

Profundamente religioso, fiel à Comunhão diária, à oração quotidiana dos três terços do Rosário e às demais orações às quais era afeito, levou até suas últimas consequências a consagração a Nossa Senhora como escravo de amor, nos moldes da perfeita devoção pregada por São Luís Maria Grignion de Montfort. Ela se traduzia, na prática, numa fidelidade minuciosa ao cumprimento de seus deveres como dirigente, mesmo quando, às vésperas das últimas hospitalizações, regia, com grande esforço, a totalidade das reuniões semanais do movimento.Dr. Eduardo colaborando com Dr. Plinio na decoração da sede social central da TFP na Rua Maranhão.

Na primeira dessas hospitalizações, um mês antes de seu falecimento, pôde, com toda a paz de alma de um devoto de Nossa Senhora, gravar uma mensagem de despedida, ciente de ter cumprido o dever e transmitido a tocha do ideal às novas gerações de cooperadores:

“À quelque chose malheur est bon. O estado que me obriga a permanecer no hospital levou-me a refletir a respeito dos acontecimentos [da Santa Igreja e do mundo] e a pedir ao Sr. Dr. Plinio que intervenha nos mesmos através das ações do Grupo no mundo inteiro. Isso depende dos senhores. Eu (já) fiz a minha parte. Agradeço, comovido, os sacrifícios, as orações e as mensagens de cada um dos senhores, e peço à Senhora Dona Lucília que os recompense. In Jesu et Maria, Eduardo”.

O Céu parece ter ecoado essa mensagem, pois, na capela do Cemitério da Consolação, enquanto seus irmãos de ideal entoavam o Credo e o sacerdote incensava seu corpo antes do sepultamento, apesar do dia nublado, um raio de sol iluminou-lhe o peito e subiu até o rosto. Evocando a cena, um dos presentes pôde exclamar mais tarde, parafraseando as palavras do Rei Henrique III diante do cadáver do Duque de Guise: “Mon Dieu, qu’il est grand! Il paraît encore plus grand mort que vivant !” — “Meu Deus, como ele é grande! Parece ainda maior morto do que quando estava vivo!”

Matéria da Revista Catolicismo nº 910 – outubro de 2026.