Voluntário brasileiro combate do lado pro-russo. Há muitas nacionalidades engajadas de ambos lados.

A menos de 200 km de Rostov, palco do primeiro jogo do Brasil na Copa da Rússia, os torcedores não sabiam, mas estava se desenrolando um sanguinário drama silenciado pela mídia russa.

Mais de cem mil soldados ucranianos, russos, separatistas e voluntários de vários continentes se engalfinhavam furiosamente.

O Exército ucraniano quer recuperar seu território ocupado parcialmente por milícias armadas e sustentadas pela invasora Rússia.

“Essa guerra não acaba nunca, todo dia alguém está morrendo”, dizia Sasha num deprimente cemitério na periferia de Donetsk, com os olhos vermelhos pelo choro contido e pela vodca.

Os dados foram colhidos numa extensa e rica reportagem do jornalista da“Folha de S.Paulo”   Yan Boechat, e que foi objeto de uma série de programas TV divulgada pela Band.

As estradas estão entulhadas de restos acumulados em anos de conflito

Boechat diz que esta é a “última guerra da Europa”.

Desejamos que acabe logo e não seja o início de algo pior.

Já são quatro anos de batalhas, com mais de 10 mil mortos e zero perspectiva de solução, observou o jornalista.

Desde abril de 2014, atiçados por Moscou, milicianos rebeldes das províncias de Donetsk e Lugansk na fronteira com a Rússia declararam a independência.

Eles aspiram a serem absorvidos pela “nova-Rússia”, como a Crimeia invadida ilegalmente pelas tropas de Putin.

As forças em guerra estão entrincheiradas em uma linha imaginária que corta o leste do país de norte a sul por quase 500 km.

Casa destruída pelos bombardeios em Zaitseve, leste da Ucrânia.

A guerra resultante da invasão russa deixou cerca de 1,5 milhão de refugiados e 3,5 milhões de necessitados de ajuda externa para sobreviver.

Cerca de 600 mil pessoas, entre as quais 100 mil crianças e muitos idosos, não têm aonde ir e residem num raio de até 15 km das áreas de combate, em prédios muitas vezes em ruínas.

A economia praticamente regional entrou em colapso.

A Ucrânia iniciou um processo de aproximação com a União Europeia e quer se integrar na Otan (a aliança militar ocidental) mas Putin advertiu que não tolerará, podendo ser esse o estopim de um conflito continental.

Uma guerra lembrada apenas pela imprensa ucraniana.

Na pequena Zaitseve, descreve Boechat na “Folha”, as ruas estão sempre vazias: quando alguém sai de casa, não para. Quanto menor o tempo ao ar livre, menor a chance de perder a vida.

Irina Dikun, 35, a prefeita de Zaitseve que depende dos separatistas pendurou a foto de Vladimir Putin em seu gabinete.

“Não deixamos mais as crianças brincar juntas na rua, no pátio da escola ou no campo de futebol. Não queremos perder todas de uma vez”, explica.

Na também pequena aldeia de Adviivka, conta o jornalista brasileiro, o comandante de um batalhão do Exército ucraniano, de nome Oleg, na sua posição de combate a menos de 100 metros das forças rebeldes içou uma bandeira dos EUA.

Do outro lado, soldados rebeldes ostentam a bandeira da União Soviética, fotos do ex-ditador Josef Stálin e algum busto de Lênin.

A troca de provocações encarna as tendências que se enfrentariam num indesejável conflito universal que poderia começar no leste ucraniano se a aventura russa prosseguir em sua volúpia de conquistas ilegais.

Mundo depende de conflito esquecido na Ucrânia (série especial da Band)

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