Em artigo intitulado “China encontra dificuldades para vender seus produtos”, publicado em 16 de julho no “The New York Times” e reproduzido por “O Estado de S. Paulo”, Keith Bradsher confirma mais uma vez indícios, rumores e fatos sobre a fragilidade do castelo de cartas chinês.

Bombada pela mídia e favorecida por gigantesca injeção de investimentos e fábricas do capitalismo ocidental (EUA e Europa) e asiático (sobretudo Japão), a China veio a se tornar a segunda economia do mundo.

A economia da China não é saudável

Entretanto, observadores mais argutos sempre apontaram que a economia da China não era saudável. É notório, pois ela não tem agricultura nem pecuária suficientes para alimentar sua população, dependendo, portanto, de vultosas compras de alimentos. A China vive da importação de matéria prima para suas fábricas produzirem e exportarem seus produtos; sem matéria prima ela vai à falência.

Mais uma fragilidade

“A China tem fábricas demais que produzem bens demais. Em consequência da guerra comercial punitiva deflagrada pelos Estados Unidos, o seu maior cliente no exterior não está mais comprando como antes. Por isso, a China procura novos clientes, entretanto, esta também poderá revelar-se uma façanha difícil. No mês passado, o país retomou os seus esforços para criar uma zona de livre comércio na região da Ásia-Pacífico, com o improvável objetivo de conseguir algum acordo até novembro. Se for bem-sucedido, o pacto poderá abrir mercados da Austrália à Índia.

“Pequim tenta também manter vivas complexas conversações tríplices que reduziriam as barreiras comerciais entre China, Japão e Coreia do Sul. Em termos gerais, o país está reduzindo unilateralmente suas próprias tarifas sobre produtos procedentes do mundo todo, e ao mesmo tempo, em caráter de retaliação, aplica tarifas mais altas sobre os bens produzidos nos EUA.”

Em jogo, a saúde da economia chinesa

“A China está assoberbada pelo excesso de capacidade de produção de itens básicos no comércio global.

“O que está em jogo é a saúde da economia chinesa. No mês passado, a China informou que o seu crescimento encolheu registrando o seu menor ritmo dos últimos 30 anos, aproximadamente, em parte porque a guerra comercial com o governo Trump começou a afetar o seu crucial setor de exportações. As companhias multinacionais agora tentam transferir suas operações para outros países a fim de evitar uma guerra comercial que poderia estender-se por muito tempo. A China precisa de novos mercados para o que ela produz” [Destaques nossos].

Impacto das tarifas americanas

Continua o NYT: “É difícil substituir os EUA […]. Nenhum país tem condições de absorver o enorme volume de tudo o que a China vende aos clientes americanos. Os seus vizinhos regionais competem contra ela em diversos setores.

“O país registra um excesso de capacidade na fabricação de automóveis, aço e outros produtos fundamentais para o comércio global.

“Uma nova redução da produção e o fechamento de fábricas poderão levar à perda de empregos e frear ainda mais o crescimento econômico. Diante da possibilidade de potenciais problemas econômicos, Pequim procura abrir novos mercados”.1

Cresce a importância do Brasil

O NYT afirma que a China procura novos parceiros comerciais com 10 países da Associação das Nações do Sudeste Asiático mais Austrália, Índia, Japão, Nova Zelândia e Coreia do Sul.

Além disso, centenas de fábricas estão saindo da China, priorizando o Vietnã, Índia, Tailândia etc.

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Apliquemos ao Brasil. É conhecida a habilidade diplomática do Itamaraty, que saberá portar-se à altura de nossas tradições numa guerra comercial entre EUA e China. O Brasil é hoje um dos grandes exportadores de alimentos — do que a China é carente. Temos também uma abundância de matéria prima da qual a China é dependente.

Somos, portanto, nós, brasileiros, que damos as cartas. Saibamos manter nossa independência, nossa soberania e nossa honra em face dos convites da China (comunista) que a mídia nacional e internacional apresenta como poderosa, mas que de fato é totalmente dependente do exterior para alimentar sua população, suas fábricas e sua exportação, que cambaleia perante a guerra comercial.

O “gigante” asiático não é tão forte assim; o Brasil, sim, está numa posição de força.

E aguardamos que o governo chinês peça desculpas e se retrate das ameaças que fez ao Brasil caso nos aproximássemos dos EUA.

Em 31 de outubro, em editorial, o “China Daily” — jornal que funciona como porta-voz informal do governo — trouxe uma advertência clara: um eventual giro da política externa brasileira para uma submissão aos Estados Unidos pode representar um “custo econômico duro para a economia brasileira”.2

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Notas;

1.https://internacional.estadao.com.br/noticias/nytiw,china-dificuldades-vender-produtos,70002964848

2.https://www.brasil247.com/pt/247/mundo/374232/Embaixador-da-China-visita-Bolsonaro-para-conter-movimentos-hostis.htm

 

 

 

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